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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Justiça dos EUA multa Meta em quase US$ 1 bilhão por danos a crianças

Juiz do Novo México condena Meta a pagar quase US$ 1 bilhão por danos a crianças e impõe mudanças nas redes sociais para proteção de menores.

Justiça dos EUA multa Meta em quase US$ 1 bilhão por danos a crianças

Um juiz do Novo México qualificou a Meta, empresa controladora do Facebook e Instagram, como uma "nuisance pública", termo jurídico que se refere a atividades que prejudicam a sociedade, comparando a companhia a uma fábrica poluente. A decisão judicial determina que a Meta deve criar um fundo de mitigação e implementar mudanças significativas em suas plataformas devido a danos causados a crianças.

O magistrado Bryan Biedscheid ordenou que a Meta pague uma multa adicional de US$ 567 milhões, elevando o total das penalidades para US$ 942 milhões, considerando um julgamento anterior de US$ 375 milhões ocorrido em março. Esta é a primeira vez que uma empresa de redes sociais é considerada uma nuisance pública, conceito tradicionalmente aplicado a problemas como poluição do ar, resíduos tóxicos ou contaminação da água.

De acordo com o juiz, os efeitos nocivos das plataformas da Meta sobre crianças ultrapassam os limites digitais, afetando o direito público a um ambiente saudável, semelhante aos danos causados pela poluição industrial. O processo judicial foi iniciado em 2023 pelo estado do Novo México, que acusou a empresa de expor menores a conteúdos sexualmente explícitos, predadores sexuais e mecanismos de vício nas redes sociais.

O juiz citou evidências do agravamento da crise de saúde mental entre jovens no estado, com aumento nos índices de depressão, transtornos alimentares e suicídio entre adolescentes. Como parte da sentença, a Meta deverá estabelecer um fundo de US$ 420 milhões para programas clínicos e comportamentais voltados à mitigação desses danos.

Além da multa, a decisão impõe diversas medidas para proteger menores de idade. Entre as exigências estão a proibição de adultos enviarem mensagens para menores, a suspensão da recomendação de contas de menores para adultos, a remoção da contagem pública de "curtidas" para usuários abaixo de 18 anos, a limitação de notificações durante a noite e em horários escolares, a imposição de um limite mensal de uso para menores nas plataformas Facebook e Instagram, e a exclusão de contas de usuários com menos de 13 anos, incluindo a eliminação de seus dados pessoais.

A Meta declarou discordar da decisão e anunciou que irá recorrer. Esta sentença ocorre em um contexto global de aumento da regulação e restrições ao uso de redes sociais por crianças. Países como Austrália, França e Reino Unido adotaram medidas para elevar a idade mínima para criação de contas e reforçar regras de verificação e segurança online para menores.

Além do processo no Novo México, a Meta enfrenta milhares de ações judiciais nos Estados Unidos que alegam que suas plataformas prejudicam a saúde mental de crianças ou falham na proteção de menores.

A decisão judicial representa um marco na responsabilização legal das redes sociais por impactos sociais e de saúde pública, especialmente no que diz respeito à proteção de crianças e adolescentes. A imposição de multas bilionárias e a exigência de mudanças estruturais nas plataformas indicam uma tendência crescente de maior controle estatal sobre o setor digital.

No cenário estratégico, a sentença pode estimular outras jurisdições a adotarem medidas semelhantes, pressionando empresas de tecnologia a revisarem seus modelos de negócios e políticas de segurança. A Meta, por sua vez, terá que equilibrar a implementação das mudanças exigidas com a manutenção do engajamento dos usuários, o que pode afetar suas receitas e estratégias globais.

O caso também reforça o debate sobre o papel das redes sociais na saúde mental dos jovens e a responsabilidade das empresas em moderar conteúdos e funcionalidades potencialmente nocivas. A decisão pode servir como precedente para futuras ações legais e regulações internacionais, influenciando a forma como plataformas digitais operam e são fiscalizadas.

Espera-se que o recurso da Meta traga novos desdobramentos jurídicos, e que o caso sirva de alerta para outras companhias do setor, evidenciando a importância de políticas robustas de proteção a menores e de transparência no uso de dados e algoritmos.