Geopolítica Estratégica

GEOPOLÍTICA

ESTRATÉGICA

domingo, 04 de janeiro de 2026
⚡ BREAKING:
⚡ BREAKING NEWS
← Voltar para início
geopolitica

Israel inicia celebrações do 78º Dia da Independência com tradicional cerimônia de acendimento da tocha

Israel iniciou as celebrações do 78º Dia da Independência com a tradicional cerimônia de acendimento da tocha no Monte Herzl, Jerusalém, destacando operações militares recentes contra o Irã e o Hezbollah. O evento contou com a presença do primeiro-ministro Netanyahu, do presidente argentino Javier Milei e outras autoridades. Paralelamente, uma cerimônia alternativa reuniu opositores do governo em Tel Aviv, evidencian

Israel inicia celebrações do 78º Dia da Independência com tradicional cerimônia de acendimento da tocha

Na noite de 21 de abril de 2026, Israel deu início às comemorações do seu 78º Dia da Independência com a tradicional cerimônia de acendimento da tocha no Monte Herzl, em Jerusalém. O evento, que contou com a presença de autoridades e centenas de espectadores, marcou o retorno do público presencial após dois anos de restrições devido a conflitos armados e incêndios florestais. Entre os presentes estavam o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e sua esposa Sara, o presidente da Knesset Amir Ohana, o presidente do Supremo Tribunal Isaac Amit, o chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel (IDF), general Eyal Zamir, e o presidente argentino Javier Milei, que pela primeira vez foi convidado a acender uma tocha como líder estrangeiro.

A cerimônia, organizada anualmente pela ministra dos Transportes Miri Regev, teve como tema oficial "Forças da Renovação". Este tema refletiu o foco nas recentes operações militares conjuntas entre Israel e Estados Unidos contra o Irã, iniciadas em 28 de fevereiro e suspensas em 8 de abril com um cessar-fogo de duas semanas. Na data da cerimônia, o cessar-fogo estava próximo do fim, mas foi prorrogado temporariamente pelo então presidente dos EUA, Donald Trump. Além disso, o conflito com o Hezbollah no Líbano também esteve em evidência.

O discurso do primeiro-ministro Netanyahu foi apresentado em vídeo pré-gravado, no qual ele destacou os avanços militares de Israel nos últimos anos. Netanyahu afirmou que Israel está mais forte do que nunca e, junto com os Estados Unidos, lidera a luta contra as "forças do mal" no mundo. Ele mencionou a "geração da renovação", enfatizando que Israel enfrenta seus inimigos, especialmente o "eixo do mal iraniano", que estaria lutando pela própria sobrevivência. O primeiro-ministro destacou as operações "Leão Ascendente" e "Leão Rugidor", campanhas contra o Irã que, segundo ele, causaram danos significativos ao regime iraniano e fortaleceram a posição regional de Israel.

Netanyahu também afirmou que Israel recuperou todos os reféns mantidos pelo Hamas, sem distinguir entre vivos e mortos, e que continua combatendo o grupo para garantir que a Faixa de Gaza não represente mais uma ameaça. Ele mencionou ainda as ações militares em Líbano e Síria, incluindo a criação de zonas de segurança e a eliminação do líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah. O primeiro-ministro concluiu seu discurso ressaltando os avanços econômicos, tecnológicos e de inovação, afirmando que, com a ajuda divina, a vitória será completada, fortalecendo o Estado e assegurando o futuro.

A cerimônia contou com a participação de diversos representantes das Forças de Defesa de Israel, incluindo oficiais que participaram das operações recentes. Entre os acendedores de tocha estavam o coronel "Mem", chefe do departamento iraniano da Força Aérea, que usou balaclava para preservar sua identidade, e a major Nurit Rokah, comandante da unidade de inteligência de combate da defesa de fronteira, que foi ferida em confrontos com o Hamas. Também foram homenageados soldados feridos, familiares de reféns falecidos e civis que mantiveram a resistência durante o conflito, como Ora Hatan, reconhecida por seu apoio às tropas em Shtula.

