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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Maioria dos alemães expressa insatisfação com governo Merz, aponta pesquisa

Pesquisa aponta que 79% dos alemães estão insatisfeitos com o governo Merz. Em cenário eleitoral hipotético, a AfD lidera com 27% dos votos, enquanto CDU/CSU e SPD registram suas piores performances em anos. AfD cresce em regiões fora de sua base tradicional, refletindo mudanças no panorama político alemão.

Maioria dos alemães expressa insatisfação com governo Merz, aponta pesquisa

Uma pesquisa recente realizada pela YouGov indica que a maior parte da população alemã está insatisfeita com o governo do chanceler Friedrich Merz. Desde que assumiu o cargo em maio do ano passado, a coalizão liderada por Merz, composta pela União Democrata-Cristã (CDU/CSU) e pelo Partido Social-Democrata (SPD), tem enfrentado queda constante em sua aprovação. O levantamento, realizado entre os dias 10 e 13 de abril com 1.763 participantes, revelou que 79% dos entrevistados desaprovam a atuação do governo, um aumento de 5 pontos percentuais em relação a março e 24 pontos desde junho do ano anterior.

A insatisfação é particularmente acentuada entre os eleitores da CDU/CSU, com apenas 34% demonstrando aprovação à coalizão no meio de abril. O declínio da popularidade do governo está associado à percepção de que Merz não conseguiu reverter a desaceleração econômica do país nem cumprir as promessas feitas durante a campanha eleitoral.

No cenário eleitoral hipotético, caso uma eleição geral tivesse ocorrido no último domingo, o partido de oposição de direita Alternativa para a Alemanha (AfD) teria obtido a vitória com 27% dos votos, segundo a pesquisa. Este é o primeiro momento desde setembro de 2025 em que a AfD aparece como a força política mais popular no país.

Em contrapartida, a CDU/CSU registrou seu pior desempenho desde dezembro de 2021, alcançando apenas 23% das intenções de voto. O SPD também sofreu queda significativa, caindo para 13%, sua pior marca desde dezembro de 2019.

Recentemente, a AfD ampliou sua influência em estados do oeste alemão, como Renânia-Palatinado e Baden-Württemberg, regiões tradicionalmente fora de sua base no leste do país. Nas eleições gerais de 2025, o partido conquistou 20% dos votos, consolidando-se como a principal força de oposição desde então.

A AfD tem pautado sua campanha em posições contrárias à imigração, além de se opor às sanções impostas pela Alemanha contra a Rússia e ao apoio alemão à Ucrânia. O partido também critica a decisão de Berlim de se desvincular do fornecimento de energia russa, considerada mais acessível.

Essa mudança no cenário político alemão reflete um aumento da polarização e da insatisfação popular em relação às políticas econômicas e externas do governo atual. O fortalecimento da AfD, especialmente em regiões fora de sua base tradicional, pode indicar uma reconfiguração do mapa político nacional.

Do ponto de vista estratégico, o crescimento da AfD pode impactar a estabilidade política interna da Alemanha, um dos principais atores da União Europeia. Caso o partido mantenha ou amplie seu apoio, poderá influenciar debates sobre políticas migratórias, relações exteriores e energia, potencialmente dificultando a governabilidade da coalizão atual.

Além disso, a insatisfação generalizada com o governo Merz pode levar a uma maior volatilidade nas próximas eleições, abrindo espaço para mudanças significativas na composição do Bundestag. O governo terá que enfrentar o desafio de reconquistar a confiança da população, especialmente diante de questões econômicas e geopolíticas complexas que afetam o país e a região.