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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Japão: morre Kozo Okamoto, terrorista do ataque ao aeroporto de Israel em 1972

Kozo Okamoto, terrorista japonês responsável pelo ataque ao aeroporto de Israel em 1972, morreu aos 78 anos no Líbano, encerrando um capítulo histórico da militância internacional.

Japão: morre Kozo Okamoto, terrorista do ataque ao aeroporto de Israel em 1972

Kozo Okamoto, integrante do Exército Vermelho Japonês, grupo militante de extrema esquerda, faleceu aos 78 anos em Beirute, no Líbano. Ele foi responsável pelo ataque ao aeroporto de Lod, atualmente conhecido como Aeroporto Ben Gurion, em Israel, ocorrido em 30 de maio de 1972. O atentado, planejado pelo Frente Popular para a Libertação da Palestina (PFLP), resultou na morte de 26 pessoas.

O PFLP, organização considerada terrorista por Israel, Estados Unidos, União Europeia e Japão, divulgou um comunicado lamentando a morte de Okamoto, destacando sua dedicação à causa palestina. O grupo ressaltou o apoio contínuo do militante à luta palestina ao longo dos anos.

Na ação de 1972, Okamoto e outros dois membros do Exército Vermelho Japonês, Tsuyoshi Okudaira e Yasuyuki Yasuda, chegaram a Israel utilizando passaportes falsos em um voo da Air France. Após passar pela imigração sem dificuldades, eles retiraram suas bagagens e abriram fogo com fuzis e granadas no terminal do aeroporto.

O ataque resultou na morte de oito israelenses, um canadense e 17 cidadãos americanos, muitos deles peregrinos que visitavam a Terra Santa. Durante o confronto, Okudaira e Yasuda foram mortos, enquanto Okamoto foi ferido, capturado e posteriormente condenado à prisão perpétua em Israel.

Em 1985, Okamoto foi libertado em uma troca de prisioneiros conhecida como Acordo Jibril, permanecendo no Líbano sob proteção do PFLP até sua morte. Em 1997, foi detido novamente no Líbano por acusações de falsificação, mas evitou a extradição para o Japão, onde era procurado por terrorismo. Em 2000, tornou-se o primeiro indivíduo a obter asilo político no país árabe.

Nos últimos anos, Okamoto viveu de forma reclusa, sob cuidados do PFLP, com acesso limitado ao mundo externo. Em maio de 2022, fez uma aparição pública rara durante uma cerimônia em Beirute que marcou os 50 anos do ataque ao aeroporto, momento em que cumprimentou apoiadores com um gesto de vitória.

Nascido em uma família de classe média do sul do Japão, Okamoto não tinha ligação inicial com a causa palestina. No entanto, após o incidente, manteve seu compromisso com a luta contra o que chamava de ocupação.

O ataque de 1972 no aeroporto de Lod teve repercussões significativas para a segurança aérea mundial. Antes do atentado, a inspeção de bagagens despachadas era incomum, mas o massacre levou a uma revisão global dos protocolos de segurança nos aeroportos.

Analisando o impacto estratégico, a morte de Okamoto encerra um capítulo histórico da militância internacional ligada ao conflito israelo-palestino. Sua trajetória ilustra a complexidade das alianças transnacionais na luta palestina e o envolvimento de grupos extremistas de diferentes origens. A presença prolongada de Okamoto no Líbano sob proteção do PFLP e Hezbollah reflete a persistência das redes de apoio a militantes históricos.

No cenário atual, embora o atentado tenha ocorrido há mais de cinco décadas, ele ainda influencia as políticas de segurança e as relações diplomáticas entre Japão, Israel e países do Oriente Médio. A memória do ataque reforça a importância da cooperação internacional para o combate ao terrorismo e a necessidade contínua de aprimoramento das medidas de proteção em aeroportos e espaços públicos.

O falecimento de Okamoto pode gerar reflexões sobre o legado dos militantes internacionais envolvidos em conflitos regionais e o papel das organizações que os apoiam. A continuidade da influência do PFLP e de grupos aliados no Líbano indica que, apesar das mudanças políticas, a dinâmica do conflito permanece complexa e multifacetada.