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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Macron e Starmer reúnem aliados para cúpula sobre segurança marítima no Estreito de Hormuz

França e Reino Unido lideram cúpula com dezenas de países para discutir força multinacional que garanta segurança no Estreito de Hormuz após conflito entre EUA, Israel e Irã. Estados Unidos não participam das negociações. A iniciativa visa reabrir rota vital para o petróleo mundial e conter impactos econômicos globais.

Macron e Starmer reúnem aliados para cúpula sobre segurança marítima no Estreito de Hormuz

Na última sexta-feira, 17 de abril de 2026, o Palácio do Eliseu, em Paris, sediou uma conferência internacional destinada a discutir a segurança da navegação no Estreito de Hormuz. O encontro foi presidido pelo presidente francês Emmanuel Macron e pelo primeiro-ministro britânico Keir Starmer, reunindo entre 30 e 40 países, presencialmente e por videoconferência. Entre os participantes presenciais estavam também o chanceler alemão Friedrich Merz e a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, embora a lista completa dos convidados não tenha sido divulgada.

O foco principal da reunião foi a iniciativa denominada oficialmente como Iniciativa para a Liberdade de Navegação Marítima no Estreito de Hormuz, que visa estabelecer uma força marítima multinacional com o propósito de garantir a passagem segura e livre pelo estreito após o estabelecimento de um cessar-fogo duradouro no conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, o Estreito de Hormuz está bloqueado por uma ação iraniana, que impôs uma interrupção no tráfego marítimo. Este ponto estratégico é crucial, pois cerca de 20% do petróleo mundial normalmente transita por ali. Além disso, os Estados Unidos intensificaram a situação ao aplicar um bloqueio próprio nos portos iranianos, agravando a crise.

Líderes europeus expressaram preocupação com os impactos econômicos e sociais decorrentes da interrupção no estreito. Entre os efeitos estão a pressão inflacionária global, riscos de escassez alimentar e cancelamentos de voos devido à falta de combustível para aviação. Estima-se que mais de 20 mil tripulantes estejam retidos a bordo de centenas de navios afetados pela situação.

Antes da reunião, Keir Starmer destacou a responsabilidade global pela reabertura incondicional e imediata do estreito, acusando o Irã de usar a situação para pressionar a economia mundial. O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, ressaltou que as consequências econômicas da interrupção são significativas para cidadãos e empresas francesas.

A proposta europeia para a força multinacional segue um modelo semelhante ao adotado em iniciativas anteriores, como a montagem de uma força de segurança para a Ucrânia. A operação será estritamente defensiva e só poderá ser implementada após o fim do conflito e mediante condições de segurança favoráveis. Um representante presidencial francês indicou que será necessário obter compromissos claros do Irã para não atacar navios em trânsito, bem como garantias dos Estados Unidos para não bloquearem embarcações que entrem ou saiam do Estreito de Hormuz.

A ausência dos Estados Unidos nas negociações foi uma decisão intencional. Macron afirmou que a missão terá caráter estritamente defensivo e será limitada a países não beligerantes. A iniciativa surge em parte como resposta às críticas do ex-presidente Donald Trump, que acusou aliados europeus de não participarem da guerra e chegou a desmerecer a capacidade naval do Reino Unido.

No campo militar, já há movimentações para a operacionalização da força. O Reino Unido planeja o uso de drones para detecção e remoção de minas marítimas a partir do navio RFA Lyme Bay. A França deslocou para a região seu porta-aviões nuclear, acompanhado de um navio de transporte de helicópteros e várias fragatas. Contudo, um porta-voz militar francês alertou que a missão ainda está em fase de planejamento e construção.

A crise no Estreito de Hormuz representa um desafio significativo para a segurança energética global e para a estabilidade das rotas comerciais internacionais. A criação de uma força multinacional para garantir a livre navegação pode contribuir para reduzir tensões e evitar impactos econômicos mais severos, desde que haja cooperação efetiva entre as partes envolvidas e respeito aos compromissos firmados. No entanto, a ausência dos Estados Unidos nas negociações pode limitar o alcance e a eficácia da iniciativa, especialmente considerando o papel americano na região e no conflito.

Os próximos passos deverão incluir negociações diplomáticas para assegurar os compromissos necessários do Irã e dos Estados Unidos, além do desenvolvimento logístico e operacional da força marítima proposta. A evolução do conflito e a disposição das partes em respeitar um cessar-fogo serão determinantes para a implementação da iniciativa e para a restauração da segurança no Estreito de Hormuz.