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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Pesquisa mostra quase metade dos americanos considera apoio dos EUA a Israel excessivo

Pesquisa mostra que quase metade dos americanos considera que os EUA apoiam Israel em excesso, enquanto maioria rejeita intervenção militar no Irã, refletindo divisão partidária.

Pesquisa mostra quase metade dos americanos considera apoio dos EUA a Israel excessivo

Uma pesquisa recente realizada pela Universidade Quinnipiac revelou que 48% dos eleitores americanos acreditam que os Estados Unidos oferecem um apoio excessivo a Israel, o maior índice registrado desde que a questão começou a ser feita em 2017. O levantamento também apontou que 60% dos entrevistados consideram que uma intervenção militar dos EUA no Irã não vale a pena, enquanto 34% acreditam que seria justificável.

O estudo indicou que 38% dos participantes consideram o nível atual de apoio americano a Israel adequado, e apenas 7% acham que o país não apoia Israel o suficiente. Quando analisados por filiação partidária, 66% dos democratas afirmaram que os EUA são excessivamente favoráveis a Israel, com apenas 9% defendendo que o apoio é insuficiente e 18% considerando-o adequado. Entre os republicanos, 20% acreditam que o apoio é excessivo, 69% o consideram adequado e 6% acham que é insuficiente.

Entre os eleitores independentes, 55% veem o apoio americano a Israel como excessivo, 34% o consideram adequado e 7% o consideram insuficiente. A pesquisa foi divulgada logo após três democratas críticos a Israel, incluindo dois anti-sionistas, vencerem suas primárias para a Câmara dos Deputados em Nova York. Em outras regiões, até mesmo alguns candidatos democratas tradicionalmente pró-Israel se distanciaram da lobby pró-Israel AIPAC.

Em relação à guerra contra o Irã, o levantamento mostrou uma divisão partidária clara. Entre os democratas, 93% são contra a intervenção militar, assim como 66% dos independentes. Já 75% dos republicanos entrevistados consideram a guerra justificável.

Ao serem questionados sobre quais temas são prioritários para suas decisões eleitorais para a Câmara dos Deputados, 41% dos eleitores citaram o conflito israelo-palestino, superando questões como centros de dados de inteligência artificial (38%) e o ex-presidente Donald Trump (38%). Os maiores temas de preocupação foram o alto custo de vida (70%) e a saúde (59%).

A pesquisa foi realizada entre os dias 18 e 22 de junho, com 1.165 eleitores registrados, e possui margem de erro de 3,4 pontos percentuais. Além disso, 48% dos entrevistados têm uma opinião desfavorável do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, enquanto 20% o veem favoravelmente e 30% afirmam não ter informações suficientes sobre ele.

Os eleitores também foram questionados sobre o memorando de entendimento firmado em 17 de junho com o Irã, que iniciou um período de negociação de 60 dias sem definir um fim para o programa nuclear iraniano. A maioria dos participantes expressou ceticismo quanto ao sucesso do acordo, com 59% demonstrando pouca ou nenhuma confiança, e 61% acreditando que o Irã provavelmente desenvolverá armas nucleares.

A pesquisa reflete um momento de mudança na opinião pública americana sobre o apoio a Israel e a postura em relação ao Irã, num contexto de debates intensos sobre política externa e segurança nacional. A crescente insatisfação entre eleitores democratas e independentes pode influenciar decisões políticas e estratégias eleitorais nos Estados Unidos.

Do ponto de vista estratégico, a percepção de que o apoio dos EUA a Israel é excessivo pode levar a uma reavaliação das políticas externas, especialmente em um cenário onde o conflito israelo-palestino permanece uma questão sensível. A resistência significativa à intervenção militar no Irã sugere que qualquer movimento nesse sentido enfrentaria forte oposição doméstica, o que pode limitar as opções do governo americano.

Além disso, a divisão partidária clara sobre esses temas indica que o debate continuará polarizado, com impactos diretos nas eleições legislativas e na formulação de políticas. A influência de grupos críticos a Israel dentro do Partido Democrata e a cautela dos republicanos em relação ao Irã podem moldar futuras negociações e alianças internacionais, afetando a estabilidade regional no Oriente Médio e a posição dos EUA no cenário global.