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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Israel permite uso de livros de oração judaicos no Monte do Templo pela primeira vez

Israel autorizou pela primeira vez o uso de livros de oração judaicos no Monte do Templo, alterando o tradicional status quo e gerando repercussões na região.

Israel permite uso de livros de oração judaicos no Monte do Templo pela primeira vez

No domingo, pela primeira vez, fiéis judeus foram autorizados a levar livros de oração para o Monte do Templo, em Jerusalém, um local sagrado que tem sido foco de tensões religiosas e políticas. A permissão representa uma mudança significativa na aplicação das regras que tradicionalmente proibiam a oração judaica no local, que é considerado o terceiro mais sagrado para o Islã, além de ser o local dos antigos templos judaicos.

Historicamente, a polícia israelense impedia ou até detinha judeus que fossem flagrados rezando no Monte do Templo, conhecido pelos muçulmanos como Haram al-Sharif. Contudo, nos últimos três anos, sob a gestão do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, essa política tem sido flexibilizada. Ben Gvir tem defendido abertamente o direito dos judeus de orar no local, o que tem provocado reações diversas na região.

Um jornalista e ativista de direita, Arnon Segal, divulgou imagens que mostram homens orando no Monte do Templo enquanto utilizam siddurim, os livros de liturgia judaica. Na foto, toalhas estendidas no chão indicam que os fiéis realizaram prostrações durante o culto, um gesto tradicional na prática religiosa judaica.

A polícia israelense informou que a gestão do local segue orientações da liderança política, práticas padrão e avaliações operacionais. O Monte do Templo é administrado religiosamente pelo Waqf islâmico, sob supervisão da Jordânia, enquanto Israel mantém a segurança geral do local. O acordo estabelecido após a Guerra dos Seis Dias, em 1967, determina que apenas muçulmanos podem rezar no Monte do Templo, enquanto judeus realizam suas orações no Muro das Lamentações, situado nas proximidades.

Desde que Ben Gvir assumiu o cargo, houve uma série de mudanças que desafiam esse status quo. Ele próprio liderou orações no local e a polícia passou a permitir o uso de folhetos de oração impressos desde janeiro. Grupos religiosos judeus e cristãos têm realizado cultos no local, inclusive com prostrações, sem intervenção policial, apesar da proibição formal.

Essas alterações têm causado preocupação e indignação no mundo muçulmano, levando o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a reiterar que a política de Israel em relação ao status quo do Monte do Templo permanece inalterada. No entanto, as ações do ministro da Segurança Nacional indicam uma mudança prática na forma como o local é administrado, o que pode influenciar as dinâmicas regionais.

O Monte do Templo é um ponto sensível no conflito israelo-palestino, frequentemente palco de confrontos e tensões. A permissão para o uso de livros de oração judaicos pode ser interpretada como um avanço simbólico para grupos que defendem maior liberdade religiosa para judeus no local, mas também pode gerar reações negativas entre a população muçulmana e autoridades jordanianas.

Analistas apontam que a flexibilização das regras no Monte do Templo pode alterar o equilíbrio delicado mantido por décadas, aumentando a possibilidade de confrontos religiosos e políticos. A continuidade dessa política dependerá das respostas das partes envolvidas e da capacidade do governo israelense de gerenciar as repercussões regionais.

Nos próximos meses, será importante observar se essa mudança se consolidará como uma nova prática oficial ou se haverá recuos diante das pressões internas e externas. O episódio reforça a complexidade da administração do Monte do Templo, onde questões de soberania, religião e segurança se entrelaçam de forma sensível e impactam diretamente a estabilidade da região.