Outros homenageados incluíram o chef Assaf Granit, detentor de uma estrela Michelin na França, e a médica Dina Ben-Yehuda, que representou a comunidade médica israelense. Tamer Atallah, um druso ex-soldado que trabalha para fortalecer os laços com os drusos sírios, e Roni Ineshaz Farshahd, ex-funcionário judicial iraniano que ajudou judeus sob ameaça antes de fugir para Israel, também foram agraciados. Farshahd dedicou sua tocha à comunidade judaica iraniana e ao povo iraniano que deseja liberdade.

A escolha dos acendedores de tocha gerou controvérsia, principalmente pela inclusão do reservista Abraham Zarbiv, rabino e juiz rabínico conhecido por declarações extremas e apoio a ações militares agressivas na Faixa de Gaza. O IDF se distanciou da decisão de homenageá-lo. Zarbiv dedicou sua tocha aos operadores de máquinas que destruíram infraestruturas terroristas em Gaza.

O presidente argentino Javier Milei foi o último a acender a tocha, recebendo aplausos e participando de uma apresentação musical. Em seu discurso, Milei destacou a vitória da luz sobre a escuridão e a importância da liberdade e soberania de Israel, ressaltando que a força não está no número de soldados, mas em forças superiores.

No entanto, a presença de Milei não foi bem recebida por todos. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, deixou a cerimônia após ser solicitado a mudar de assento, pois seu lugar havia sido reservado para a comitiva do presidente argentino. Fontes próximas a Ben Gvir afirmaram que ele desejava sentar-se ao lado de Netanyahu, mas foi impedido pela ministra Regev, aliada do premiê.

Paralelamente à cerimônia oficial em Jerusalém, milhares de pessoas participaram de um evento alternativo no Museu de Arte de Tel Aviv, organizado por grupos opositores ao governo atual. Esta cerimônia "liberal e democrática" contou com a presença do ex-ministro do Likud e ex-chefe do IDF Moshe Ya'alon, além de líderes de grupos de protesto como "Irmãos e Irmãs nas Armas" e "Mães na Linha de Frente". Yifat Calderon, prima de um ex-refém, também acendeu uma tocha, pedindo respostas sobre o massacre de 7 de outubro de 2023 e a criação de uma comissão estatal para investigar o ocorrido.

A retomada do público presencial na cerimônia oficial e a participação de líderes estrangeiros refletem a importância simbólica do evento em um momento de tensões regionais elevadas. A continuidade do cessar-fogo com o Irã e a situação no Líbano permanecem instáveis, o que pode influenciar a dinâmica política e militar de Israel nos próximos meses.

A inclusão de figuras controversas e a divisão entre cerimônias oficiais e alternativas indicam um ambiente político interno polarizado, que pode afetar a coesão social e a condução das políticas de segurança. O papel dos aliados internacionais, como os Estados Unidos e países da região, será crucial para a estabilidade e para eventuais negociações futuras.

Em termos estratégicos, a ênfase nas operações contra o Irã e o Hezbollah demonstra a prioridade de Israel em neutralizar ameaças nucleares e militares na região. A manutenção e possível ampliação das zonas de segurança no Líbano e Síria indicam uma postura preventiva, mas que pode gerar tensões diplomáticas. A continuidade do apoio dos EUA, especialmente sob administrações futuras, será determinante para o equilíbrio de poder no Oriente Médio.

No cenário interno, a polarização política e a insatisfação de setores da sociedade com a condução do governo podem levar a protestos e pressões por maior transparência e responsabilização, especialmente em relação aos eventos traumáticos recentes. A realização de cerimônias paralelas e a demanda por comissões de investigação refletem esse clima. O governo terá que equilibrar a segurança nacional com a necessidade de unidade social para enfrentar os desafios regionais.