Yuli Edelstein, deputado veterano do partido Likud em Israel, anunciou sua saída da legenda para seguir um novo caminho político. Edelstein, conhecido por sua postura crítica à proposta do governo que visa isentar jovens haredim do serviço militar obrigatório, declarou que não pretende participar das próximas prévias internas do Likud, marcadas para 4 de agosto. A decisão ocorre em meio à preparação para as eleições nacionais previstas até 27 de outubro.
O parlamentar expressou surpresa diante da reação de alguns membros do partido, que questionam sua decisão, lembrando o apoio histórico que ele mesmo ofereceu ao Likud ao longo dos anos. Edelstein não detalhou seus planos futuros nem as razões específicas para a saída, mas indicou que pretende estabelecer uma nova direção política.
Recentemente, ele tem mantido negociações com a ex-ministra da Justiça Ayelet Shaked para a formação de uma alternativa ao Likud, descrita como mais "estatalista". A possível nova agremiação, informalmente chamada de "Likud B", poderia incluir também outras figuras políticas como Gilad Erdan, ex-ministro e embaixador nas Nações Unidas, e Sharren Haskel, atual vice-ministra das Relações Exteriores.
Edelstein e Haskel foram parte de um grupo de quatro parlamentares da coalizão que votaram contra o projeto de lei apoiado pelo governo, que buscava proteger os jovens haredim que evitam o serviço militar, equiparando o estudo da Torá ao serviço nas Forças de Defesa de Israel (IDF). A medida visa formalizar a isenção do serviço militar para essa comunidade, após uma decisão da Suprema Corte em junho de 2024 que considerou a política anterior sem base legal.
Em 2022, Edelstein foi destituído da presidência da Comissão de Relações Exteriores e Defesa da Knesset pelo Likud, após insistir em sanções mais rigorosas contra aqueles que evitam o serviço militar, o que contrariou os interesses dos parceiros ultraortodoxos da coalizão.
Nascido na Ucrânia e detido nos anos 1980 por ensinar hebraico durante a era soviética, Edelstein imigrou para Israel em 1987. Iniciou sua carreira política em 1996 como co-líder do partido Yisrael Ba'aliyah, que representava imigrantes russófonos, e posteriormente integrou o Likud após a fusão dos partidos em 2003. Ao longo dos anos, ocupou posições de destaque, incluindo presidente da Knesset e ministro da Saúde durante a pandemia de COVID-19.
No passado, Edelstein gozou de forte apoio dentro do Likud, tendo conquistado a segunda posição na lista eleitoral do partido nas eleições de 2019, atrás apenas do então líder Benjamin Netanyahu. Em 2021, chegou a anunciar candidatura à liderança do partido, mas desistiu posteriormente. Nas últimas prévias, realizadas em 2022, seu posicionamento caiu para o 18º lugar na lista.
A saída de Edelstein do Likud pode sinalizar uma fragmentação maior dentro do partido, especialmente em temas sensíveis como o serviço militar obrigatório e a relação com os setores ultraortodoxos. A possível formação de uma nova legenda com figuras dissidentes pode alterar o equilíbrio político em Israel, influenciando as alianças e estratégias eleitorais.
Do ponto de vista estratégico, a criação de uma alternativa ao Likud pode atrair eleitores descontentes com a atual liderança, especialmente aqueles que defendem uma postura mais firme em relação ao serviço militar e à segurança nacional. Isso pode pressionar Netanyahu a ajustar suas políticas para manter a coesão interna e o apoio popular.
Além disso, a movimentação política de Edelstein e aliados pode impactar a dinâmica da coalizão governista, dificultando a aprovação de projetos legislativos que envolvam concessões aos haredim. O cenário eleitoral de 2026 se apresenta, portanto, com potencial para redefinir as forças políticas em Israel, com efeitos diretos sobre a estabilidade do governo e a condução das políticas de defesa e segurança.
Em resumo, a saída de Yuli Edelstein do Likud e a busca por uma nova configuração política refletem tensões internas significativas e indicam possíveis mudanças no panorama político israelense nas próximas eleições. A evolução desse processo será determinante para o futuro das políticas militares e sociais do país.