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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Juiz federal bloqueia taxa de US$ 100 mil para vistos de trabalhadores estrangeiros nos EUA

Juiz federal dos EUA bloqueia taxa de US$ 100 mil para vistos H-1B de trabalhadores estrangeiros, decisão que mantém programa sem custos extras para empregadores.

Juiz federal bloqueia taxa de US$ 100 mil para vistos de trabalhadores estrangeiros nos EUA

Um juiz federal dos Estados Unidos suspendeu a cobrança de uma taxa de US$ 100 mil imposta pelo governo Trump sobre novos pedidos de vistos H-1B para trabalhadores estrangeiros qualificados. A decisão judicial determinou que a Casa Branca não possui autoridade para estabelecer essa taxa sem a aprovação do Congresso americano.

O programa de vistos H-1B permite que empregadores norte-americanos contratem especialistas estrangeiros para atuar no país por até seis anos. O número anual de vistos concedidos está limitado a 65 mil, com uma cota adicional de 20 mil para candidatos com diplomas avançados. Grandes empresas de tecnologia são algumas das principais usuárias desse sistema.

A administração Trump justificou a criação da taxa afirmando que o programa estava sendo utilizado de forma indevida por companhias que buscavam substituir trabalhadores americanos por mão de obra estrangeira mais barata. Em setembro, o presidente determinou a cobrança do adicional de US$ 100 mil para novas solicitações, alegando que a medida protegeria empregos nos EUA e garantiria a segurança nacional.

Na última segunda-feira, o juiz Leo Sorokin, da Corte Distrital dos EUA, deu ganho de causa a um grupo de 20 estados que contestava a validade da taxa. Segundo o magistrado, o pagamento equivale a um imposto, independentemente da nomenclatura adotada, e a administração não tem competência legal para instituí-lo sem o aval do Legislativo.

O Departamento de Segurança Interna dos EUA criticou a decisão judicial, classificando-a como ativismo judicial e reafirmou que a taxa tinha o objetivo de proteger os trabalhadores americanos e evitar abusos nos programas de vistos baseados em emprego.

A ação judicial foi liderada pelo estado da Califórnia e contou com o apoio de outros estados que argumentaram que a taxa seria ilegal e prejudicaria instituições públicas como escolas, universidades e hospitais que dependem de profissionais estrangeiros qualificados.

O programa H-1B é alvo de debates entre legisladores americanos há anos. Seus defensores destacam que ele é essencial para suprir a demanda por profissionais especializados em setores estratégicos. Por outro lado, críticos afirmam que o sistema permite que empresas e agências de recrutamento reduzam salários e prejudiquem trabalhadores locais.

Essa decisão judicial pode impactar o futuro das políticas migratórias relacionadas à mão de obra especializada nos EUA. A suspensão da taxa mantém o programa H-1B em sua forma tradicional, sem custos adicionais significativos para os empregadores.

Do ponto de vista estratégico, a manutenção do programa sem a taxa pode favorecer a competitividade das empresas americanas no setor tecnológico, que dependem de talentos estrangeiros para inovação e desenvolvimento. No entanto, o impasse judicial evidencia a tensão entre a necessidade de atrair profissionais qualificados e a pressão política para proteger o mercado de trabalho nacional.

Nos próximos meses, é provável que o governo busque alternativas legislativas para implementar medidas que restrinjam abusos no programa H-1B, possivelmente com negociações no Congresso para estabelecer novas regras ou taxas de forma legal. A controvérsia também pode influenciar o debate sobre imigração e políticas de emprego nos Estados Unidos, especialmente em um contexto de recuperação econômica e competição global por talentos.