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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Israel ordena expansão de controle em Gaza e Hamas alerta para escalada perigosa

Israel ordena controle de 70% da Faixa de Gaza, ultrapassando acordo de cessar-fogo; Hamas alerta para escalada e ONU destaca agravamento da crise humanitária.

Israel ordena expansão de controle em Gaza e Hamas alerta para escalada perigosa

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou uma ampliação significativa do controle militar israelense sobre a Faixa de Gaza, instruindo as Forças de Defesa de Israel (IDF) a assumirem o controle de 70% do território. Essa decisão ultrapassa a área que Israel estava autorizado a ocupar temporariamente conforme o acordo de cessar-fogo firmado em outubro de 2025, que havia encerrado dois anos de conflito intenso entre Israel e o Hamas.

O acordo de outubro estabeleceu uma trégua que permitiu a libertação de reféns mantidos por grupos terroristas em Gaza e manteve o Hamas no controle do restante do enclave palestino. No entanto, a recente ordem de Netanyahu representa uma expansão considerável da presença militar israelense, já que o governo israelense reconheceu anteriormente controlar cerca de 60% do território, acima dos 53% previstos no cessar-fogo.

O Hamas, que administra o governo em Gaza, classificou a medida como uma "escalada perigosa" e uma violação flagrante dos acordos existentes. Ismail al-Thawabta, chefe do escritório de mídia do governo de Gaza, declarou que qualquer tentativa de impor uma nova realidade de ocupação na região é ilegítima e nula. O porta-voz do Hamas, Bassem Naim, reforçou que a expansão do controle israelense ocorre em meio à continuidade da violência e da escassez de recursos básicos para a população local.

A situação humanitária em Gaza é crítica, com mais de dois milhões de habitantes vivendo em condições precárias, muitos em abrigos improvisados ou tendas. A UNICEF alertou que a ampliação da área sob controle israelense agravará a crise, especialmente para as crianças, que enfrentam falta de alimentos, água potável e saneamento básico. Salim Oweis, porta-voz da agência em Genebra, destacou que a população está confinada a cerca de 40% do território, vivendo entre escombros, lixo acumulado e infraestrutura destruída.

As condições sanitárias deterioradas têm provocado um aumento de doenças respiratórias, diarreia aguda e problemas de pele entre as crianças. Oweis relatou casos alarmantes de infestações por pulgas, piolhos e escabiose, além de ataques de ratos a crianças e bebês, o que evidencia a gravidade da situação. A falta de hospitais plenamente operacionais torna o atendimento médico insuficiente para a demanda crescente.

A Autoridade Palestina criticou a decisão de Netanyahu, qualificando-a como uma violação grave dos fundamentos do cessar-fogo. A comunidade internacional reagiu com preocupação. O Ministério das Relações Exteriores da Alemanha manifestou oposição à expansão do controle israelense e alertou para os riscos de uma divisão permanente do território palestino. O Reino Unido também expressou que qualquer avanço adicional israelense em Gaza é inaceitável e pode agravar a crise humanitária.

No terreno, moradores deslocados demonstram apreensão diante da possibilidade de maior pressão militar israelense. Muitos questionam para onde poderão se deslocar, já que o espaço disponível é extremamente limitado, com o mar ao alcance e poucas opções de refúgio seguro.

A decisão de Netanyahu ocorre em um contexto de estagnação no processo de desarmamento do Hamas e demilitarização da Faixa de Gaza, previstos no acordo de outubro, mas que não avançaram devido à recusa do grupo em entregar suas armas e à continuidade dos ataques israelenses no interior do enclave.

Do ponto de vista estratégico, a ampliação do controle israelense sobre Gaza pode intensificar as tensões na região, dificultando negociações futuras e potencialmente provocando novas ondas de violência. A restrição do espaço para a população civil pode agravar a crise humanitária, aumentando a pressão internacional sobre Israel para buscar soluções políticas e humanitárias.

Além disso, a expansão territorial pode influenciar a dinâmica interna do conflito, fortalecendo a posição do Hamas como representante da resistência palestina, ao mesmo tempo em que desafia a capacidade de Israel de manter a segurança sem provocar condenações internacionais mais severas. O cenário sugere que as próximas semanas serão cruciais para o desenvolvimento do conflito e para a resposta da comunidade global diante da situação em Gaza.