Na manhã de 23 de abril de 2026, um grupo de mais de 250 membros da comunidade Bnei Menashe desembarcou no Aeroporto Ben Gurion, em Israel, dando início a uma operação governamental para trazer cerca de 4.600 integrantes dessa comunidade do estado de Manipur, no nordeste da Índia, ao país. Essa é a primeira leva desde que o governo israelense anunciou, em novembro do ano anterior, o financiamento para a imigração desse grupo, que alega descendência da tribo bíblica de Manassés, uma das chamadas Tribos Perdidas de Israel exiladas pelos assírios em 720 a.C.
Os imigrantes foram recebidos com uma cerimônia simbólica, passando sob um arco de balões nas cores azul e branco, representando a bandeira israelense, enquanto dezenas de pessoas entoavam canções tradicionais judaicas em sua homenagem. O ambiente foi marcado por emoção e reencontros, como o de Dagan Zolat, que vive em Israel há duas décadas e encontrou um amigo de infância entre os recém-chegados, reforçando os laços históricos e culturais da comunidade.
Desde os anos 1990, aproximadamente 4.000 Bnei Menashe já haviam imigrado para Israel, enquanto cerca de 7.000 permanecem na Índia. A organização Shavei Israel, que trabalha para localizar descendentes das Tribos Perdidas, destaca que a comunidade mantém uma tradição oral que narra uma longa jornada migratória por regiões como Pérsia, Afeganistão, Tibete e China, preservando práticas religiosas judaicas, como a circuncisão. No entanto, durante o século XIX, muitos foram convertidos ao cristianismo por missionários.
Os imigrantes que chegaram nesta etapa serão assentados no norte de Israel e precisarão passar por um processo formal de conversão para obter a cidadania israelense, conforme determina o Ministério da Absorção. O ministro da Imigração, Ofir Sofer, presente na recepção, qualificou o evento como um momento histórico e afirmou que a operação prevê a chegada de cerca de 1.200 membros da comunidade por ano.
Manipur, região de origem dos Bnei Menashe, enfrenta conflitos interétnicos há quase três anos, envolvendo a maioria hindu Meitei e a minoria cristã Kuki, com mais de 250 mortos registrados. Esses episódios de violência podem influenciar a decisão de muitos membros da comunidade em buscar uma nova vida em Israel.
Dados recentes do Escritório Central de Estatísticas de Israel indicam que, desde abril de 2025, mais de 18 mil judeus imigraram ao país, representando uma queda de 18% em relação ao ano anterior. Essa redução é atribuída principalmente à diminuição do número de imigrantes provenientes da Rússia, após um aumento significativo no fluxo motivado pela guerra entre Rússia e Ucrânia iniciada em 2022.
A chegada dos Bnei Menashe reforça a diversidade da diáspora judaica e a política israelense de acolhimento das comunidades que reivindicam raízes judaicas históricas. A operação também destaca desafios de integração cultural e religiosa, uma vez que os recém-chegados precisarão se adaptar à sociedade israelense e concluir processos legais para sua naturalização.
Do ponto de vista estratégico, essa iniciativa pode fortalecer os laços entre Israel e a Índia, país de origem dos Bnei Menashe, ampliando a cooperação bilateral em áreas como cultura e segurança. Além disso, a absorção desses imigrantes pode contribuir para o desenvolvimento demográfico e econômico das regiões do norte de Israel, onde eles serão assentados.
No entanto, o processo de integração exigirá esforços contínuos do governo israelense para garantir o suporte social, educacional e religioso adequado, minimizando possíveis tensões internas e promovendo a coesão social. A continuidade da imigração planejada para os próximos anos dependerá da estabilidade política e social em Manipur, bem como da capacidade de Israel em absorver novos imigrantes sem comprometer seus recursos.
Em resumo, a chegada dos primeiros Bnei Menashe representa um marco significativo na política migratória israelense e na preservação das tradições judaicas globais, ao mesmo tempo em que impõe desafios práticos e estratégicos para o futuro da comunidade e do próprio Estado de Israel.