Diplomatas de 13 países europeus e do Canadá emitiram uma declaração conjunta neste sábado criticando o crescimento da violência atribuída a colonos israelenses contra palestinos na Cisjordânia. O documento destaca que os ataques recentes, que resultaram na morte de seis palestinos desde o início de março, têm como objetivo forçar a saída das populações locais de suas terras. Autoridades desses países, incluindo França, Espanha e Reino Unido, pedem que as autoridades israelenses tomem medidas para prevenir e punir esses atos violentos.
Segundo dados da autoridade de saúde palestina em Ramallah, os incidentes de violência têm aumentado significativamente, com seis palestinos mortos em ataques de colonos desde o começo do mês. A declaração conjunta expressa repúdio ao que denomina "terror e violência crescente" por parte dos colonos e das forças de segurança israelenses contra as comunidades palestinas. O texto ressalta a necessidade de acabar com essa violência, que cria um ambiente coercitivo para a expulsão dos palestinos de suas casas.
O chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel (IDF), tenente-general Eyal Zamir, também manifestou críticas ao aumento dos ataques de colonos, classificando-os como "moral e eticamente inaceitáveis". Embora a maioria dos colonos israelenses não participe de atos violentos, uma minoria militante tem sido associada a um número crescente de agressões quase diárias contra palestinos, com poucos responsáveis sendo levados à justiça.
A Cisjordânia abriga cerca de três milhões de palestinos e mais de 500 mil colonos israelenses que vivem em assentamentos e postos avançados considerados ilegais pela maior parte da comunidade internacional. A violência na região intensificou-se após o ataque do Hamas a Israel em outubro de 2023, que desencadeou o conflito em Gaza. Mesmo após o cessar-fogo, os confrontos continuam e se agravaram com o início da guerra contra o Irã.
Desde outubro de 2023, mais de mil palestinos foram mortos na Cisjordânia por forças israelenses ou colonos, segundo a autoridade de saúde palestina. O IDF afirma que a maioria dessas mortes ocorreu durante confrontos com militantes armados, manifestantes violentos ou terroristas envolvidos em ataques. No mesmo período, 65 civis e membros das forças de segurança israelenses foram mortos em ataques terroristas em Israel e na Cisjordânia, além de oito agentes mortos em confrontos durante operações em cidades palestinas.
O número de incidentes de violência nacionalista e ataques de colonos contra palestinos e suas propriedades também aumentou significativamente. Em 2025, o IDF registrou 867 casos, superando os 682 incidentes contabilizados em 2024. Essa escalada reflete um cenário de tensão crescente na região.
A situação atual apresenta desafios complexos para a estabilidade da Cisjordânia e para as perspectivas de um acordo de paz duradouro. A pressão internacional para que Israel controle os grupos extremistas entre os colonos e assegure a proteção das comunidades palestinas tem aumentado. No entanto, a persistência dos ataques e a resposta limitada das autoridades israelenses indicam que o conflito pode se aprofundar.
No médio prazo, a continuidade dessa violência pode agravar ainda mais as tensões entre israelenses e palestinos, dificultando negociações futuras. A comunidade internacional, especialmente os países europeus signatários da declaração, poderá intensificar sua atuação diplomática para buscar mecanismos que reduzam os confrontos e promovam a segurança dos civis. A resposta do governo israelense e a capacidade das forças de segurança em conter os ataques de colonos serão fundamentais para definir os próximos passos na região.
Além disso, a escalada de violência pode influenciar a dinâmica regional, especialmente no contexto do conflito mais amplo envolvendo o Irã e grupos armados na região. A estabilidade da Cisjordânia é um componente crítico para a segurança de Israel e para a paz no Oriente Médio, tornando urgente a implementação de medidas eficazes para conter a violência e proteger as populações civis.