Israel e Líbano assinaram um acordo-quadro em Washington após vários dias de negociações intermediadas pelos Estados Unidos. O pacto visa estabelecer uma base para a paz e segurança duradouras entre os dois países, que têm histórico de conflitos e tensões na região.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, destacou que o acordo representa um passo inicial para a construção de um ambiente estável, apesar das dificuldades enfrentadas no terreno. Nos últimos tempos, confrontos limitados continuaram entre as forças israelenses e o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, no sul do Líbano, mesmo com a existência de um cessar-fogo vigente.
A administração americana tem demonstrado preocupação de que o conflito entre Israel e Hezbollah possa comprometer o acordo de paz com o Irã, que inclui a promessa de cessar hostilidades em todos os fronts, incluindo o território libanês.
Embora a assinatura do acordo seja vista como avanço diplomático, a situação no Líbano ainda não apresentou mudanças significativas. Trocas de tiros entre Israel e Hezbollah persistem, com acusações mútuas de violação do cessar-fogo, embora a intensidade desses confrontos tenha diminuído nos últimos dias.
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, afirmou que o acordo-quadro é um primeiro passo para a restauração da soberania do país. Por outro lado, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reiterou que as forças israelenses permanecerão no sul do Líbano até que o Hezbollah seja desarmado. Atualmente, o exército israelense ocupa aproximadamente 5% do território libanês.
Netanyahu também mencionou que Israel está permitindo que o Exército Libanês organize a retomada de controle em duas zonas piloto, localizadas ao sul e ao norte do rio Litani, como parte de um processo gradual de transferência de autoridade territorial.
Importante destacar que o Hezbollah não participou do acordo assinado na sexta-feira, e permanece incerto se o grupo aceitará retirar seus combatentes da área ao sul do rio Litani, região estratégica no sul do Líbano.
Nos últimos meses, ataques aéreos israelenses contra alvos no sul do Líbano ameaçaram comprometer os esforços para a resolução do conflito na região. Em um episódio recente, o presidente dos EUA, Donald Trump, manteve uma conversa ríspida com Netanyahu, criticando publicamente a condução israelense no conflito.
Apesar disso, Trump afirmou que Israel tem o direito de se defender contra ataques com foguetes do Hezbollah, além de declarar que pode influenciar para que Israel evite ataques adicionais ao Líbano, ressaltando o respeito que o governo israelense teria por sua liderança.
O Líbano foi diretamente envolvido no conflito entre os EUA e Israel contra o Irã a partir de 2 de março, quando o Hezbollah lançou foguetes contra Israel em retaliação a um ataque israelense que matou o líder supremo iraniano. Israel respondeu com uma campanha aérea sobre o Líbano e uma invasão terrestre no sul do país.
Um cessar-fogo intermediado pelos EUA em 16 de abril não conseguiu cessar os combates, mas em junho, Israel e Líbano concordaram em renovar o cessar-fogo frágil, com os EUA se comprometendo a auxiliar na criação de zonas piloto onde as Forças Armadas Libanesas assumiriam controle exclusivo, excluindo atores não estatais.
Na mesma sexta-feira da assinatura do acordo, Trump acusou o Irã de violar o cessar-fogo após um ataque a um navio cargueiro no Estreito de Ormuz. Em resposta, o Comando Central dos EUA realizou ataques contra instalações de armazenamento de mísseis, drones e posições de radar costeiras no Irã. Até o momento, não houve pronunciamento oficial iraniano sobre o incidente.
A assinatura do acordo entre Israel e Líbano representa um avanço diplomático importante, porém a ausência do Hezbollah no processo e a continuidade de confrontos pontuais indicam que a estabilidade plena ainda está distante. A manutenção da presença militar israelense no sul do Líbano e a necessidade de desarmamento do Hezbollah são pontos críticos para o progresso das negociações.
A mediação dos EUA continua sendo fundamental para a gestão das tensões na região, mas o sucesso do acordo dependerá da capacidade dos atores envolvidos de comprometerem-se com a implementação das medidas previstas, especialmente no controle territorial e na redução das hostilidades. O futuro próximo poderá apresentar desafios adicionais caso o Hezbollah mantenha sua postura atual, o que pode levar a novos episódios de conflito e dificultar a consolidação da paz.
Em termos estratégicos, o acordo pode abrir caminho para uma maior cooperação entre Israel e o governo libanês, fortalecendo as instituições estatais do Líbano e reduzindo a influência de grupos armados não estatais. Contudo, a complexidade do cenário regional, com interesses divergentes de potências como Irã e EUA, sugere que a estabilidade dependerá também de fatores externos e da evolução do conflito mais amplo no Oriente Médio.