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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Operativo do IRGC acusado de planejar ataques contra líder judeu na Alemanha

Autoridades alemãs acusam agente ligado à Guarda Revolucionária do Irã de planejar ataques contra líder judeu e outras figuras em Berlim, aumentando tensões diplomáticas.

Operativo do IRGC acusado de planejar ataques contra líder judeu na Alemanha

Autoridades alemãs apresentaram acusações contra um homem detido no ano passado sob suspeita de espionagem e tentativa de homicídio. O indivíduo, identificado como Ali S., foi preso na Dinamarca em junho e é acusado de atuar sob ordens da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC). Segundo os promotores, ele teria sido encarregado de coletar informações sobre Josef Schuster, presidente do Conselho Central dos Judeus na Alemanha, além de outras pessoas ligadas à comunidade judaica e política pró-Israel no país.

Além de Ali S., um suposto cúmplice, Tawab M., cidadão afegão, também foi detido na Dinamarca em novembro e enfrenta acusações relacionadas à tentativa de homicídio. O processo contra ambos foi formalizado em 7 de maio no tribunal estadual de Hamburgo. Ali S. responde por espionagem, atuação como agente secreto para fins de sabotagem, tentativa de homicídio e incêndio criminoso. Tawab M. está acusado de participação na tentativa de homicídio.

As investigações indicam que Ali S. mantinha contato direto com a Força Quds, unidade de operações externas da IRGC. Em 2025, ele teria recebido a missão de monitorar Schuster, Volker Beck — ex-parlamentar alemão e presidente da Sociedade Germano-Israelense — e dois comerciantes judeus em Berlim, cujas identidades não foram divulgadas. O objetivo seria preparar atentados contra essas pessoas e locais associados à comunidade judaica.

Durante o ano passado, Ali S. teria realizado reconhecimento em diversos pontos de Berlim e buscado colaboradores para executar os ataques. Em maio de 2025, ele entrou em contato com Tawab M., que teria se comprometido a adquirir uma arma para um terceiro envolvido, com o intuito de assassinar Volker Beck.

Após a prisão de Ali S., o governo alemão convocou o embaixador do Irã para prestar esclarecimentos, enquanto a embaixada iraniana negou as acusações classificando-as como infundadas e perigosas. A Sociedade Germano-Israelense informou que Beck foi alertado durante seis semanas no verão europeu sobre a possibilidade iminente de um ataque.

Em comunicado, Beck destacou que a democracia alemã e a vida judaica no país enfrentam ameaças constantes oriundas do Irã, enfatizando a necessidade de responsabilização. Após a denúncia formal, a Sociedade solicitou a expulsão do embaixador iraniano em Berlim, o congelamento de bens ligados ao falecido líder supremo Ali Khamenei e a imposição de sanções a instituições financeiras associadas ao Irã.

O aumento de ataques contra comunidades judaicas na diáspora tem sido observado desde o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciado em 28 de fevereiro, com o objetivo declarado de desestabilizar o regime iraniano e eliminar seus programas balístico e nuclear. Investigações recentes também apontam para conexões iranianas em diversos atentados contra alvos judaicos na Europa, América do Norte e Canadá.

Na semana passada, o Departamento de Justiça dos EUA anunciou a prisão de um comandante de milícia iraquiana apoiada pelo Irã, acusado de planejar cerca de 20 ataques terroristas contra alvos judaicos durante o conflito. Esses eventos refletem uma escalada nas ações de grupos ligados ao Irã contra comunidades judaicas internacionais.

A acusação formal contra Ali S. e Tawab M. representa um marco na resposta judicial da Alemanha a ameaças externas ligadas ao Irã, demonstrando o esforço das autoridades em proteger líderes comunitários e preservar a segurança interna. A continuidade das investigações e eventuais medidas diplomáticas poderão influenciar as relações bilaterais entre Alemanha e Irã, assim como a postura europeia frente a ameaças transnacionais.

Em termos estratégicos, o caso evidencia a capacidade da IRGC de operar em solo europeu, o que pode levar a um reforço das políticas de segurança e inteligência na região. A pressão por sanções e medidas diplomáticas pode intensificar o isolamento do Irã, ao mesmo tempo em que aumenta a tensão nas relações internacionais. O monitoramento de atividades de grupos ligados ao Irã deverá ser ampliado para prevenir futuros ataques, enquanto a cooperação entre países europeus e aliados como Israel e Estados Unidos pode se fortalecer para enfrentar essas ameaças.