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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Meta e Google são responsabilizadas em julgamento histórico sobre vício em redes sociais

Meta e Google foram consideradas responsáveis por vício em redes sociais que afetou a saúde mental de uma jovem. Júri de Los Angeles determinou indenização de US$ 3 milhões e pode aumentar danos punitivos. Decisão histórica pode abrir precedentes para casos similares nos EUA.

Meta e Google são responsabilizadas em julgamento histórico sobre vício em redes sociais

Um júri em Los Angeles proferiu uma decisão inédita em um processo judicial contra Meta e Google, responsabilizando as empresas pelo vício em redes sociais que afetou a saúde mental de uma jovem de 20 anos. A autora do processo, identificada como Kaley, alegou que desde a infância foi impactada negativamente pelo uso das plataformas Instagram, Facebook, WhatsApp e YouTube, pertencentes às duas companhias. O júri concluiu que Meta, dona do Instagram, Facebook e WhatsApp, foi responsável em 70% pelos danos sofridos pela jovem, enquanto o Google, proprietário do YouTube, teve 30% de culpa, o que implica que Meta deverá arcar com a maior parte da indenização de 3 milhões de dólares concedida à autora. Além disso, o tribunal ainda definirá o valor dos danos punitivos, que podem chegar a até 30 milhões de dólares conforme a legislação estadual.

Durante o julgamento, os advogados de Meta defenderam que, embora Kaley tenha enfrentado dificuldades pessoais, o uso do Instagram não foi a causa ou um fator significativo para seus problemas. A empresa manifestou discordância com o veredito e informou que está avaliando suas opções legais. A decisão em Los Angeles ocorre logo após outro júri no Novo México responsabilizar a Meta por expor crianças a conteúdos sexualmente explícitos e contato com predadores em suas plataformas.

Nos depoimentos, Mark Zuckerberg, presidente e CEO da Meta, destacou a política da empresa que proíbe usuários com menos de 13 anos nas redes sociais, mas reconheceu que a companhia enfrentou dificuldades para identificar e impedir o acesso de crianças mais novas, apesar de pesquisas internas indicarem que elas utilizavam as plataformas. O foco do julgamento recaiu principalmente sobre o Instagram e a Meta, embora o Google também tenha sido réu. Inicialmente, Snap e TikTok também estavam envolvidos no processo, mas ambas as empresas chegaram a acordos confidenciais com a autora antes do início do julgamento.

Kaley relatou que começou a usar o Instagram aos nove anos e o YouTube aos seis, sem encontrar barreiras para o acesso devido à idade. Ela afirmou que o uso excessivo das redes sociais a afastou da convivência familiar e que, aos 10 anos, começou a manifestar sintomas de ansiedade e depressão, posteriormente diagnosticados por profissionais de saúde mental. A jovem também desenvolveu dismorfia corporal, condição caracterizada por uma preocupação excessiva com a aparência física, agravada pelo uso de filtros do Instagram que alteravam suas feições.

Os advogados de Kaley argumentaram que recursos como o 'scroll infinito' foram projetados para criar dependência, e que a Meta tinha interesse em atrair usuários jovens, pois eles tendem a permanecer mais tempo nas plataformas. Testemunhos de especialistas e ex-executivos da Meta sustentaram que a empresa buscava o engajamento prolongado dos jovens para impulsionar seu crescimento. Durante o julgamento, Adam Mosseri, chefe do Instagram, minimizou a alegação de vício, classificando o uso de até 16 horas diárias da plataforma por um adolescente como 'problemático', mas não como dependência.

O resultado do julgamento foi descrito pelos advogados de Kaley como um sinal claro de que nenhuma empresa está acima da responsabilidade quando se trata da proteção das crianças. Um novo processo envolvendo Meta e outras redes sociais está previsto para começar em junho na justiça federal da Califórnia.

Este veredito representa um marco na responsabilização das grandes empresas de tecnologia pelo impacto de suas plataformas na saúde mental dos usuários, especialmente crianças e adolescentes. A decisão pode abrir precedentes para centenas de casos semelhantes nos Estados Unidos, pressionando as empresas a adotarem medidas mais rigorosas para prevenir o uso indevido e o vício em suas redes. No cenário estratégico, espera-se que as companhias revisem suas políticas de moderação e desenvolvimento de produtos, enquanto legisladores e reguladores podem intensificar o escrutínio sobre o setor de mídias sociais, buscando equilibrar inovação tecnológica com proteção ao usuário.

O desdobramento desses processos judiciais poderá influenciar significativamente a forma como as plataformas digitais operam, especialmente no que diz respeito ao acesso de menores de idade e à implementação de mecanismos que limitem o uso excessivo. A pressão por maior transparência e responsabilidade corporativa tende a crescer, impactando não apenas as empresas envolvidas, mas todo o ecossistema digital global.