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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Navio de cruzeiro com surto de hantavírus tem permissão de atracação negada em Cabo Verde

Navio de cruzeiro com surto de hantavírus tem permissão negada para atracar em Cabo Verde; três mortes e casos graves são investigados, mas risco para o público é baixo.

Navio de cruzeiro com surto de hantavírus tem permissão de atracação negada em Cabo Verde

Um navio de cruzeiro envolvido em um surto fatal de hantavírus teve sua permissão para atracar negada no porto de Praia, em Cabo Verde. A embarcação, chamada Hondius, permanece com 149 pessoas a bordo, incluindo 17 americanos, e dois passageiros em estado grave. O vírus é suspeito de ter causado a morte de três pessoas e adoecido outras três, com um paciente internado em condição crítica. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que o risco para o público em geral é baixo, pois o hantavírus é raro em humanos e não se transmite facilmente.

Os passageiros, provenientes de 23 países, estão submetidos a medidas rigorosas de isolamento e monitoramento médico, conforme comunicado da empresa operadora do cruzeiro, Oceanwide Expeditions. Cabo Verde optou por não permitir o atracamento do navio como medida preventiva. A operadora informou que o Hondius poderá seguir viagem para as Ilhas Canárias, com destino a Las Palmas ou Tenerife, para realizar o desembarque.

Entre os casos confirmados, um cidadão britânico está internado em uma unidade de terapia intensiva em Joanesburgo, África do Sul, em estado crítico. Outros cinco casos são suspeitos. Dois tripulantes, um britânico e um holandês, apresentaram sintomas e receberam atendimento médico urgente a bordo. A OMS está colaborando para planejar a evacuação médica dos pacientes e um representante de Cabo Verde confirmou que um avião ambulância está sendo preparado para uso se necessário.

Autoridades locais realizaram uma avaliação dos tripulantes sintomáticos, mas ainda não decidiram sobre a transferência para cuidados médicos em Cabo Verde. A OMS reforça que não há motivo para pânico ou restrições de viagem, destacando que o risco para a população em geral permanece baixo. O diretor regional da OMS para a Europa, Dr. Hans Henri P. Kluge, afirmou que a resposta está sendo coordenada com base em evidências científicas e que o hantavírus, embora possa causar casos graves, não se transmite facilmente entre pessoas.

O Departamento de Estado dos EUA acompanha o caso de perto e está preparado para oferecer assistência consular aos cidadãos americanos afetados. Até o momento, não está claro como os passageiros foram infectados, mas a exposição a roedores contaminados é a causa mais comum das infecções por hantavírus.

Duas das vítimas fatais eram um casal, um homem de 70 anos que morreu a bordo em 11 de abril e foi declarado morto ao chegar à ilha remota de Santa Helena em 24 de abril, e uma mulher de 69 anos que sofreu um colapso no aeroporto internacional de Joanesburgo enquanto tentava retornar à Holanda, país de origem do casal. A terceira vítima fatal é uma cidadã alemã, embora a causa oficial de sua morte ainda não tenha sido confirmada.

O navio Hondius partiu da Argentina com destino às Ilhas Canárias há cerca de três semanas, transportando aproximadamente 150 passageiros. O incidente ressalta a importância da cooperação internacional em saúde pública, especialmente em situações que envolvem doenças infecciosas que não respeitam fronteiras.

Dr. Kluge destacou que a situação reforça a necessidade de colaboração global em emergências sanitárias, especialmente após sua recente visita ao continente africano para discutir parcerias nesse campo. Ele enfatizou que trabalhar em conjunto é fundamental para proteger as populações diante de ameaças à saúde.

Este surto ocorre em um contexto em que a OMS tem enfrentado desafios políticos, como a saída dos Estados Unidos da organização em janeiro, decisão que foi justificada por críticas à gestão da pandemia de Covid-19. O hantavírus ganhou destaque no ano anterior após a confirmação de que causou a morte de Betsy Arakawa, esposa do ator Gene Hackman.

A situação do navio Hondius e o surto de hantavírus continuam sob monitoramento internacional, com esforços para garantir a segurança dos passageiros e evitar a propagação da doença. A resposta coordenada entre países e organizações de saúde será crucial para controlar o surto e evitar novos casos, especialmente em ambientes fechados como navios de cruzeiro, onde a transmissão pode ser facilitada por condições específicas.

A recusa de Cabo Verde em permitir o atracamento do navio reflete uma precaução para evitar riscos locais, enquanto as autoridades buscam alternativas para o desembarque seguro dos passageiros. O desdobramento desse episódio poderá influenciar protocolos futuros para o transporte marítimo internacional em situações similares, reforçando a necessidade de vigilância e resposta rápida a emergências sanitárias em rotas globais.

Além disso, a situação evidencia a importância de sistemas de saúde preparados para lidar com doenças zoonóticas, que podem emergir de contato com animais infectados e causar surtos em populações humanas. A gestão eficaz desses casos depende da colaboração entre setores de saúde, transporte e governos, visando minimizar impactos e proteger a saúde pública global.