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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Paralisação de oleoduto saudita reduz a margem de segurança do petróleo fora de Ormuz

O East-West permite evitar Ormuz; sua interrupção reduz essa saída justamente quando o tráfego pelo estreito ainda não voltou plenamente ao normal.

Paralisação de oleoduto saudita reduz a margem de segurança do petróleo fora de Ormuz

O fechamento do oleoduto East-West pela Arábia Saudita, após um ataque que Riad atribuiu a drones de milícias apoiadas pelo Irã no Iraque, atinge mais do que uma infraestrutura nacional: reduz uma das poucas vias terrestres capazes de levar petróleo do Golfo ao Mar Vermelho sem passar pelo Estreito de Ormuz. O ponto decisivo agora é a duração da interrupção, ainda incerta.

O duto liga Abqaiq a Yanbu ao longo de cerca de 1.200 quilômetros. Sua capacidade de projeto é de 5 milhões de barris por dia; a Aramco informou capacidade ampliada de 7 milhões, mas sem teste de fluxo sustentável nesse patamar. Na prática, a Rystad Energy estima que ele transportava entre 2,6 milhões e 4 milhões de barris diários desde o fim de agosto. Se a interrupção for total, esse é o volume que pode deixar de chegar ao mercado, segundo a consultoria. O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, apresentou uma estimativa maior, de 4 milhões a 5 milhões de barris diários antes do fechamento.

A relevância do East-West está em sua função de redundância. O terminal de Yanbu permite embarcar o petróleo no Mar Vermelho, evitando Ormuz — corredor pelo qual passaram cerca de 20 milhões de barris diários em 2025, segundo a Agência Internacional de Energia. A paralisação, portanto, não bloqueia apenas petróleo saudita: diminui a capacidade de contornar um gargalo marítimo que já opera sob pressão.

Essa pressão não significa, porém, que Ormuz esteja paralisado. A AP relatou retomada de travessias em volume inferior ao período anterior à guerra e registrou 90 trânsitos na primeira semana de setembro, ante cerca de 130 navios por dia antes dela. Wright, por sua vez, disse que mais de 12 milhões de barris de petróleo e derivados cruzaram o estreito na noite anterior e que a média de sete dias superava 10 milhões de barris diários. Os números não são diretamente equivalentes, mas apontam para a mesma conclusão operacional: há fluxo, embora a normalização esteja incompleta e as métricas disponíveis sejam divergentes.

As alternativas também têm limite. A IEA calcula que as rotas por oleoduto da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos dispõem, juntas, de 3,5 milhões a 5,5 milhões de barris diários de capacidade disponível. Com o East-West fora de operação, parte relevante dessa margem deixa de existir justamente quando Ormuz não recuperou plenamente sua fluidez. E o percurso alternativo saudita não elimina todos os riscos: o petróleo que chega a Yanbu ainda precisa navegar pelo Mar Vermelho para alcançar mercados externos.

O cenário-base dependerá menos da capacidade nominal do duto do que da velocidade de reparo. Dois funcionários regionais ouvidos pela AP avaliaram um prazo de três a cinco semanas, sem descartar operação parcial; Wright disse esperar uma retomada em breve, enquanto equipes técnicas ainda avaliavam os danos. Sem cronograma oficial saudita confirmado, não é possível definir se o episódio será um choque logístico curto ou uma perda persistente de flexibilidade. Mas a interrupção já expõe uma fragilidade maior: em um sistema que depende de Ormuz, a rota construída para reduzir essa dependência tornou-se ela própria um ponto crítico.