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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Polônia retira maior condecoração de Zelensky por nomeação de unidade militar ucraniana

A Polônia revogou a Ordem da Águia Branca concedida a Zelensky após a Ucrânia nomear uma unidade militar em homenagem ao Exército Insurgente Ucraniano, grupo controverso da Segunda Guerra Mundial, gerando tensão diplomática entre os países.

Polônia retira maior condecoração de Zelensky por nomeação de unidade militar ucraniana

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, teve a mais alta honraria estatal da Polônia, a Ordem da Águia Branca, revogada devido à decisão de nomear uma unidade militar ucraniana em homenagem ao Exército Insurgente Ucraniano (UPA), grupo controverso da Segunda Guerra Mundial. A medida gerou um atrito diplomático entre Varsóvia e Kiev, refletindo tensões históricas e políticas entre os dois países.

Karol Nawrocki, presidente da Polônia, qualificou a decisão ucraniana como "indigna", "incompreensível" e "profundamente decepcionante". Apesar disso, Nawrocki ressaltou que o episódio não afetará o apoio polonês à Ucrânia na guerra contra a Rússia, mantendo a solidariedade frente à invasão russa iniciada em 2022.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, criticou a atitude da Polônia, classificando-a como um "erro estratégico" e uma demonstração de desrespeito. Ele anunciou que devolverá uma condecoração que recebeu da Polônia em 2022, afirmando que nenhum presidente estrangeiro deve impor interpretações sobre a história ucraniana.

Para muitos ucranianos, o UPA é visto como um símbolo de resistência e luta pela independência nacional, tendo combatido tanto o Exército Vermelho soviético quanto as forças nazistas e autoridades polonesas durante as décadas de 1940 e 1950. O título "Heróis do Exército Insurgente Ucraniano" representa uma honra significativa para o país.

Por outro lado, a Polônia acusa o UPA de perpetrar um genocídio contra a população polonesa na região da Volínia entre 1943 e 1945, com estimativas de cerca de 100 mil mortos. Para a maioria da sociedade polonesa, o UPA é associado a crimes brutais cometidos contra cidadãos poloneses durante a Segunda Guerra Mundial.

Nawrocki destacou que a glorificação do UPA pela Ucrânia não só fere a memória histórica polonesa, mas também mina a confiança construída ao longo dos anos, especialmente após a recepção de centenas de milhares de refugiados ucranianos na Polônia após a invasão russa. Ele enfatizou que a integração da Ucrânia às estruturas europeias exige o enfrentamento honesto de capítulos difíceis de sua história.

O presidente polonês afirmou que a Europa unida se baseia na rejeição do totalitarismo e do culto à violência, princípios que devem ser aplicados a todos os países candidatos à União Europeia. Segundo ele, aqueles que não compreendem esses valores não têm lugar na UE, e a Polônia não permitirá exceções.

A Ucrânia iniciou recentemente a primeira fase das negociações para adesão à União Europeia, com encontros em Luxemburgo. O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, buscou amenizar as tensões diplomáticas, apelando para que Zelensky e Nawrocki controlem as emoções e evitem alimentar o conflito, alertando que a disputa beneficia o presidente russo Vladimir Putin.

O uso da bandeira vermelha e preta do UPA por tropas ucranianas na linha de frente reforça o simbolismo do grupo para a Ucrânia contemporânea. Zelensky justificou a nomeação da unidade militar com o objetivo de restaurar as tradições históricas do exército nacional.

A Ordem da Águia Branca foi concedida a Zelensky em 2023 pelo então presidente polonês Andrzej Duda. Até o momento, Zelensky não se pronunciou diretamente sobre a controvérsia. No entanto, o episódio evidencia a complexidade das relações entre Ucrânia e Polônia, marcada por memórias históricas conflitantes e interesses geopolíticos atuais.

Essa disputa pode influenciar as dinâmicas regionais, especialmente no contexto da guerra na Ucrânia e das ambições europeias de Kiev. A manutenção do apoio polonês é crucial para a Ucrânia, mas o episódio demonstra como questões históricas podem afetar alianças estratégicas. O futuro das relações dependerá da capacidade dos dois países de equilibrar a memória histórica com as necessidades políticas e militares contemporâneas.

Em termos estratégicos, a tensão pode dificultar a cooperação bilateral em áreas como segurança, ajuda humanitária e negociações europeias, embora ambos os lados tenham interesse em preservar a aliança contra a Rússia. A gestão desse impasse exigirá diálogo cuidadoso para evitar que divergências históricas comprometam a unidade regional e o suporte internacional à Ucrânia.

Nos próximos meses, será importante observar como as lideranças de Polônia e Ucrânia conduzirão essa questão, buscando soluções que conciliem respeito às memórias históricas com a urgência dos desafios geopolíticos atuais. A situação reforça a complexidade das relações pós-conflito na Europa Oriental e a necessidade de abordagens diplomáticas sensíveis e pragmáticas.