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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Meta é multada em US$ 567 milhões por falhas em segurança infantil nos EUA

Meta foi multada em US$ 567 milhões no Novo México por não proteger crianças de riscos em suas plataformas, totalizando US$ 942 milhões em multas por segurança infantil.

Meta é multada em US$ 567 milhões por falhas em segurança infantil nos EUA

Uma corte dos Estados Unidos, no estado do Novo México, determinou que a Meta, empresa controladora do Facebook, Instagram, WhatsApp e Threads, pague uma multa de US$ 567 milhões por não alertar adequadamente o público sobre os riscos que suas plataformas representam para crianças. Essa decisão representa a maior penalidade já aplicada contra a companhia em questões relacionadas à segurança infantil. O juiz Bryan Biedscheid classificou a Meta como uma "nuisance pública", comparando os danos causados pela empresa a uma poluição ambiental que precisa ser controlada. A multa soma-se aos US$ 375 milhões previamente estabelecidos em outra fase do processo, totalizando US$ 942 milhões em sanções contra a empresa.

O magistrado fez uma analogia entre a Meta e uma fábrica, onde a publicidade e o conteúdo são os produtos, enquanto os danos psicológicos e a exploração sexual de crianças representam a poluição gerada que deve ser mitigada. A decisão judicial obriga a Meta a criar um fundo destinado a reduzir os impactos futuros causados por suas plataformas, com a maior parte dos recursos, cerca de US$ 420 milhões, voltada para tratamentos clínicos e programas de saúde comportamental para vítimas dos efeitos das redes sociais.

Além disso, o tribunal impôs medidas para aumentar a proteção dos menores, como a proibição de recomendação de contas de usuários menores de 18 anos para adultos, a vedação de mensagens entre adultos e menores, a proibição do envio ou recebimento de conteúdo de nudez por usuários menores, e a implementação de uma política de "uma chance" para adultos envolvidos em exploração sexual infantil. Outras determinações incluem a eliminação da contagem de "likes" para menores, restrições de notificações push durante horários noturnos e escolares, e um limite obrigatório de uso mensal de 90 horas cumulativas nas plataformas Instagram e Facebook para usuários jovens.

O processo judicial teve início em 2023, quando o estado do Novo México moveu uma ação contra a Meta, alegando que seus algoritmos de recomendação direcionavam crianças para conteúdos prejudiciais e contatos perigosos. O juiz concluiu que os danos ultrapassam os limites das plataformas digitais, afetando a sociedade de forma ampla, incluindo famílias, escolas, hospitais e órgãos de segurança pública.

A Meta declarou discordar da decisão e anunciou que irá recorrer. A empresa ressaltou seus esforços para manter a segurança dos usuários e sua transparência sobre os desafios de identificar e remover conteúdos nocivos e usuários mal-intencionados. A companhia enfrenta milhares de processos semelhantes nos Estados Unidos, com outras ações em andamento em diferentes estados, incluindo uma ação coletiva de quase trinta procuradores-gerais contra a empresa por violação de leis de privacidade infantil.

Essa decisão marca um precedente importante ao reconhecer uma empresa de redes sociais como uma "nuisance pública", o que pode abrir caminho para novas ações regulatórias e jurídicas contra plataformas digitais que não adotem medidas eficazes para proteger menores. O fundo estabelecido pela multa deverá financiar não apenas tratamentos, mas também programas de conscientização e prevenção para educadores e profissionais de saúde.

No cenário estratégico, a penalização da Meta pode incentivar outras jurisdições a adotarem posturas mais rigorosas em relação à responsabilidade das redes sociais na proteção de crianças e adolescentes. A imposição de limites de uso e restrições específicas pode impactar o engajamento das plataformas entre os usuários mais jovens, forçando adaptações nos algoritmos e políticas internas. A continuidade das ações judiciais e regulatórias nos Estados Unidos sinaliza uma tendência de maior escrutínio sobre o papel das grandes empresas de tecnologia na segurança digital, o que pode repercutir em mudanças globais no setor.

Nos próximos meses, será importante acompanhar o andamento dos recursos da Meta e os desdobramentos das ações em outros estados, especialmente o julgamento previsto na Califórnia. A decisão também pode estimular a criação de legislações mais específicas para a proteção infantil no ambiente digital, além de pressionar as plataformas a investirem em tecnologias e políticas mais eficazes para mitigar riscos e danos a usuários vulneráveis.