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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Negociações entre EUA e Irã mantêm tensão no Estreito de Hormuz e afetam comércio marítimo

Negociações entre EUA e Irã mantêm tensão no Estreito de Hormuz, afetando o tráfego comercial e a estabilidade regional no Golfo Pérsico.

Negociações entre EUA e Irã mantêm tensão no Estreito de Hormuz e afetam comércio marítimo

As negociações entre Estados Unidos e Irã continuam a gerar incertezas sobre a situação no Estreito de Hormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas para o comércio global de petróleo. Após a assinatura de um memorando de entendimento, as delegações dos dois países se reuniram na Suíça para discutir os próximos passos, mas mensagens contraditórias têm sido emitidas por Washington e Teerã, dificultando a avaliação do real cenário na região.

O Estreito de Hormuz sofreu interrupções significativas no tráfego comercial após um ataque conjunto dos EUA e Israel contra alvos iranianos em fevereiro. O memorando assinado recentemente buscava reabrir essa passagem vital, com os Estados Unidos comprometendo-se a suspender o bloqueio a portos iranianos, enquanto o Irã prometia garantir a segurança da navegação comercial na área.

O presidente Donald Trump anunciou o acordo preliminar como uma reabertura imediata do estreito, destacando que os primeiros petroleiros já haviam passado pela região, indicando o retorno do fluxo de petróleo. No entanto, o governo iraniano afirmou que a passagem foi novamente fechada, aumentando as dúvidas sobre a efetividade do acordo.

Autoridades iranianas acusaram os Estados Unidos de não cumprirem suas obrigações, especialmente em relação à pressão sobre Israel para cessar suas operações militares no Líbano. O comando militar Khatam al-Anbiya declarou que o Estreito de Hormuz estava fechado, e o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica emitiu alertas sobre os riscos para embarcações que se aproximassem do local.

Do lado americano, o vice-presidente J.D. Vance negou qualquer interrupção no tráfego marítimo, afirmando que no dia anterior foram exportados 16 milhões de barris de petróleo pelo estreito, um recorde mesmo antes do conflito. O Comando Central dos EUA (CENTCOM) também confirmou um aumento no tráfego comercial em 20 de junho, com pelo menos 55 navios mercantes passando pela região até o sábado.

Dados da empresa de análise Kpler indicam que dezenas de embarcações, incluindo superpetroleiros sauditas e navios iranianos sancionados, transitaram pelo estreito nos últimos dias, seguindo rotas tradicionais estabelecidas pelo Irã. O pico de navios navegando pelo estreito foi registrado em 18 de junho, com 25 passagens confirmadas, embora tenha havido uma redução para números menores no dia seguinte.

As conversas entre EUA e Irã, que deveriam avançar para um acordo final sobre questões pendentes, como o programa nuclear iraniano, foram adiadas. O vice-presidente Vance e os enviados especiais americanos Steve Witkoff e Jared Kushner devem participar das negociações remarcadas para domingo na Suíça. A delegação iraniana, liderada pelo ministro das Relações Exteriores Abbas Araghchi e pelo presidente do Parlamento Mohammad Ghalibaf, também inclui representantes do banco central, do ministério do petróleo e da companhia nacional de petróleo.

Teerã condiciona a continuidade das negociações à clareza sobre como os Estados Unidos planejam cumprir o memorando, ressaltando que o acordo é um pacote único, e a violação de qualquer ponto pode comprometer todo o entendimento. Um dos principais pontos de discórdia é a continuidade dos ataques israelenses no Líbano, que o Irã considera uma violação do acordo.

Apesar da mediação dos EUA e do Catar para um cessar-fogo no Líbano, confrontos esporádicos e bombardeios israelenses continuam. O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu mantém a presença militar no sul do Líbano e o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, rejeita a validade do acordo, chegando a declarar que "todo o Líbano deveria arder".

Essa postura israelense tem provocado tensões nas relações entre Washington e Jerusalém, com membros do governo americano criticando o uso excessivo da força por Israel. Autoridades de inteligência dos EUA avaliam que Israel pode tentar sabotar o processo de paz, especialmente com eleições se aproximando e o governo buscando fortalecer sua posição política.

Em termos estratégicos, a situação no Estreito de Hormuz permanece delicada. A passagem segura de navios é vital para a estabilidade do mercado global de energia, e qualquer escalada pode afetar diretamente os preços do petróleo e a segurança das rotas comerciais. O impasse entre os EUA e o Irã, aliado à postura israelense no Líbano, cria um cenário de incerteza que pode prolongar a instabilidade regional.

Para os próximos meses, a continuidade das negociações será crucial para definir se o memorando de entendimento poderá ser implementado efetivamente. A capacidade dos Estados Unidos de controlar seus aliados regionais, especialmente Israel, e a disposição do Irã em cumprir seus compromissos serão determinantes para a paz e a segurança no Golfo Pérsico. A comunidade internacional acompanha atentamente esses desdobramentos, dado o impacto potencial sobre a economia global e a geopolítica do Oriente Médio.