Um estudo recente realizado pelo Instituto de Democracia de Israel (IDI) revelou uma forte correlação entre a religiosidade dos eleitores judeus e suas escolhas políticas nas eleições israelenses de 2022. A análise mostra que os eleitores mais religiosos tendem a apoiar a coalizão de direita liderada pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, enquanto os eleitores seculares demonstram maior inclinação para partidos de oposição.
O levantamento, divulgado poucos meses antes das próximas eleições em Israel, baseou-se em 20 pesquisas realizadas entre novembro de 2022 e outubro de 2023, com a participação de 12.322 judeus israelenses com idade igual ou superior a 18 anos. A pesquisa não incluiu a população árabe israelense, que representa mais de 20% da população do país e possui representação própria no Knesset.
Nas eleições de 2022, a coalizão governista conseguiu 64 cadeiras no Knesset, enquanto a oposição conquistou 56. O partido Likud, liderado por Netanyahu, obteve 32 assentos, sendo o partido com maior número de representantes, seguido pelo partido centrista Yesh Atid, com 24 cadeiras.
O estudo identificou que 97% dos eleitores ultraortodoxos (Haredim) votaram em partidos da coalizão, com 86% deles apoiando diretamente partidos Haredim, como o United Torah Judaism (58%) e o Shas (28%). Uma pequena parcela dos Haredim (7%) votou em partidos de direita extrema, como Religious Zionism e Otzma Yehudit, enquanto 3% optaram pelo Likud.
Entre os eleitores religiosos sionistas, incluindo os Haredim nacionais (Hardal), 80% votaram na coalizão, com 45% apoiando a lista Religious Zionism-Otzma Yehudit e 22,5% votando no Likud. Outros 13% escolheram partidos Haredim e 9% votaram no partido de direita Jewish Home, que não atingiu representação no Knesset. A oposição de centro-direita, representada pelo National Unity, recebeu 5,5% dos votos desse grupo.
Os eleitores tradicionais também demonstraram forte apoio à coalizão, com cerca de dois terços votando em seus partidos. Destes, 46,5% escolheram o Likud e 14% optaram pela lista de direita extrema. Um quarto dos eleitores tradicionais dividiu seus votos entre Yesh Atid (13%) e National Unity (12,5%).
Por outro lado, os eleitores seculares apresentaram uma tendência contrária, com aproximadamente 74% votando em partidos de oposição. O maior apoio foi para o Yesh Atid, com 39%, seguido pelos partidos de esquerda Labor e Meretz, que juntos somaram 16%. O National Unity recebeu 13% dos votos seculares. Apenas 20% dos eleitores seculares votaram no Likud, enquanto o restante distribuiu seus votos entre outros partidos.
O estudo também destacou que o Likud depende significativamente do apoio dos judeus tradicionais, que representam 57% dos seus eleitores, enquanto 10% são religiosos nacionais e 32% seculares. Em contraste, o Yesh Atid tem 78,5% de seus eleitores entre os seculares e 20% entre os tradicionais.
A pesquisa enfatiza a importância da variável religiosa na divisão política israelense, que tem se intensificado nos últimos anos, refletindo uma sociedade fragmentada em grupos com identidades religiosas distintas. Essa segmentação tem implicações diretas na formação de coalizões e na estabilidade política do país.
Com as próximas eleições se aproximando, a tendência observada sugere que a coalizão de direita continuará a contar com o apoio dos setores mais religiosos da população, enquanto os partidos de oposição devem manter sua base entre os eleitores seculares. Essa divisão pode influenciar não apenas o resultado eleitoral, mas também as políticas públicas e o debate sobre o papel da religião na sociedade israelense.
Analistas apontam que essa polarização religiosa e política pode dificultar a construção de consensos e a governabilidade, especialmente em um cenário onde a composição do Knesset tende a permanecer fragmentada. A capacidade dos partidos de negociar e formar alianças será crucial para definir o futuro político do país.
Além disso, a ausência da população árabe na pesquisa destaca a necessidade de estudos mais abrangentes que considerem todos os segmentos da sociedade israelense, dada a representatividade e influência desse grupo no cenário político nacional.
Em resumo, a religiosidade continua sendo um fator determinante no comportamento eleitoral em Israel, moldando a configuração política e os desafios para a estabilidade governamental nas próximas eleições.