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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Promotores dos EUA acusam Maduro de 'saquear' riqueza da Venezuela em disputa judicial sobre honorários advocatícios

Ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa enfrentam disputa judicial nos EUA sobre o uso de fundos do governo venezuelano para custear defesa legal. Juiz reconhece direito à defesa, mas caso permanece aberto. Acusações incluem narcoterrorismo e tráfico de armas, e sanções americanas complicam o acesso aos recursos. Processo pode influenciar relações entre EUA e Venezuela e o futuro político venezuelano.

Promotores dos EUA acusam Maduro de 'saquear' riqueza da Venezuela em disputa judicial sobre honorários advocatícios

Em um tribunal de Nova York, os promotores americanos apresentaram argumentos contundentes contra o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma disputa judicial que envolve o uso de fundos do governo venezuelano para custear suas defesas legais. A controvérsia gira em torno da aplicação das sanções impostas pelos Estados Unidos à Venezuela, que impedem o acesso a recursos governamentais, mas que os advogados de Maduro buscam flexibilizar para garantir o pagamento dos honorários advocatícios.

Na audiência realizada na quinta-feira, o juiz Alvin Hellerstein, de 92 anos, demonstrou uma postura compreensiva quanto ao direito fundamental à defesa, apesar de não ter decidido ainda sobre o pedido para arquivar o processo. Ele ressaltou que o caso não seria encerrado por conta da disputa financeira e prometeu emitir uma decisão futura, incluindo a marcação da próxima sessão judicial.

Maduro e Flores foram detidos em 3 de janeiro em uma operação noturna realizada por forças dos EUA em Caracas. Eles foram levados para Nova York para responder a acusações relacionadas a narcoterrorismo, tráfico de armas e drogas, todas negadas pelo casal. Durante a audiência, ambos permaneceram em silêncio, trajando uniformes prisionais verdes, enquanto ouviam as argumentações por meio de fones de ouvido com tradução simultânea.

O contexto do processo é agravado pelas sanções econômicas dos EUA contra a Venezuela, que incluem a restrição do uso de fundos governamentais para fins legais. Inicialmente, a licença para que o governo venezuelano custeasse a defesa foi concedida pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), mas depois revogada. Os promotores afirmam que Maduro e sua esposa não deveriam ter acesso a esses recursos devido a preocupações de segurança nacional e acusam o casal de ter se apropriado indevidamente da riqueza do país.

A defesa argumenta que a complexidade do caso, que envolve acusações graves e ocorre em um país estrangeiro, torna inviável a representação por um advogado público, o que justificaria o uso dos fundos governamentais para contratar uma equipe jurídica especializada. O juiz Hellerstein demonstrou certa concordância com essa perspectiva, destacando a importância de garantir uma defesa adequada.

Por outro lado, os promotores sustentam que as sanções refletem uma política de longa data contra o regime de Maduro, que teria explorado os recursos venezuelanos para benefício próprio. O magistrado questionou essa linha de raciocínio, observando que a situação política mudou após a prisão de Maduro, com a vice-presidente Delcy Rodríguez assumindo o poder e o restabelecimento das relações diplomáticas entre os EUA e a Venezuela.

Durante a audiência, o juiz expressou dificuldades em encontrar uma solução para o impasse, especialmente diante do pedido da defesa para que o caso fosse arquivado devido à restrição dos fundos. Ele repetidamente questionou as partes sobre qual seria a solução adequada para o conflito.

Até o momento, Maduro e Flores não solicitaram liberdade provisória e permanecem detidos no Centro de Detenção Metropolitana em Brooklyn. Não há data marcada para o julgamento.

Em paralelo, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou em reunião de gabinete que o governo considera apresentar novas acusações contra Maduro, garantindo que o ex-líder venezuelano terá um julgamento justo.

Nas ruas de Caracas, a população acompanha com atenção os desdobramentos do processo. Enquanto alguns demonstram simpatia pelo ex-presidente, reconhecendo seus erros, outros mantêm a esperança de sua libertação, contestando as acusações e criticando a postura dos EUA em relação à Venezuela.

A situação jurídica de Maduro e sua esposa representa um capítulo complexo nas relações entre os Estados Unidos e a Venezuela, envolvendo questões de soberania, direitos legais e geopolítica. A decisão sobre o uso dos fundos governamentais para a defesa pode estabelecer precedentes importantes para casos similares envolvendo sanções internacionais.

Do ponto de vista estratégico, o desfecho dessa disputa poderá influenciar o equilíbrio político na Venezuela, especialmente considerando a transição de poder para Delcy Rodríguez e o restabelecimento das relações diplomáticas com os EUA. Caso Maduro consiga acesso aos recursos para sua defesa, poderá montar uma estratégia jurídica mais robusta, o que pode prolongar o processo e impactar a dinâmica interna do país.

Além disso, a possibilidade de novas acusações anunciadas pelo governo americano indica que a pressão sobre o regime venezuelano deve continuar, mantendo o país sob intenso escrutínio internacional. O cenário futuro dependerá da capacidade das partes de negociar acordos judiciais e políticos, bem como da resposta da comunidade internacional às ações dos EUA e da Venezuela.