O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que os líderes de Israel e Líbano concordaram com um cessar-fogo de 10 dias, que entrou em vigor às 17h EST (21h GMT; meia-noite no horário local) do dia 16 de abril. O acordo não menciona diretamente o Hezbollah, grupo militante apoiado pelo Irã e com atuação no Líbano, que tem trocado ataques com Israel nas últimas seis semanas. Contudo, Trump fez um apelo para que o Hezbollah respeite o cessar-fogo, destacando a importância do período para a estabilidade regional.
Após o anúncio, o presidente americano convidou o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o presidente libanês Joseph Aoun para negociações adicionais na Casa Branca, visando aprofundar o diálogo entre os países. O acordo estabelece que o cessar-fogo terá duração inicial de 10 dias, podendo ser prorrogado mediante acordo mútuo caso as negociações avancem positivamente.
De acordo com detalhes divulgados pelo Departamento de Estado dos EUA, Israel mantém o direito de se defender contra ataques planejados, iminentes ou em curso. O Líbano, por sua vez, compromete-se a tomar medidas efetivas para impedir que o Hezbollah e outros grupos armados não estatais realizem ataques contra alvos israelenses. Ambos os lados reconhecem que as forças de segurança libanesas são as únicas responsáveis pela segurança do país. Além disso, Israel e Líbano solicitaram que os EUA continuem facilitando diálogos diretos com o objetivo de resolver todas as questões pendentes.
O cessar-fogo foi descrito como um gesto de boa vontade por parte de Israel, com a intenção de viabilizar negociações de boa-fé rumo a um acordo permanente de segurança e paz entre as partes. Os líderes de Israel e Líbano receberam o acordo positivamente. Netanyahu classificou o momento como uma oportunidade para alcançar um acordo histórico de paz. O primeiro-ministro libanês Nawaf Salam expressou esperança de que o cessar-fogo permita o retorno das pessoas deslocadas pelo conflito para suas residências.
O Hezbollah indicou disposição para participar do cessar-fogo, mas condicionou sua adesão a uma paralisação abrangente dos ataques em todo o território libanês e à restrição da liberdade de movimento das forças israelenses. Embora o grupo seja fortemente influente no Líbano, ele não integra formalmente as instituições de segurança do governo libanês.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã saudou o cessar-fogo, com o porta-voz Esmail Baghaei manifestando solidariedade ao Líbano. O Irã havia defendido que seu cessar-fogo de duas semanas com os EUA incluísse o Líbano, posição que não foi aceita pelos Estados Unidos e Israel. O secretário-geral da ONU, António Guterres, elogiou o papel dos EUA na mediação do acordo e pediu que todas as partes respeitem integralmente o cessar-fogo e as normas do direito internacional.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, considerou o acordo um alívio e afirmou que a Europa continuará a defender a soberania e a integridade territorial do Líbano. A chefe da política externa da União Europeia, Kaja Kallas, ressaltou que o cessar-fogo deve ser utilizado para reduzir a violência e abrir espaço para negociações que busquem uma paz duradoura.
Apesar do acordo, Netanyahu anunciou que as tropas israelenses permanecerão posicionadas até 10 km dentro do sul do Líbano. Dados da ONU indicam que mais de 1,2 milhão de pessoas foram deslocadas em todo o país, a maioria na região sul. Israel reocupou essa área após ataques do Hezbollah em março e a classificou como zona de segurança. O primeiro-ministro israelense afirmou que as forças não deixarão a região.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, declarou que o território ocupado poderá se estender até o rio Litani, cerca de 30 km da fronteira com Israel, e afirmou que todas as casas próximas à fronteira seriam demolidas. Desde o início do conflito, mais de 1.400 edifícios foram destruídos no sul do Líbano. O ministro da Defesa libanês, Michel Menassa, interpretou as declarações de Katz como uma intenção clara de impor uma nova ocupação no território libanês, posição criticada por países europeus, Canadá e pela ONU.
Conflitos anteriores entre Israel e Hezbollah, como o cessar-fogo que encerrou 13 meses de hostilidades, continuaram a registrar ataques quase diários na fronteira. As negociações para o cessar-fogo atual ocorreram em Washington, em conversas diretas raras entre Israel e Líbano, buscando aliviar o conflito que incluiu ataques aéreos em Beirute e combates no sul do país.
Trump destacou que o acordo foi resultado de "excelentes conversas" com Aoun e Netanyahu, sem mencionar a participação direta do Hezbollah. Posteriormente, o presidente americano pediu ao grupo que mantenha comportamento adequado durante o cessar-fogo. Netanyahu afirmou que o Hezbollah impôs duas condições para o cessar-fogo: a retirada das tropas israelenses do Líbano e a adoção do princípio "silêncio por silêncio".
Fontes indicam que o anúncio do cessar-fogo surpreendeu até mesmo membros do gabinete de segurança israelense, que foram convocados para uma reunião com apenas cinco minutos de antecedência e não tiveram a oportunidade de votar sobre o acordo.
O cessar-fogo entre Israel e Líbano está relacionado ao conflito mais amplo envolvendo o Irã. Enquanto o Irã e o Paquistão, que atuaram como mediadores, afirmaram que o cessar-fogo com o Irã incluía o Líbano, Israel negou essa inclusão. Os ataques israelenses no Líbano começaram em 2 de março como resposta aos ataques do Hezbollah, em meio a uma escalada regional envolvendo confrontos entre EUA, Israel e aliados do Irã.
Desde o início do conflito, mais de 2.100 pessoas morreram e cerca de 7.000 ficaram feridas no Líbano, segundo o ministério da saúde local, que não diferencia entre civis e combatentes. Entre os mortos, há mulheres, crianças e profissionais de saúde. O número de ataques israelenses a ambulâncias e instalações médicas ultrapassa 120. No lado israelense, ataques do Hezbollah resultaram na morte de dois civis e 13 soldados.
Recentemente, o exército israelense destruiu a última ponte que liga o sul do Líbano ao restante do país, aumentando o isolamento da região e alimentando temores de uma ocupação prolongada. O contexto do cessar-fogo, portanto, é marcado por tensões persistentes e desafios para a estabilidade regional.
Analisando o cenário, o cessar-fogo representa um passo importante para a redução imediata da violência, mas a permanência das tropas israelenses no sul do Líbano e as condições impostas pelo Hezbollah indicam que o conflito pode permanecer latente. A continuidade das negociações mediadas pelos EUA será crucial para evitar uma retomada dos combates e para buscar soluções políticas duradouras.
Além disso, a posição do Irã e o papel do Hezbollah como ator não estatal complexo no Líbano mantêm o risco de escaladas futuras, especialmente se as demandas de segurança de Israel e as aspirações políticas libanesas não forem conciliadas. A comunidade internacional deverá acompanhar de perto os próximos passos, buscando fortalecer mecanismos de diálogo e evitar que o cessar-fogo se transforme em mera pausa temporária no conflito.