Uma pesquisa recente realizada pela Universidade Quinnipiac revelou que 48% dos eleitores americanos acreditam que os Estados Unidos oferecem um apoio excessivo a Israel, o maior índice registrado desde que a questão começou a ser feita em 2017. O levantamento também apontou que 60% dos entrevistados consideram que uma intervenção militar dos EUA no Irã não vale a pena, enquanto 34% acreditam que seria justificável.
O estudo indicou que 38% dos participantes consideram o nível atual de apoio americano a Israel adequado, e apenas 7% acham que o país não apoia Israel o suficiente. Quando analisados por filiação partidária, 66% dos democratas afirmaram que os EUA são excessivamente favoráveis a Israel, com apenas 9% defendendo que o apoio é insuficiente e 18% considerando-o adequado. Entre os republicanos, 20% acreditam que o apoio é excessivo, 69% o consideram adequado e 6% acham que é insuficiente.
Entre os eleitores independentes, 55% veem o apoio americano a Israel como excessivo, 34% o consideram adequado e 7% o consideram insuficiente. A pesquisa foi divulgada logo após três democratas críticos a Israel, incluindo dois anti-sionistas, vencerem suas primárias para a Câmara dos Deputados em Nova York. Em outras regiões, até mesmo alguns candidatos democratas tradicionalmente pró-Israel se distanciaram da lobby pró-Israel AIPAC.
Em relação à guerra contra o Irã, o levantamento mostrou uma divisão partidária clara. Entre os democratas, 93% são contra a intervenção militar, assim como 66% dos independentes. Já 75% dos republicanos entrevistados consideram a guerra justificável.
Ao serem questionados sobre quais temas são prioritários para suas decisões eleitorais para a Câmara dos Deputados, 41% dos eleitores citaram o conflito israelo-palestino, superando questões como centros de dados de inteligência artificial (38%) e o ex-presidente Donald Trump (38%). Os maiores temas de preocupação foram o alto custo de vida (70%) e a saúde (59%).
A pesquisa foi realizada entre os dias 18 e 22 de junho, com 1.165 eleitores registrados, e possui margem de erro de 3,4 pontos percentuais. Além disso, 48% dos entrevistados têm uma opinião desfavorável do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, enquanto 20% o veem favoravelmente e 30% afirmam não ter informações suficientes sobre ele.
Os eleitores também foram questionados sobre o memorando de entendimento firmado em 17 de junho com o Irã, que iniciou um período de negociação de 60 dias sem definir um fim para o programa nuclear iraniano. A maioria dos participantes expressou ceticismo quanto ao sucesso do acordo, com 59% demonstrando pouca ou nenhuma confiança, e 61% acreditando que o Irã provavelmente desenvolverá armas nucleares.
A pesquisa reflete um momento de mudança na opinião pública americana sobre o apoio a Israel e a postura em relação ao Irã, num contexto de debates intensos sobre política externa e segurança nacional. A crescente insatisfação entre eleitores democratas e independentes pode influenciar decisões políticas e estratégias eleitorais nos Estados Unidos.
Do ponto de vista estratégico, a percepção de que o apoio dos EUA a Israel é excessivo pode levar a uma reavaliação das políticas externas, especialmente em um cenário onde o conflito israelo-palestino permanece uma questão sensível. A resistência significativa à intervenção militar no Irã sugere que qualquer movimento nesse sentido enfrentaria forte oposição doméstica, o que pode limitar as opções do governo americano.
Além disso, a divisão partidária clara sobre esses temas indica que o debate continuará polarizado, com impactos diretos nas eleições legislativas e na formulação de políticas. A influência de grupos críticos a Israel dentro do Partido Democrata e a cautela dos republicanos em relação ao Irã podem moldar futuras negociações e alianças internacionais, afetando a estabilidade regional no Oriente Médio e a posição dos EUA no cenário global.