Pam Bondi, ex-procuradora-geral dos Estados Unidos, apresentou sua defesa perante a Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes em relação à forma como conduziu a divulgação dos documentos ligados ao caso do condenado por crimes sexuais Jeffrey Epstein. Bondi, que foi removida do cargo pelo então presidente Donald Trump em abril, prestou depoimento a portas fechadas em Washington, D.C., afirmando que o Departamento de Justiça demonstrou um compromisso sem precedentes com a transparência durante o processo de busca, coleta e revisão dos arquivos de Epstein, disponibilizando quase três milhões de páginas de documentos.
A convocação formal de Bondi pela comissão ocorreu em março, pouco antes de sua saída do cargo. Como procuradora-geral, ela foi responsável pela implementação da Epstein Files Transparency Act, uma legislação assinada por Trump que exigia a divulgação pública dos registros não classificados relacionados ao caso Epstein. Apesar disso, Bondi e o Departamento de Justiça enfrentaram críticas severas, incluindo acusações de retenção de documentos e de publicação de arquivos que expuseram a identidade das vítimas de Epstein.
Durante sua declaração inicial, Bondi destacou o caráter complexo e trabalhoso do processo e afirmou que, até onde tem conhecimento, todos os documentos exigidos pela legislação foram entregues. O presidente republicano da comissão, James Comer, indicou que a investigação busca apurar possíveis falhas na gestão do caso Epstein e o cumprimento da lei. Comer enfatizou a intenção de obter todos os documentos disponíveis, rejeitando qualquer retenção de informações.
No entanto, após cerca de três horas de depoimento, membros democratas da comissão acusaram Bondi de evasividade, apontando que ela desviou responsabilidades para seu ex-substituto, Todd Blanche, e que advogados do governo limitaram suas respostas. Um dos congressistas democratas afirmou que Bondi recusou-se a responder perguntas relacionadas ao ex-presidente Trump, alegando ordens para não falar sobre o assunto.
Além disso, a sobrevivente Maria Farmer criticou a postura de Bondi, afirmando que ela ignorou as demandas das vítimas de Epstein e não assumiu responsabilidades pelos erros cometidos. Bondi negou ter transferido culpa a seu ex-substituto, elogiando sua gestão e ética profissional.
A convocação de Bondi ocorreu após a republicana Nancy Mace acusar o Departamento de Justiça de encobrir informações, o que levou à apresentação de uma moção para sua intimação. A administração Trump enfrentou pressão bipartidária para liberar todos os documentos relacionados ao caso Epstein, especialmente após críticas pela falha em ocultar os nomes das vítimas. Epstein faleceu na prisão em 2019 enquanto aguardava julgamento.
Em fevereiro de 2025, Bondi afirmou em entrevista que possuía uma lista com os clientes de alto perfil de Epstein, mas o Departamento de Justiça desmentiu a existência dessa lista meses depois, esclarecendo que ela se referia ao arquivo geral do caso. Durante seu mandato, Bondi também foi alvo de críticas por supostamente usar o Departamento de Justiça para investigar adversários políticos de Trump. Após sua saída, ela foi substituída interinamente por Todd Blanche, ex-advogado pessoal de Trump.
Recentemente, Bondi revelou ter sido diagnosticada com câncer de tireoide e está em tratamento, incluindo cirurgia. Ela também foi convidada a integrar o novo conselho consultivo da Casa Branca para inteligência artificial, o Presidential Council of Advisors on Science and Technology, marcando sua primeira atuação pública após deixar o Departamento de Justiça.
A comissão do Congresso já entrevistou figuras como o ex-presidente Bill Clinton, a ex-primeira-dama Hillary Clinton, o atual secretário de Comércio Howard Lutnick e a condenada cúmplice de Epstein, Ghislaine Maxwell. O filantropo Bill Gates está previsto para depor em breve.
A análise do caso revela que a gestão dos documentos relacionados a Epstein permanece um tema sensível, com implicações para a transparência governamental e a responsabilização institucional. A resistência de Bondi em responder a certas perguntas e a controvérsia sobre possíveis omissões indicam desafios contínuos para a comissão em obter um panorama completo dos fatos. A inclusão de Bondi no conselho presidencial de IA pode sinalizar uma transição de seu papel público, mas o escrutínio sobre sua atuação no Departamento de Justiça deve continuar, especialmente diante da pressão para esclarecer a extensão da divulgação dos arquivos e a proteção das vítimas.
Os próximos passos provavelmente envolverão a continuação das investigações e possíveis novas convocações de testemunhas para aprofundar o entendimento sobre a condução do caso Epstein, com impacto direto na percepção pública sobre a eficácia e integridade das instituições responsáveis pela justiça nos Estados Unidos.