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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Putin critica OTAN em desfile reduzido do Dia da Vitória na Rússia

Putin criticou a OTAN durante o desfile reduzido do Dia da Vitória na Rússia, destacando a guerra na Ucrânia e a ausência inédita de equipamentos militares no evento.

Putin critica OTAN em desfile reduzido do Dia da Vitória na Rússia

No dia 9 de maio, o presidente russo Vladimir Putin realizou seu discurso anual no Desfile do Dia da Vitória na Praça Vermelha, em Moscou, evento que marca a vitória da União Soviética sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial. Nesta edição, o desfile foi significativamente reduzido, sem a exibição de equipamentos militares, uma decisão inédita em quase duas décadas. O presidente usou a ocasião para justificar a guerra da Rússia na Ucrânia, qualificando-a como uma operação militar especial contra uma "força agressora" apoiada pela aliança da OTAN.

Putin discursou diante de centenas de militares e de alguns líderes internacionais presentes, entre eles o presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, o presidente do Laos, Thongloun Sisoulith, e o rei da Malásia, Sultan Ibrahim. A participação de autoridades estrangeiras foi menor em comparação ao desfile do ano anterior, que contou com a presença de líderes como Xi Jinping, da China, e Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil.

Durante seu pronunciamento, Putin relembrou os sacrifícios dos soldados soviéticos na Segunda Guerra Mundial e destacou a continuidade do espírito de luta nas forças russas atualmente envolvidas no conflito na Ucrânia. Ele afirmou que os soldados russos enfrentam uma força agressiva armada e apoiada pelo bloco da OTAN, mas que, mesmo assim, avançam com coragem.

Além disso, o presidente russo valorizou o papel da população civil na guerra, mencionando cientistas, inventores, correspondentes militares, médicos e professores como fundamentais para o esforço nacional. Ele ressaltou que, independentemente das mudanças nas táticas militares, o futuro do país depende do empenho do povo.

O desfile contou com uma marcha militar dos soldados, mas, pela primeira vez em muitos anos, não houve a exibição de tanques, mísseis ou outros equipamentos bélicos. A ausência do armamento foi justificada pelas autoridades russas pela "situação operacional atual" no conflito, com parlamentares afirmando que os veículos militares estão em uso no campo de batalha e, portanto, não disponíveis para o desfile.

Além das medidas de redução do desfile, a segurança foi reforçada devido a ameaças de ataques com drones ucranianos, o que contribuiu para a decisão de limitar o evento. Em outras regiões da Rússia, como Vladivostok, no extremo leste do país, ocorreram celebrações menores, incluindo a tradicional marcha do Regimento Imortal, que homenageia veteranos da guerra.

Este ano, o Dia da Vitória também foi marcado por um cessar-fogo acordado entre Rússia e Ucrânia para os dias 8 e 9 de maio, anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e que, apesar de algumas acusações mútuas de violações, aparentemente foi respeitado durante as comemorações.

A invasão russa à Ucrânia, iniciada em 2022, já ultrapassou quatro anos, e o conflito continua a impactar a dinâmica militar e política da região. A redução do desfile militar em Moscou reflete a pressão sobre os recursos bélicos russos e a necessidade de adaptação diante do prolongamento da guerra.

A ausência de equipamentos militares no desfile pode ser interpretada como um indicativo das dificuldades enfrentadas pelas forças russas no conflito, além de um gesto simbólico de contenção diante do cenário atual. A participação reduzida de líderes estrangeiros também sugere um isolamento diplomático crescente da Rússia em meio à guerra.

Nos próximos meses, a continuidade do conflito e as negociações para cessar-fogo ou acordos de paz devem influenciar diretamente as estratégias militares e políticas de Moscou. A forma como a Rússia conduzirá suas operações e manterá o apoio interno será crucial para o desenrolar da guerra e para a estabilidade da região como um todo.