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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Partidos árabes em Israel buscam reativar Lista Conjunta e convocam Ra’am para união eleitoral

Partidos árabes em Israel buscam reativar a Lista Conjunta e convocam Ra’am para integrar a coalizão eleitoral diante das eleições, visando fortalecer a representação política.

Partidos árabes em Israel buscam reativar Lista Conjunta e convocam Ra’am para união eleitoral

Três dos quatro principais partidos políticos de maioria árabe em Israel reafirmaram sua disposição de formar uma lista eleitoral conjunta para as próximas eleições, convocando o partido islamista Ra’am a integrar a coalizão, apesar da resistência inicial de seus dirigentes. Hadash, Ta’al e Balad emitiram um comunicado conjunto no domingo, destacando a importância da unidade diante dos desafios políticos e sociais enfrentados pela comunidade árabe no país.

A Lista Conjunta, originalmente formada em 2015, representou uma aliança significativa dos partidos árabes, mas se desfez em 2021 quando Ra’am, liderado por Mansour Abbas, optou por se afastar para integrar uma coalizão governamental liderada por Naftali Bennett e Yair Lapid. Essa decisão marcou uma ruptura na colaboração entre os partidos, que se manteve até as eleições de 2022, quando Balad tentou uma candidatura independente sem sucesso, e Hadash e Ta’al formaram uma lista conjunta separada.

No comunicado, Hadash, Ta’al e Balad reconhecem que existem divergências importantes com Ra’am, especialmente em relação à disposição deste último de participar de uma coalizão governamental após as eleições, algo que os demais partidos árabes não consideram há décadas. Contudo, ressaltam que, diante dos riscos considerados existenciais para a população árabe em Israel, é fundamental buscar a unidade para fortalecer a representação política e combater o governo de direita extrema.

A pressão pela reativação da Lista Conjunta também vem das bases comunitárias árabes, que enfrentam um aumento significativo da violência e da criminalidade, o que tem gerado um sentimento de urgência para consolidar uma frente política mais forte. Em janeiro de 2026, os quatro partidos assinaram um acordo preliminar para trabalhar juntos na reconstrução da coalizão, mas os avanços foram limitados devido à insistência de Ra’am em manter certa autonomia após as eleições.

Na esfera política mais ampla, o cenário permanece complexo. O ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, considerado um dos principais candidatos para substituir Benjamin Netanyahu, rejeitou a possibilidade de incluir Ra’am em sua futura coalizão, afirmando que seu governo será composto apenas por partidos sionistas. Essa posição foi reforçada após o ataque liderado pelo Hamas em outubro de 2023, que intensificou a rejeição a parcerias com partidos árabes na coalizão governamental.

Outros líderes da oposição também manifestaram resistência à inclusão de partidos árabes em coalizões, enquanto Netanyahu e seus aliados continuam a criticar e deslegitimar a atuação política desses grupos. Em meio a esse clima, surgiram notícias de que Netanyahu estaria tentando classificar Ra’am como organização terrorista, medida que foi considerada antidemocrática pelo próprio Mansour Abbas, que prometeu responder nas urnas.

Entre os poucos que defendem a reintegração de Ra’am à coalizão está Yair Golan, líder do partido Democratas, que pediu aos colegas da oposição que abandonem a estigmatização do partido islamista. Historicamente, a Lista Conjunta, apesar das diferenças ideológicas que vão do socialismo secular de Hadash ao conservadorismo religioso de Ra’am, conseguiu mobilizar o eleitorado árabe e ampliar sua influência política no Knesset.

No auge, em 2020, a coalizão chegou a eleger 15 deputados, tornando-se o terceiro maior bloco parlamentar. A fragmentação atual, no entanto, compromete a capacidade de representação e influência política da comunidade árabe em Israel.

A tentativa de reativar a Lista Conjunta ocorre em um contexto de crescente tensão política e social, com a comunidade árabe buscando uma estratégia unificada para enfrentar os desafios internos e externos. A inclusão de Ra’am é vista como crucial para ampliar o alcance eleitoral, mas as divergências sobre a participação em governos de coalizão permanecem um obstáculo significativo.

Do ponto de vista estratégico, a reconstituição da Lista Conjunta pode fortalecer a voz política dos árabes israelenses, aumentando sua capacidade de influenciar decisões legislativas e políticas públicas. No entanto, o posicionamento dos principais candidatos à liderança do país, que rejeitam alianças com partidos árabes, indica que a coalizão enfrentará dificuldades para converter essa força eleitoral em poder governamental.

Além disso, a tentativa de criminalizar Ra’am pode agravar a polarização política e social, dificultando ainda mais o diálogo e a cooperação entre os grupos políticos árabes e o restante do espectro político israelense. O desenrolar dessas negociações e as decisões dos eleitores árabes nas próximas eleições serão determinantes para o futuro político da comunidade e para a dinâmica do sistema político israelense como um todo.