O ministro da Fazenda da Rússia, Anton Siluanov, participou da cúpula do G20 realizada em Asheville, Carolina do Norte, nos Estados Unidos, apesar de estar sob sanções americanas desde abril de 2022. Sua presença no evento, a primeira em solo americano desde o início da guerra na Ucrânia, gerou desconforto entre aliados europeus de Kiev, que protestaram contra sua inclusão na tradicional foto oficial dos ministros das finanças do grupo. Siluanov, que ocupa o cargo desde 2011 e é considerado um dos membros mais próximos do presidente Vladimir Putin, não foi incluído na foto oficial após reclamações de países europeus aliados da Ucrânia.
Durante o encontro, Siluanov se reuniu com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, que reiterou a posição americana de manter as sanções contra a Rússia enquanto o conflito na Ucrânia persistir. Segundo fontes presentes, Bessent deixou claro que não haverá alívio econômico para a Rússia até o fim da guerra, interrompendo Siluanov quando este tentou discutir possíveis áreas de cooperação. O Ministério da Fazenda russo informou que o diálogo abordou a "cooperação russo-americana", mas não detalhou os resultados.
A presença de Siluanov provocou reações negativas entre representantes europeus. O ministro alemão das Finanças, Lars Klingbeil, classificou a recepção do ministro russo nos EUA como "preocupante" e pediu maior clareza por parte dos americanos sobre o tratamento dado ao representante russo. Valdis Dombrovskis, comissário europeu para a Economia, afirmou que o momento não é adequado para normalizar as relações com a Rússia, destacando as dificuldades em dialogar com um país em guerra que causa mortes civis diariamente.
O ministro das Finanças da Polônia, Andrzej Domański, também expressou insatisfação com a participação russa, embora reconheça o direito do país de ser convidado como membro do G20. A delegação americana justificou a presença de Siluanov afirmando que a Rússia é integrante do grupo e que o diálogo é importante mesmo em tempos de conflito. Erin Browne, subsecretária do Tesouro para assuntos internacionais, destacou que houve um diálogo construtivo durante as sessões plenárias.
Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, o país tem enfrentado isolamento político e econômico no Ocidente. Em abril daquele ano, representantes de vários países, incluindo a então secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, deixaram uma reunião do G20 em Washington quando Siluanov participou por videoconferência. A Rússia foi suspensa do G8 após a anexação da Crimeia em 2014, mas permanece como membro do G20.
A exclusão de Siluanov da foto oficial do G20 reflete as tensões diplomáticas em torno da guerra na Ucrânia e as divergências sobre o tratamento da Rússia em fóruns multilaterais. O episódio evidencia o equilíbrio delicado entre manter canais de diálogo e aplicar pressão econômica para buscar uma resolução ao conflito.
Até o momento, os ministérios das Finanças da Alemanha, Polônia, Itália, França e Reino Unido não se pronunciaram oficialmente sobre a participação do ministro russo na cúpula. O Ministério da Fazenda da Rússia também não comentou sobre a exclusão de Siluanov da foto oficial.