O Pentágono tem recrutado discretamente veteranos militares conservadores com grande presença nas redes sociais para desempenharem funções não divulgadas oficialmente, conforme reportagem recente. Entre os contratados estão ex-coronéis da Força Aérea e do Exército dos Estados Unidos, que possuem seguidores expressivos e têm promovido publicamente as ideias do secretário de Defesa, Pete Hegseth, enquanto criticam opositores da administração Trump.
Essa iniciativa ocorre em meio à campanha do presidente Donald Trump para eliminar o que ele classifica como ideologia "woke" das Forças Armadas, além de sua histórica tensão com a grande mídia. Os veteranos contratados receberam contas oficiais de e-mail civis e foram designados para o gabinete do chefe de pessoal do Pentágono, Anthony Tata. A equipe de Tata é responsável por lidar com questões relacionadas à cultura e revisar instituições militares para identificar influências consideradas ideológicas.
Entre os nomes divulgados estão o coronel aposentado da Força Aérea Rob Maness e os coronéis aposentados do Exército Kurt Schlichter e Thomas Anderson. Fontes indicam que algumas das funções atribuídas a esses influenciadores podem impactar diretamente políticas internas do Departamento de Defesa.
Um episódio recente envolvendo a influenciadora conservadora Jennica Pounds ilustra essa estratégia do Pentágono nas redes sociais. Pounds acusou um funcionário do Departamento de Estado de tentar induzi-la a divulgar documentos governamentais sigilosos. Posteriormente, a subsecretária de Estado para Diplomacia Pública, Sarah Rogers, admitiu ter se aproximado da influenciadora e ter divulgado os documentos, levando Pounds a se retratar publicamente.
O Pentágono intensificou as restrições ao acesso da imprensa em setembro passado, como parte de um esforço mais amplo para conter vazamentos não autorizados, em meio a relatos de desordem interna. Além disso, o departamento teria considerado o uso de testes de polígrafo para identificar possíveis responsáveis por essas divulgações.
Trump e Hegseth têm mantido embates frequentes com a grande mídia, especialmente em relação a reportagens baseadas em documentos vazados e fontes anônimas. Recentemente, Trump contestou notícias que indicavam que a guerra contra o Irã teria esgotado os estoques americanos de mísseis e interceptadores de defesa aérea, afirmando que não há falta desses materiais. Ele também afirmou que os responsáveis por esses vazamentos estão sendo procurados e que penas severas serão aplicadas.
A contratação de influenciadores militares alinhados ideologicamente representa uma mudança na forma como o Pentágono busca moldar a narrativa pública e interna. Essa estratégia pode ser vista como uma tentativa de fortalecer o apoio às políticas do governo Trump dentro das Forças Armadas e na opinião pública, ao mesmo tempo em que combate críticas e informações contrárias.
Do ponto de vista estratégico, essa movimentação pode influenciar a percepção pública sobre a cultura militar e as políticas de defesa, especialmente em um momento de polarização política intensa nos Estados Unidos. A presença desses influenciadores no ambiente oficial pode afetar debates internos sobre valores e diretrizes das Forças Armadas.
No entanto, a adoção dessa abordagem também pode gerar questionamentos sobre a transparência e a neutralidade das instituições militares, além de potencialmente aprofundar divisões internas. A continuidade dessa prática dependerá da evolução do cenário político e da resposta da sociedade e das próprias Forças Armadas a essa nova dinâmica de comunicação e influência.
Em suma, o Pentágono está investindo em uma estratégia de comunicação que envolve a contratação de figuras conservadoras com influência digital para promover suas agendas e combater críticas, refletindo as tensões políticas e culturais que permeiam o atual governo e o ambiente militar americano.