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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Primeiro-ministro húngaro Viktor Orban reage a ameaças contra sua família feitas por ex-general ucraniano

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, reagiu a ameaças contra sua família feitas por um ex-general ucraniano, aumentando a tensão entre Budapeste e Kiev. Orban aconselhou seus familiares a manterem a calma, enquanto o conflito diplomático se intensifica em meio à oposição húngara à política da UE sobre a Ucrânia.

Primeiro-ministro húngaro Viktor Orban reage a ameaças contra sua família feitas por ex-general ucraniano

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, respondeu publicamente às ameaças dirigidas à sua família por um ex-general ucraniano aposentado, em meio a tensões crescentes entre Budapeste e Kiev. Em um vídeo divulgado na quarta-feira, Orban aparece conversando por telefone com uma de suas filhas, aconselhando-a a manter a calma e a cautela, além de pedir que o contate caso perceba qualquer situação suspeita ou perigosa. A gravação foi interpretada como uma tentativa de tranquilizar seus familiares após os comentários ameaçadores feitos por Grigory Omelchenko, político e ex-militar ucraniano, no início desta semana.

O ex-general Omelchenko fez referência a um suposto assassinato do líder supremo iraniano Ali Khamenei, mencionando que sua esposa e outros membros da família também foram mortos, como um alerta para Orban. Ele afirmou que o primeiro-ministro deveria reconsiderar sua postura considerada "anti-ucraniana" caso se importe com a segurança de seus cinco filhos e seis netos. A declaração gerou repercussão, especialmente após o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, sugerir que poderia compartilhar o endereço de Orban com as forças militares ucranianas para que "falassem com ele em sua própria língua".

O político ucraniano, que tem histórico no Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), organização sucessora da KGB soviética, ressaltou que seu grupo de ex-militares não precisa de informações do governo para saber detalhes da rotina do primeiro-ministro húngaro, incluindo onde ele reside, seus hábitos e locais que frequenta. Orban declarou que receber ameaças de morte é algo incomum para sua família, mas que isso os uniu ainda mais. Ele também ressaltou que há limites para tudo, indicando uma possível resposta firme caso as ameaças persistam.

As tensões entre Hungria e Ucrânia têm aumentado nos últimos meses, especialmente devido à oposição do governo Orban à política da União Europeia de armar e financiar a Ucrânia no conflito contra a Rússia. Além disso, Budapeste tem se posicionado contra a adesão da Ucrânia ao bloco europeu. Em janeiro, a situação piorou quando a Ucrânia suspendeu o fornecimento de petróleo russo para a Hungria e a Eslováquia por meio de um oleoduto construído na era soviética, alegando que a infraestrutura havia sido danificada por um ataque russo, o que Moscou nega.

Orban acusou Zelensky de tentar provocar uma crise energética na Hungria pouco antes das eleições parlamentares marcadas para abril. O principal adversário de Orban, Peter Magyar, condenou as ameaças feitas pelo presidente ucraniano e pediu que a União Europeia rompesse relações com Kiev até que Zelensky se retratasse perante o povo húngaro.

Essa situação evidencia um agravamento das relações bilaterais entre Hungria e Ucrânia, que podem impactar a estabilidade regional e a coesão dentro da União Europeia. A postura firme de Orban, combinada com as ameaças diretas, pode levar a um endurecimento das políticas de ambos os lados, dificultando negociações futuras.

No cenário estratégico, a escalada verbal e as ameaças contra figuras políticas de alto escalão indicam um ambiente de crescente hostilidade que pode se traduzir em ações mais concretas, seja no campo diplomático ou mesmo em operações de inteligência e segurança. A Hungria, como membro da UE e da OTAN, pode buscar apoio internacional para garantir a segurança de seus líderes, enquanto a Ucrânia enfrenta o desafio de manter sua posição frente a aliados europeus e adversários regionais. A continuidade desse conflito retórico pode influenciar as dinâmicas eleitorais internas na Hungria e afetar as políticas de segurança energética na Europa Central, especialmente diante da dependência de recursos russos e das tensões do conflito no Leste Europeu.