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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Jornalista palestino relata condições e desnutrição em prisão israelense após um ano detido

Jornalista palestino Ali Samoudi relata perda de peso e condições severas na prisão israelense após um ano em detenção administrativa sem acusação formal.

Jornalista palestino relata condições e desnutrição em prisão israelense após um ano detido

Ali Samoudi, jornalista palestino, foi libertado no final de abril de 2026 após passar um ano em detenção administrativa israelense sem ser formalmente acusado. Durante esse período, ele perdeu cerca de 59 quilos, tornando-se quase irreconhecível para sua família e amigos. Em entrevista concedida à CNN, Samoudi detalhou as condições severas enfrentadas pelos detentos palestinos sob custódia israelense.

A detenção administrativa, instrumento legal controverso utilizado por Israel, permite a prisão de suspeitos por tempo indeterminado sem apresentação de acusações formais, baseando-se em informações confidenciais de inteligência. Embora alguns detidos sejam posteriormente processados, muitos, como Samoudi, permanecem sem acusações. Em 2025, o ministro da Defesa Israel Katz restringiu o uso dessa prática para suspeitos judeus, mantendo-a aplicada principalmente a cerca de 4 mil palestinos e um pequeno número de árabes israelenses, o que tem gerado críticas sobre discriminação.

Samoudi descreveu a alimentação diária oferecida aos presos como extremamente limitada. O café da manhã consistia em uma colher de labneh e um quarto de colher de geleia; o almoço incluía quatro colheres de arroz, duas fatias de pepino e uma colher de feijão branco; o jantar era composto por duas colheres de homus, uma colher de tahine e um ovo cozido. Ele afirmou que não pôde perceber a perda de peso durante o encarceramento, pois era proibido de se olhar no espelho.

Relatórios do Escritório do Defensor Público de Israel apontam que detentos palestinos enfrentam violência sistemática por parte dos guardas, além de negligência médica e condições insalubres que favorecem a propagação de doenças dentro das prisões. Samoudi relatou episódios de agressão física, incluindo um incidente em que um oficial israelense o pressionou contra o chão com o pé na cabeça por vários minutos, causando sufocamento.

Além disso, ele denunciou a recusa dos guardas em fornecer atendimento médico a um jovem preso de 22 anos, identificado como Loay Faisal Turkman, que adoeceu durante a noite e não recebeu ajuda, vindo a falecer diante dos demais detentos. Turkman também estava detido sem acusações formais.

Desde o ataque do Hamas em outubro de 2023 e o subsequente conflito em Gaza, cerca de 100 palestinos morreram sob custódia israelense, segundo dados da organização Physicians for Human Rights-Israel. O Serviço Prisional de Israel não respondeu aos pedidos de esclarecimento sobre os casos de Samoudi e Turkman, e tem negado acusações de maus-tratos, afirmando que os detentos são tratados conforme as normas internacionais.

O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, que supervisiona o Serviço Prisional, tem publicamente defendido o endurecimento das condições para presos palestinos, alegando que anteriormente eles eram tratados com excessiva complacência.

Samoudi foi ferido em 2022 durante um confronto no qual a jornalista palestino-americana Shireen Abu Akleh foi morta por tropas israelenses. As Forças de Defesa de Israel concluíram que um soldado agiu após identificar erroneamente a jornalista como ameaça. Em 2025, o Exército israelense afirmou que Samoudi teria ligações com o grupo militante Jihad Islâmica Palestina e suspeitas de transferência de fundos para a organização, alegação que ele negou e afirmou nunca ter sido questionado a respeito.

Atualmente, 33 jornalistas palestinos estão detidos em Israel, a maioria sob detenção administrativa. Em 2025, apenas China e Mianmar mantiveram mais profissionais da imprensa presos, segundo o Comitê para a Proteção dos Jornalistas. Israel rejeita as acusações de que mira deliberadamente jornalistas, argumentando que muitos dos mortos são combatentes ou associados a grupos terroristas, posição respaldada por documentos militares que indicam vínculos entre jornalistas e organizações como Hamas e Jihad Islâmica.

Sob o direito internacional humanitário, jornalistas têm proteção enquanto não participam diretamente de hostilidades. Samoudi declarou que, apesar do medo de ser preso novamente, continuará seu trabalho jornalístico, que considera sua missão de vida.

A situação descrita por Samoudi evidencia as tensões persistentes entre Israel e a população palestina, especialmente no que diz respeito à liberdade de imprensa e aos direitos humanos dentro do sistema prisional israelense. O uso da detenção administrativa, aliado a relatos de maus-tratos e negligência, pode intensificar críticas internacionais e pressionar por reformas legais e humanitárias.

No cenário estratégico, a manutenção dessas práticas pode alimentar ressentimentos e dificultar esforços de diálogo entre as partes. A comunidade internacional poderá aumentar a vigilância sobre as condições dos presos palestinos, o que pode influenciar as relações diplomáticas de Israel, especialmente com países e organizações que defendem direitos humanos. A continuidade da detenção administrativa e as alegações de abuso também podem impactar a percepção global sobre o conflito israelo-palestino, influenciando debates em fóruns multilaterais e possíveis negociações futuras.