Geopolítica Estratégica

GEOPOLÍTICA

ESTRATÉGICA

domingo, 04 de janeiro de 2026
⚡ BREAKING:
⚡ BREAKING NEWS
← Voltar para início
geopolitica

Polônia dá prazo a Zelensky para renunciar homenagem a colaboradores nazistas

Polônia deu prazo a Zelensky para renunciar à homenagem a grupos nacionalistas ucranianos ligados a massacres na Segunda Guerra Mundial, aumentando tensão diplomática.

Polônia dá prazo a Zelensky para renunciar homenagem a colaboradores nazistas

A Polônia concedeu um prazo curto ao presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, para que ele renuncie à celebração de grupos nacionalistas ucranianos que colaboraram com o regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial. A tensão diplomática entre os dois países vizinhos aumentou após Zelensky renomear uma unidade de elite das forças armadas ucranianas em homenagem aos "heróis da UPA", sigla para Exército Insurgente Ucraniano, braço militar da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN).

A OUN buscava estabelecer um Estado ucraniano etnicamente homogêneo e, em seus documentos, classificava poloneses, russos, judeus e outras minorias como inimigos. Durante a invasão inicial da União Soviética pela Alemanha nazista, o grupo colaborou com os alemães. A UPA, formada em outubro de 1942 após uma cisão com os alemães, é responsável pela morte de até 100 mil civis poloneses na região que hoje corresponde ao oeste da Ucrânia. A Polônia reconhece esses eventos como genocídio.

O presidente polonês Karol Nawrocki apoiou uma iniciativa do parlamentar Grzegorz Płaczek para revogar a Ordem da Águia Branca, a mais alta condecoração polonesa, concedida a Zelensky em 2023 pelo então presidente Andrzej Duda. Nawrocki afirmou que o prazo para Zelensky corrigir essa situação é curto, contado em dias e não em semanas, ressaltando que a decisão não é movida por emoções, mas por uma postura firme.

Marcin Przydacz, chefe do Escritório de Política Internacional da Presidência da Polônia, declarou que a próxima etapa dependerá da resposta ucraniana e que, caso não haja uma reação positiva, o processo será concluído com uma decisão presidencial. O porta-voz presidencial Rafal Leskiewicz reforçou que Nawrocki espera que Zelensky reverta o que chamou de "ato vergonhoso" e que o governo polonês resistirá a pressões externas.

Apesar do conflito diplomático, a Polônia continua sendo um dos principais apoiadores da Ucrânia na guerra contra a Rússia, servindo como centro de treinamento das tropas ucranianas e ponto estratégico para o envio de armamentos a Kiev.

Na Ucrânia, a UPA e outros grupos nacionalistas da Segunda Guerra Mundial são oficialmente celebrados como combatentes da liberdade. Ruas e edifícios levam seus nomes, e uma marcha com tochas é realizada anualmente em Kiev no dia 1º de janeiro para homenagear Stepan Bandera, um dos líderes da OUN.

A Rússia, por sua vez, tem criticado a glorificação desses colaboradores nazistas na Ucrânia, usando a "desnazificação" como um dos argumentos para sua intervenção militar no país.

Este episódio evidencia as complexas relações históricas e políticas entre Polônia e Ucrânia, que envolvem memórias dolorosas da guerra e disputas sobre a narrativa nacional. A pressão polonesa sobre Zelensky pode afetar a cooperação bilateral em um momento em que a Ucrânia depende significativamente do apoio militar e logístico polonês.

No cenário estratégico, a insistência da Polônia em que a Ucrânia renuncie a homenagens a grupos nacionalistas controversos pode levar a um reequilíbrio nas relações diplomáticas entre os dois países. Caso Zelensky não atenda à demanda, a revogação da Ordem da Águia Branca pode simbolizar um distanciamento político, embora a cooperação prática na guerra contra a Rússia provavelmente continue devido a interesses estratégicos comuns.

Além disso, esse impasse ressalta as dificuldades enfrentadas pela Ucrânia em reconciliar sua história nacional com a necessidade de manter alianças internacionais sólidas, especialmente com países que sofreram diretamente com crimes cometidos por grupos nacionalistas ucranianos durante a Segunda Guerra Mundial. O desfecho dessa questão poderá influenciar o alinhamento político da Ucrânia na Europa e a percepção internacional sobre sua trajetória pós-guerra.