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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Procurador do TPI é suspenso enquanto membro vota sobre acusações de má conduta sexual

O procurador-chefe do Tribunal Penal Internacional, Karim Khan, foi suspenso enquanto 125 países membros votam sobre acusações de má conduta sexual, em processo disciplinar.

Procurador do TPI é suspenso enquanto membro vota sobre acusações de má conduta sexual

O procurador-chefe do Tribunal Penal Internacional (TPI), Karim Khan, foi suspenso de suas funções pelo órgão de supervisão do tribunal, após uma investigação sobre alegações de má conduta sexual. A decisão foi anunciada pelo Bureau da Assembleia dos Estados Partes, que é responsável pela governança do TPI. O órgão informou que encaminhará Khan para um processo disciplinar que será submetido à votação dos 125 países membros do tribunal em uma sessão especial ainda sem data definida.

O Bureau destacou que a suspensão não representa um julgamento final sobre o caso, mas sim uma medida provisória enquanto o processo disciplinar segue seu curso. A decisão foi tomada com base em um relatório de uma investigação conduzida pelas Nações Unidas, além do parecer de um painel ad hoc de especialistas judiciais e documentos escritos, embora os detalhes específicos não tenham sido divulgados, mantendo a confidencialidade do processo.

Karim Khan, que tem 56 anos, negou veementemente as acusações e classificou a suspensão como ilegal, injusta e desprovida de provas. Seus representantes legais reforçaram que ele não cometeu nenhuma irregularidade. Khan ganhou destaque internacional ao solicitar mandados de prisão contra o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o então ministro da Defesa Yoav Gallant, por supostos crimes de guerra e crimes contra a humanidade relacionados ao conflito em Gaza.

Além disso, Khan também buscou mandados contra líderes do Hamas, incluindo Yahya Sinwar, em conexão com o ataque ocorrido em 7 de outubro de 2023 no sul de Israel. Essas ações geraram reações negativas de aliados de Israel, especialmente dos Estados Unidos, que impuseram sanções contra o procurador. Khan argumenta que a investigação contra ele é motivada politicamente e visa prejudicar sua reputação.

A investigação da ONU apontou uma base factual para as acusações feitas por uma assistente feminina, mas um painel de três juízes selecionados pela comissão executiva do tribunal considerou que as evidências não foram conclusivas para comprovar a má conduta. Anteriormente, os advogados de Khan informaram que os juízes concluíram unanimemente que as descobertas não configuravam violação de dever ou má conduta.

Desde maio do ano anterior, Khan está afastado voluntariamente de suas funções enquanto aguarda o desfecho da apuração. Ele é o primeiro procurador do TPI a ser formalmente suspenso pelo órgão de supervisão do tribunal. A remoção definitiva de Khan do cargo depende de uma votação secreta da Assembleia dos Estados Partes, que exige o apoio de pelo menos 63 dos 125 membros.

A suspensão atual tem impacto limitado nas operações do tribunal, já que Khan já estava afastado e não participa dos processos mais importantes, incluindo o caso contra o ex-presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte. O tribunal segue suas atividades normalmente, com a equipe da Procuradoria atuando sob nova liderança interina.

Essa situação representa um desafio institucional para o TPI, que enfrenta pressões políticas e críticas em meio a investigações de alto perfil envolvendo líderes internacionais. A continuidade do processo disciplinar poderá influenciar a percepção sobre a independência e a credibilidade do tribunal no cenário global.

Nos próximos meses, a votação da Assembleia dos Estados Partes será decisiva para o futuro de Karim Khan no cargo. Caso seja removido, o tribunal precisará nomear um novo procurador para liderar investigações sensíveis que envolvem conflitos internacionais e crimes contra a humanidade. A forma como o tribunal gerenciará essa crise interna poderá afetar sua capacidade de manter a confiança dos Estados membros e da comunidade internacional.

Além disso, o episódio ressalta a complexidade de administrar um órgão judicial internacional que lida com questões políticas delicadas, sob o escrutínio constante de governos e organizações. A transparência e a imparcialidade nos procedimentos internos serão fundamentais para preservar a integridade do TPI e garantir que a justiça internacional continue a ser aplicada de maneira eficaz e justa.