O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, revelou que realizou uma visita secreta aos Emirados Árabes Unidos (EAU) durante o auge do conflito entre Israel, os Estados Unidos e o Irã. A informação foi divulgada pelo gabinete de Netanyahu, que destacou que o encontro ocorreu em um momento não divulgado do conflito e envolveu uma reunião com o presidente dos Emirados, Sheikh Mohammed bin Zayed.
Segundo o comunicado oficial, a visita resultou em um avanço histórico nas relações bilaterais entre Israel e os Emirados Árabes Unidos. Embora detalhes específicos sobre esse avanço não tenham sido esclarecidos, há indicações de que a cooperação militar tenha sido um dos temas centrais da conversa.
Essa hipótese ganha força com a recente confirmação do embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, de que Israel enviou baterias do sistema de defesa aérea Iron Dome e pessoal para os Emirados Árabes Unidos. Essa movimentação sugere um aumento significativo da cooperação militar entre os dois países em meio ao conflito regional.
Reportagens recentes indicam que os Emirados Árabes Unidos realizaram ataques secretos contra infraestruturas e instalações militares iranianas durante a guerra. Um dos ataques mais notórios teria sido contra uma refinaria na Ilha Lavan, no Irã, ocorrido no início de abril, período em que o então presidente dos EUA, Donald Trump, anunciava um cessar-fogo e negociações com o Irã.
Essas operações teriam sido coordenadas com Israel, com o envolvimento de visitas secretas do diretor do Mossad, David Barnea, aos Emirados Árabes Unidos. No entanto, o governo dos Emirados não confirmou oficialmente os ataques nem comentou sobre as visitas de Barnea ou Netanyahu.
Em janeiro, o Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos declarou que não permitiria o uso do seu espaço aéreo por forças americanas ou israelenses para atacar o Irã. Contudo, o Irã acusou os EUA de usarem a base aérea de Al Dhafra, em Abu Dhabi, para lançar ataques aéreos que atingiram uma escola primária em Minab, causando a morte de mais de 160 meninas.
Em retaliação, o Irã lançou ataques contra a base de Al Dhafra e contra infraestrutura americana no porto de Jebel Ali, em Dubai. Nas semanas seguintes, o Irã disparou mais de 2 mil mísseis e drones contra alvos nos Emirados Árabes Unidos, acusando o país de colaborar com forças hostis na guerra.
Apesar do cessar-fogo frágil, os Emirados Árabes Unidos denunciaram recentemente um ataque iraniano em seu território, que incendiou uma instalação petrolífera em Fujairah e feriu três pessoas. Os Estados Unidos optaram por não condenar o ataque, possivelmente para preservar a trégua vigente.
A revelação da visita secreta de Netanyahu aos Emirados Árabes Unidos e a confirmação da cooperação militar entre os dois países indicam uma intensificação das alianças estratégicas no Golfo em meio ao conflito com o Irã. Essa aproximação pode alterar o equilíbrio de poder regional e influenciar futuras negociações e confrontos.
A continuidade dessa colaboração militar e diplomática entre Israel e os Emirados Árabes Unidos pode levar a uma maior coordenação em operações contra o Irã, além de fortalecer a presença israelense no Golfo. Por outro lado, a escalada dos ataques e a resposta iraniana podem aumentar o risco de confrontos diretos, exigindo atenção internacional para evitar uma expansão do conflito.
Nos próximos meses, será crucial observar como as relações entre esses países evoluirão e se o cessar-fogo se manterá, especialmente diante das acusações mútuas e das ações militares em curso. A estabilidade regional dependerá, em parte, da capacidade dessas potências de gerenciar suas diferenças e evitar uma escalada mais ampla.