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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Líder da oposição sul-africana Julius Malema é condenado a cinco anos de prisão por disparo de arma de fogo

Julius Malema, líder do EFF na África do Sul, foi condenado a cinco anos de prisão por posse ilegal e disparo de arma em público. Ele poderá recorrer da sentença e não foi preso imediatamente. O caso remete a um incidente de 2018 e destaca tensões políticas e raciais no país.

Líder da oposição sul-africana Julius Malema é condenado a cinco anos de prisão por disparo de arma de fogo

Julius Malema, líder do partido de oposição Economic Freedom Fighters (EFF) e membro do Parlamento da África do Sul, foi condenado a cinco anos de prisão por posse ilegal de arma de fogo e por disparar um rifle em público. A sentença foi proferida pela magistrada Twanet Olivier, que, no entanto, permitiu que Malema recorresse da decisão antes de iniciar o cumprimento da pena. Dessa forma, o político não foi preso imediatamente.

O caso remonta a um incidente ocorrido em 2018, durante as comemorações do quinto aniversário do EFF na província do Cabo Oriental. Vídeos divulgados na época mostraram Malema disparando várias vezes para o alto com um rifle semiautomático. Durante o julgamento realizado na cidade de KuGompo, nome atual de East London, o líder político afirmou que os tiros foram efetuados em celebração.

Apesar da justificativa, a magistrada considerou que o ato não foi impulsivo, mas sim o evento principal da noite. Em sua decisão, Olivier ressaltou que a influência política de Malema não interferiu em seu julgamento, mas destacou que, devido à grande base de seguidores do político, ele deve ser responsabilizado por suas ações.

Após a leitura da sentença, Malema demonstrou pouca emoção e, ao se dirigir aos apoiadores fora do tribunal, acusou, sem apresentar provas, que a condenação seria fruto de uma conspiração para silenciar sua voz política. Ele afirmou que a luta contra o que chama de supremacia branca continuará e que não recuará diante das adversidades.

Malema é conhecido por sua postura radical e discurso contundente na política sul-africana. Ex-líder da ala jovem do Congresso Nacional Africano (ANC), foi expulso do partido após divergências com o então presidente Jacob Zuma. Posteriormente, fundou o EFF, que defende a expropriação de terras sem indenização e a redistribuição de riquezas para a população negra. Nas eleições de 2024, o EFF consolidou-se como a quarta maior força política do país.

A condenação decorre de uma série de acusações feitas contra Malema no ano anterior, incluindo posse ilegal de arma, disparo em público e colocação de terceiros em perigo. O processo foi iniciado após o grupo Afrikaner AfriForum registrar queixa contra o político, após a viralização do vídeo dos disparos. AfriForum também esteve envolvido em outra condenação de Malema por discurso de ódio, relacionada a declarações feitas em 2022.

Naquela ocasião, Malema foi considerado culpado por incitar violência ao dizer que "uma revolução exige que, em algum momento, haja mortes". A corte de igualdade entendeu que tais palavras indicavam intenção de incitar danos, embora o EFF alegue que foram retiradas de contexto.

Além disso, Malema enfrenta críticas por liderar cânticos controversos em seus comícios, incluindo a frase "atire no Boer, atire no fazendeiro", que remete ao período de luta contra o regime de minoria branca. O tema chegou a ser discutido em nível diplomático, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mencionando-o em encontro com o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa.

Tentativas de banir a canção foram rejeitadas pela Suprema Corte de Apelação da África do Sul, que entendeu que uma pessoa razoavelmente informada compreenderia que o conteúdo não deve ser interpretado literalmente, não configurando discurso de ódio.

A decisão judicial contra Malema representa um momento delicado para a política sul-africana, pois envolve um líder com grande influência e uma base popular significativa. O recurso apresentado poderá levar o caso até o Tribunal Constitucional, o que pode prolongar o processo e manter o debate público aceso.

Do ponto de vista estratégico, a condenação pode enfraquecer temporariamente a posição do EFF, especialmente se Malema for impedido de atuar politicamente durante o cumprimento da pena. No entanto, sua postura de resistência e a narrativa de perseguição podem fortalecer o apoio entre seus seguidores, alimentando tensões sociais e políticas.

O cenário futuro dependerá da condução do recurso e da reação dos diferentes atores políticos e sociais no país. A situação exige atenção para possíveis desdobramentos que possam impactar a estabilidade política e as relações raciais na África do Sul, especialmente em um contexto já marcado por desigualdades históricas e disputas por terra e recursos.