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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Juiz federal bloqueia intimações do Departamento de Justiça dos EUA contra presidente do Fed

Juiz federal dos EUA bloqueia intimações do Departamento de Justiça contra Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, em investigação que pode pressionar redução das taxas de juros. Decisão reforça independência do Fed e complica nomeação de novo presidente.

Juiz federal bloqueia intimações do Departamento de Justiça dos EUA contra presidente do Fed

Um juiz federal dos Estados Unidos, James Boasberg, anulou as intimações emitidas pelo Departamento de Justiça contra Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, conforme documentos judiciais divulgados recentemente. A decisão representa um revés significativo para o governo do presidente Donald Trump, que vinha pressionando Powell para reduzir as taxas de juros.

As intimações, emitidas em janeiro, estavam relacionadas ao depoimento de Powell perante o Comitê Bancário do Senado em junho de 2025, no qual ele foi questionado sobre os custos excessivos das reformas no prédio do Fed. O orçamento atualizado do projeto é de aproximadamente US$ 2,5 bilhões, um aumento de cerca de US$ 600 milhões em relação à estimativa de US$ 1,9 bilhão feita em 2022.

O juiz Boasberg destacou que o governo não apresentou evidências concretas que indicassem que Powell tivesse cometido algum crime. Ele qualificou a justificativa para as intimações como "fraca e infundada", sugerindo que o objetivo principal seria pressionar o presidente do Fed a reduzir as taxas de juros. Segundo o magistrado, há ampla evidência de que as intimações têm como finalidade principal constranger Powell a ceder às demandas do presidente Trump ou a renunciar, abrindo caminho para um novo presidente do Fed alinhado com as expectativas do governo.

Após o recebimento das intimações, Powell divulgou uma declaração em vídeo, afirmando que a ameaça de acusações criminais era uma tentativa de minar a independência do Fed na definição da política monetária. A decisão do juiz impede que a procuradora-geral Jeanine Pirro, responsável pela emissão das intimações, obtenha documentos do Fed relacionados às reformas do edifício. Pirro criticou a decisão e anunciou a intenção de recorrer.

O recurso planejado pela procuradora-geral pode atrasar ainda mais a análise pelo Senado da indicação de Kevin Warsh, nomeado por Trump para substituir Powell após o término do seu mandato em 15 de maio. Caso nenhum sucessor seja confirmado, Powell pode continuar como membro do Conselho de Governadores do Fed, mesmo após o fim de seu mandato como presidente.

Essa disputa judicial e política ocorre em um momento delicado para a política monetária dos EUA, com tensões entre o Executivo e o banco central sobre a condução das taxas de juros, que impactam diretamente a economia nacional e global. A independência do Federal Reserve é um princípio fundamental para a estabilidade econômica, e o episódio evidencia os desafios institucionais quando interesses políticos tentam influenciar decisões técnicas.

No cenário futuro, o recurso da procuradora-geral pode prolongar a incerteza sobre a liderança do Fed e a direção da política monetária americana. Caso a pressão política persista, pode haver riscos para a credibilidade do banco central, afetando a confiança dos mercados financeiros. Por outro lado, a manutenção da independência do Fed reforça a previsibilidade e a estabilidade das decisões econômicas, essenciais para o controle da inflação e o crescimento sustentável.

Assim, o desenrolar desse conflito judicial e político será crucial para o ambiente econômico dos EUA e para a percepção internacional sobre a autonomia das instituições financeiras americanas. A nomeação de um novo presidente para o Fed, ou a permanência de Powell, terá impactos diretos nas estratégias de política monetária e na resposta a desafios econômicos futuros.