Durante a cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (SCO) realizada em Bishkek, capital do Quirguistão, os líderes dos países membros emitiram uma declaração conjunta condenando os ataques militares e as sanções impostas contra o Irã. O documento, denominado Declaração de Bishkek, foi assinado por presidentes e primeiros-ministros de nações como China, Rússia, Índia, Paquistão, Irã, Belarus, Uzbequistão, Cazaquistão, Tajiquistão e Quirguistão.
A declaração expressa repúdio às ações militares dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, destacando que tais ataques violam princípios do direito internacional e da Carta das Nações Unidas, além de ameaçar a paz e a estabilidade globais. O texto também manifesta condolências pelo falecimento do líder supremo iraniano Seyyed Ali Khamenei e pelas vítimas dos ataques.
Além disso, os membros da SCO reafirmaram seu apoio à soberania e integridade territorial do Irã, defendendo a resolução dos conflitos por meios políticos e diplomáticos. A declaração também mencionou a instabilidade causada pelos ataques israelenses à Palestina, ressaltando que a solução para a paz no Oriente Médio passa por um acordo justo sobre a questão palestina.
No âmbito das sanções, a SCO criticou medidas coercitivas unilaterais que contrariem as regras da ONU e da Organização Mundial do Comércio, alertando para seus impactos negativos na economia global. O grupo também reafirmou o direito do Irã, como signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), de desenvolver energia nuclear para fins pacíficos, condenando qualquer restrição a esse direito.
A cooperação econômica e energética foi outro ponto central da cúpula. Os membros destacaram a importância de fortalecer um sistema multilateral de comércio aberto e justo, além de implementar estratégias conjuntas para o desenvolvimento econômico até 2030. Também foi enfatizado o apoio à expansão da cooperação energética inclusiva e mutuamente benéfica entre os países do bloco.
No tema da segurança, Índia e Paquistão mantiveram posições divergentes sobre o combate ao terrorismo, com acusações mútuas de apoio a grupos armados. O primeiro-ministro indiano Narendra Modi pediu a eliminação do financiamento e abrigo a terroristas, enquanto o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif ressaltou os sacrifícios de seu país na luta contra o terrorismo. A declaração final da SCO condenou o terrorismo em todas as suas formas e rejeitou a aplicação de padrões duplos na luta contra o fenômeno.
A cúpula da SCO reforça o papel do grupo como fórum para diálogo político, cooperação econômica e segurança regional, especialmente em um contexto marcado por tensões no Oriente Médio e desafios globais relacionados a sanções e conflitos militares.