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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Líder indígena da Nicarágua morre após quase três anos preso sob regime de Ortega

Brooklyn Rivera, líder indígena da Nicarágua, morreu após quase três anos preso pelo governo de Ortega, agravando críticas internacionais à repressão política no país.

Líder indígena da Nicarágua morre após quase três anos preso sob regime de Ortega

Brooklyn Rivera, líder indígena da Nicarágua e fundador do movimento Yatama, faleceu após permanecer detido por quase três anos pelo governo do presidente Daniel Ortega. A morte foi atribuída a um agravamento físico e neurológico decorrente de uma infecção por Covid-19, conforme comunicado divulgado pelo Ministério da Saúde da Nicarágua. O governo demorou cerca de 15 horas para confirmar o falecimento e, até o momento, não liberou o corpo para a família, segundo relatos da oposição.

Rivera, com 73 anos, foi detido de forma arbitrária em setembro de 2023, quando retornava ao país. Ele era uma figura histórica na luta pela autonomia dos povos indígenas na Nicarágua e, durante a década de 1980, participou de uma milícia indígena que se opôs ao governo sandinista, alinhando-se aos Contras.

O regime de Ortega, frequentemente acusado de repressão política, reconheceu a detenção de Rivera somente após pressão internacional, mais de um ano depois do início da prisão. Até recentemente, pouco se sabia sobre seu estado de saúde, até que o governo informou que ele estava hospitalizado em Manágua desde o início de março, apresentando condições graves como edema cerebral, infecção respiratória e insuficiência renal.

Imagens divulgadas pelo Ministério da Saúde mostraram Rivera em estado debilitado, conectado a um ventilador mecânico por meio de uma traqueostomia. A notícia sobre seu estado crítico reacendeu pedidos pela sua libertação, com críticas internacionais à forma como o governo tratou o líder indígena.

O Departamento de Estado dos EUA classificou a prisão de Rivera como injusta e acusou o governo nicaraguense de tentar encobrir sua responsabilidade no tratamento cruel e nas condições que levaram à deterioração da saúde do detido. Organizações como a Anistia Internacional também exigiram sua liberação imediata, destacando o risco extremo a que ele foi submetido.

Ao anunciar a morte, o Ministério da Saúde afirmou que Rivera estava acompanhado por familiares próximos. A transferência para outro hospital foi descartada devido ao seu estado grave. A notícia gerou ampla condenação, incluindo declarações de ativistas de direitos humanos como Bianca Jagger, que responsabilizou o regime pela morte do líder.

A Associação de Juventude Indígena da Moskitia, região natal de Rivera, expressou indignação pelo tratamento desumano sofrido por ele nos últimos anos. A organização ressaltou que manter uma pessoa idosa presa por tanto tempo, sem garantias legais e em condições que prejudicam sua saúde física e emocional, é um grave atentado aos direitos humanos.

O Centro Interamericano de Assistência Legal para Direitos Humanos, sediado na Argentina, também repudiou o falecimento e pediu que os responsáveis sejam responsabilizados criminalmente. Brooklyn Rivera teve uma trajetória política significativa, tendo sido deputado por quatro mandatos e ministro do desenvolvimento autônomo na década de 1990. Seu partido, Yatama, chegou a apoiar Ortega após seu retorno ao poder em 2007, mas foi proibido de participar das eleições após a detenção de Rivera.

Desde que Ortega e sua esposa, Rosario Murillo, reassumiram o controle do país, o regime tem adotado medidas autoritárias, incluindo repressão violenta a opositores e controle da mídia. A morte de Rivera ocorre em um contexto de crescente repressão política e restrições às liberdades civis na Nicarágua.

Este episódio reforça as críticas internacionais ao governo nicaraguense e pode intensificar a pressão diplomática sobre Ortega. A continuidade da repressão e a falta de transparência nas condições dos presos políticos podem gerar mais isolamento internacional e afetar as relações bilaterais, especialmente com países que defendem direitos humanos.

No cenário interno, a morte de um líder indígena de destaque pode aumentar o descontentamento entre comunidades tradicionais e grupos opositores, potencialmente ampliando a resistência contra o regime. A expectativa é que organizações internacionais e governos monitorem de perto os desdobramentos e cobrem maior respeito às garantias legais e humanitárias no país.