No dia 20 de julho de 2026, a capital da Índia, Nova Délhi, foi palco de um protesto massivo organizado pelo partido Cockroach Janta Party (CJP), que reuniu dezenas de milhares de manifestantes. O objetivo principal do ato era reivindicar reformas no sistema educacional e exigir a renúncia do ministro da Educação. Durante a manifestação, forças policiais e paramilitares reprimiram os manifestantes com uso de bastões, cassetetes e gás lacrimogêneo, resultando em confrontos violentos.
Relatos oficiais indicam que 60 manifestantes e 118 agentes de segurança ficaram feridos, embora o CJP acredite que o número real de feridos entre os protestantes seja significativamente maior. Em meio às controvérsias sobre as táticas usadas para conter a multidão, especialistas independentes em balística confirmaram que várias vítimas apresentaram ferimentos compatíveis com disparos de armas de chumbo, conhecidas popularmente como "pellet guns".
Essas armas, geralmente utilizadas para caça de aves, disparam cartuchos contendo centenas de pequenos projéteis metálicos que se dispersam em um amplo arco, atingindo indiscriminadamente as pessoas. O uso dessas armas para controle de multidões é proibido em diversos países devido ao potencial de causar ferimentos graves e até fatais.
Dois especialistas britânicos em armamentos e forense balística analisaram imagens, vídeos e fotografias das vítimas e confirmaram que os ferimentos são característicos de disparos com cartuchos de chumbo. Um deles, Philip Boyce, afirmou que as marcas de perfuração são típicas de armas calibre 12 com ação pump, que disparam os projéteis em grande quantidade. Ele ressaltou que, mesmo a distâncias superiores a 15 metros, esses disparos podem causar ferimentos sérios e potencialmente ameaçar a vida.
Outro especialista, NR Jenzen-Jones, diretor do Armament Research Services (ARES), destacou que as forças de segurança indianas têm histórico no uso dessas armas em situações de controle de multidões, especialmente na região de Jammu e Caxemira, onde seu emprego desde 2010 já resultou em milhares de feridos, dezenas de cegos e pelo menos 17 mortes.
Entre os feridos em Nova Délhi, Mohit, um jornalista de 28 anos, relatou ter sido atingido por projéteis de chumbo enquanto tentava se afastar da área do protesto. Exames realizados no hospital Safdarjung mostraram a presença de 30 pequenos projéteis alojados em seu braço e costas. Apesar da recomendação médica para não realizar cirurgia, ele expressa preocupação com os danos a longo prazo e as cicatrizes.
Outro caso grave é o de Shaikh Irshad Mansoori, que foi atingido no rosto e no corpo por múltiplos projéteis. Ele precisou passar por cirurgia para remoção de alguns fragmentos, mas alguns permanecem alojados em áreas sensíveis, como o pescoço. Irshad continua sentindo dores mais de dez dias após o incidente.
Autoridades hospitalares confirmaram que os ferimentos foram causados por pequenos projéteis, mas não se pronunciaram oficialmente sobre a origem dos disparos. A polícia de Délhi negou o uso de armas de chumbo, afirmando não possuir esse tipo de equipamento. Entretanto, relatos da imprensa local indicam que a Rapid Action Force (RAF), uma força paramilitar subordinada à Central Reserve Police Force (CRPF), teria efetuado os disparos. Até o momento, o chefe da CRPF não respondeu às solicitações para comentar o caso.
No parlamento, o ministro Jitendra Singh declarou que não houve disparos de balas durante os protestos, apenas o uso de gás lacrimogêneo, sem mencionar o uso de armas de chumbo. O líder da oposição, Rahul Gandhi, criticou duramente a atuação das forças de segurança e pediu a demissão do ministro do Interior, Amit Shah, responsável pelas polícias que atuaram no evento.
Sahil Lochab, um estudante universitário de 19 anos, apresentou ferimentos visíveis no rosto e no corpo, com múltiplos orifícios causados por projéteis. Ele participou da manifestação motivado por preocupações com vazamentos recorrentes de provas de concursos públicos, que afetaram sua própria candidatura para a polícia. Sahil relatou ter sido atingido enquanto marchava em direção às forças de segurança e afirmou que não conseguia identificar quem efetuou os disparos.
O uso de armas de chumbo para controle de multidões em Nova Délhi, se confirmado oficialmente, representaria uma mudança significativa na estratégia das forças de segurança indianas, que até então não haviam empregado esse tipo de armamento na capital.
Analisando o cenário, a confirmação do uso dessas armas pode provocar um aumento da pressão política sobre o governo, especialmente em relação à gestão da segurança pública e aos direitos civis. A repercussão dos ferimentos graves em jovens manifestantes pode motivar debates sobre a necessidade de revisão das táticas policiais e maior transparência nas investigações dos incidentes.
Além disso, a possibilidade de sequelas permanentes entre os feridos e o uso controverso de armas potencialmente letais em manifestações pacíficas pode afetar a imagem internacional da Índia em relação ao tratamento dos protestos sociais. O governo poderá enfrentar demandas por restrições mais rigorosas ao emprego dessas armas e por maior responsabilização das autoridades envolvidas.
Os próximos passos provavelmente envolverão investigações oficiais para esclarecer os fatos e avaliar a legalidade do uso das armas de chumbo. A resposta das instituições e a condução dessas apurações serão determinantes para a estabilidade política e social no curto prazo, especialmente diante da crescente mobilização de grupos civis em defesa dos direitos humanos e da liberdade de expressão.