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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Israel: Yuli Edelstein deixa Likud e busca nova trajetória política antes das eleições

Yuli Edelstein deixa o partido Likud em Israel para formar uma nova alternativa política, em meio a divergências sobre o serviço militar obrigatório para jovens haredim, antes das eleições de 2026.

Israel: Yuli Edelstein deixa Likud e busca nova trajetória política antes das eleições

Yuli Edelstein, deputado veterano do partido Likud em Israel, anunciou sua saída da legenda para seguir um novo caminho político. Edelstein, conhecido por sua postura crítica à proposta do governo que visa isentar jovens haredim do serviço militar obrigatório, declarou que não pretende participar das próximas prévias internas do Likud, marcadas para 4 de agosto. A decisão ocorre em meio à preparação para as eleições nacionais previstas até 27 de outubro.

O parlamentar expressou surpresa diante da reação de alguns membros do partido, que questionam sua decisão, lembrando o apoio histórico que ele mesmo ofereceu ao Likud ao longo dos anos. Edelstein não detalhou seus planos futuros nem as razões específicas para a saída, mas indicou que pretende estabelecer uma nova direção política.

Recentemente, ele tem mantido negociações com a ex-ministra da Justiça Ayelet Shaked para a formação de uma alternativa ao Likud, descrita como mais "estatalista". A possível nova agremiação, informalmente chamada de "Likud B", poderia incluir também outras figuras políticas como Gilad Erdan, ex-ministro e embaixador nas Nações Unidas, e Sharren Haskel, atual vice-ministra das Relações Exteriores.

Edelstein e Haskel foram parte de um grupo de quatro parlamentares da coalizão que votaram contra o projeto de lei apoiado pelo governo, que buscava proteger os jovens haredim que evitam o serviço militar, equiparando o estudo da Torá ao serviço nas Forças de Defesa de Israel (IDF). A medida visa formalizar a isenção do serviço militar para essa comunidade, após uma decisão da Suprema Corte em junho de 2024 que considerou a política anterior sem base legal.

Em 2022, Edelstein foi destituído da presidência da Comissão de Relações Exteriores e Defesa da Knesset pelo Likud, após insistir em sanções mais rigorosas contra aqueles que evitam o serviço militar, o que contrariou os interesses dos parceiros ultraortodoxos da coalizão.

Nascido na Ucrânia e detido nos anos 1980 por ensinar hebraico durante a era soviética, Edelstein imigrou para Israel em 1987. Iniciou sua carreira política em 1996 como co-líder do partido Yisrael Ba'aliyah, que representava imigrantes russófonos, e posteriormente integrou o Likud após a fusão dos partidos em 2003. Ao longo dos anos, ocupou posições de destaque, incluindo presidente da Knesset e ministro da Saúde durante a pandemia de COVID-19.

No passado, Edelstein gozou de forte apoio dentro do Likud, tendo conquistado a segunda posição na lista eleitoral do partido nas eleições de 2019, atrás apenas do então líder Benjamin Netanyahu. Em 2021, chegou a anunciar candidatura à liderança do partido, mas desistiu posteriormente. Nas últimas prévias, realizadas em 2022, seu posicionamento caiu para o 18º lugar na lista.

A saída de Edelstein do Likud pode sinalizar uma fragmentação maior dentro do partido, especialmente em temas sensíveis como o serviço militar obrigatório e a relação com os setores ultraortodoxos. A possível formação de uma nova legenda com figuras dissidentes pode alterar o equilíbrio político em Israel, influenciando as alianças e estratégias eleitorais.

Do ponto de vista estratégico, a criação de uma alternativa ao Likud pode atrair eleitores descontentes com a atual liderança, especialmente aqueles que defendem uma postura mais firme em relação ao serviço militar e à segurança nacional. Isso pode pressionar Netanyahu a ajustar suas políticas para manter a coesão interna e o apoio popular.

Além disso, a movimentação política de Edelstein e aliados pode impactar a dinâmica da coalizão governista, dificultando a aprovação de projetos legislativos que envolvam concessões aos haredim. O cenário eleitoral de 2026 se apresenta, portanto, com potencial para redefinir as forças políticas em Israel, com efeitos diretos sobre a estabilidade do governo e a condução das políticas de defesa e segurança.

Em resumo, a saída de Yuli Edelstein do Likud e a busca por uma nova configuração política refletem tensões internas significativas e indicam possíveis mudanças no panorama político israelense nas próximas eleições. A evolução desse processo será determinante para o futuro das políticas militares e sociais do país.