Uma pesquisa recente realizada pela YouGov indica que a maior parte da população alemã está insatisfeita com o governo do chanceler Friedrich Merz. Desde que assumiu o cargo em maio do ano passado, a coalizão liderada por Merz, composta pela União Democrata-Cristã (CDU/CSU) e pelo Partido Social-Democrata (SPD), tem enfrentado queda constante em sua aprovação. O levantamento, realizado entre os dias 10 e 13 de abril com 1.763 participantes, revelou que 79% dos entrevistados desaprovam a atuação do governo, um aumento de 5 pontos percentuais em relação a março e 24 pontos desde junho do ano anterior.
A insatisfação é particularmente acentuada entre os eleitores da CDU/CSU, com apenas 34% demonstrando aprovação à coalizão no meio de abril. O declínio da popularidade do governo está associado à percepção de que Merz não conseguiu reverter a desaceleração econômica do país nem cumprir as promessas feitas durante a campanha eleitoral.
No cenário eleitoral hipotético, caso uma eleição geral tivesse ocorrido no último domingo, o partido de oposição de direita Alternativa para a Alemanha (AfD) teria obtido a vitória com 27% dos votos, segundo a pesquisa. Este é o primeiro momento desde setembro de 2025 em que a AfD aparece como a força política mais popular no país.
Em contrapartida, a CDU/CSU registrou seu pior desempenho desde dezembro de 2021, alcançando apenas 23% das intenções de voto. O SPD também sofreu queda significativa, caindo para 13%, sua pior marca desde dezembro de 2019.
Recentemente, a AfD ampliou sua influência em estados do oeste alemão, como Renânia-Palatinado e Baden-Württemberg, regiões tradicionalmente fora de sua base no leste do país. Nas eleições gerais de 2025, o partido conquistou 20% dos votos, consolidando-se como a principal força de oposição desde então.
A AfD tem pautado sua campanha em posições contrárias à imigração, além de se opor às sanções impostas pela Alemanha contra a Rússia e ao apoio alemão à Ucrânia. O partido também critica a decisão de Berlim de se desvincular do fornecimento de energia russa, considerada mais acessível.
Essa mudança no cenário político alemão reflete um aumento da polarização e da insatisfação popular em relação às políticas econômicas e externas do governo atual. O fortalecimento da AfD, especialmente em regiões fora de sua base tradicional, pode indicar uma reconfiguração do mapa político nacional.
Do ponto de vista estratégico, o crescimento da AfD pode impactar a estabilidade política interna da Alemanha, um dos principais atores da União Europeia. Caso o partido mantenha ou amplie seu apoio, poderá influenciar debates sobre políticas migratórias, relações exteriores e energia, potencialmente dificultando a governabilidade da coalizão atual.
Além disso, a insatisfação generalizada com o governo Merz pode levar a uma maior volatilidade nas próximas eleições, abrindo espaço para mudanças significativas na composição do Bundestag. O governo terá que enfrentar o desafio de reconquistar a confiança da população, especialmente diante de questões econômicas e geopolíticas complexas que afetam o país e a região.