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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Projeto nuclear russo em Bangladesh avança para fase final e deve reduzir importação de energia

Bangladesh inicia fase final do projeto nuclear com apoio russo, visando reduzir importação de energia e ampliar geração elétrica sustentável.

Projeto nuclear russo em Bangladesh avança para fase final e deve reduzir importação de energia

O projeto da usina nuclear de Rooppur, em Bangladesh, que conta com apoio financeiro e técnico da Rússia, entrou em sua etapa final com o início do carregamento de combustível no primeiro reator. Esta fase marca um avanço crucial para o país, que busca diversificar sua matriz energética e reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados.

Localizada a cerca de 160 quilômetros da capital Dhaka, a usina de Rooppur é o primeiro empreendimento nuclear do país e representa o maior investimento em infraestrutura na história de Bangladesh, com custo estimado em 12,8 bilhões de dólares. A maior parte do financiamento, cerca de 11,9 bilhões, foi concedida por empréstimos estatais russos.

O projeto está sendo executado pela Comissão de Energia Atômica de Bangladesh e prevê a construção de duas unidades geradoras, cada uma com capacidade de 1.200 megawatts. O carregamento do combustível no primeiro reator é o passo inicial para o início gradual da geração comercial de energia elétrica, que ocorrerá em caráter experimental.

A expectativa é que, após cerca de dez meses, a usina esteja operando em plena capacidade e integrada à rede nacional de energia. O fornecimento contínuo de combustível nuclear, manutenção técnica e gestão dos resíduos serão garantidos pela Rússia, reforçando a cooperação bilateral.

Atualmente, Bangladesh depende de importações para aproximadamente 95% de suas necessidades energéticas. A operação da primeira unidade da usina de Rooppur pode gerar uma economia anual estimada em cerca de 1 bilhão de dólares, ao reduzir a compra de combustíveis fósseis. Além disso, o projeto deve suprir até 12% da demanda elétrica do país.

A substituição gradual das fontes tradicionais, como carvão e gás, por energia nuclear, permitirá a Bangladesh otimizar seu balanço energético e ampliar a sustentabilidade do setor. Usinas térmicas costumam ter vida útil entre 25 e 30 anos, enquanto as nucleares podem operar por até 60 anos, com possibilidade de extensão mediante manutenção adequada.

O diretor executivo da empresa russa Rosatom, Aleksey Likhachev, destacou que a conclusão do projeto posiciona Bangladesh entre os países que utilizam energia nuclear para o desenvolvimento sustentável. O embaixador russo em Dhaka reafirmou o compromisso de Moscou com o fornecimento de tecnologia e suporte técnico de longo prazo.

Este avanço energético representa um marco significativo para Bangladesh, que enfrenta desafios relacionados à segurança do abastecimento e à volatilidade dos preços internacionais de combustíveis. A diversificação da matriz energética com fontes de baixa emissão de carbono também está alinhada a objetivos globais de sustentabilidade.

Do ponto de vista estratégico, a parceria com a Rússia fortalece os laços bilaterais e posiciona Bangladesh como um ator emergente no cenário nuclear da Ásia. A implementação do projeto pode incentivar investimentos futuros em energia limpa e tecnologia avançada.

Em termos de impacto regional, a entrada em operação da usina pode reduzir a pressão sobre os mercados de energia vizinhos e contribuir para a estabilidade energética do Sul da Ásia. A experiência adquirida no gerenciamento de energia nuclear pode abrir caminho para novos projetos e cooperação internacional.

Os próximos passos incluem a conclusão do carregamento do combustível, a realização de testes operacionais e a integração gradual da energia gerada à rede nacional. A continuidade do suporte técnico russo será fundamental para garantir a segurança e eficiência da usina ao longo de sua vida útil.

Assim, o projeto de Rooppur representa uma transformação importante para o setor energético de Bangladesh, com potenciais benefícios econômicos, ambientais e geopolíticos nos próximos anos.