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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Quatro décadas após Chernobyl: o estado atual de Pripyat

Quarenta anos após o desastre nuclear de Chernobyl, a cidade de Pripyat permanece abandonada, marcada pela tragédia que mudou a história da Ucrânia. O acidente expôs falhas na segurança nuclear soviética e destaca desafios atuais na proteção das instalações, especialmente após danos causados durante o conflito com a Rússia. O legado de Chernobyl reforça a importância da transparência e vigilância na energia nuclear.

Quatro décadas após Chernobyl: o estado atual de Pripyat

Em 26 de abril de 1986, a explosão do reator 4 da usina nuclear de Chernobyl provocou a evacuação imediata e definitiva da cidade de Pripyat, localizada a apenas três quilômetros do local do acidente. Fundada em 1970 para abrigar os trabalhadores da usina e suas famílias, Pripyat era uma cidade moderna e símbolo do avanço soviético na energia nuclear, com cerca de 50 mil habitantes, 160 edifícios residenciais, 13.500 apartamentos, 15 jardins de infância e cinco escolas.

Quarenta anos depois, a cidade permanece abandonada, tomada pela natureza e pelo tempo. Ruas estão repletas de veículos enferrujados, brinquedos infantis, eletrodomésticos e utensílios domésticos espalhados, enquanto prédios apresentam janelas quebradas e portas abertas, testemunhando a saída abrupta de seus moradores. A atmosfera é marcada por placas que alertam sobre os níveis de radioatividade, ainda presentes e perigosos.

Volodymyr Vorobey, ex-residente de Pripyat, relembra sua vida na cidade antes do desastre. Na época do acidente, ele tinha 18 anos e trabalhava como eletricista. No dia da explosão, ele não ouviu o estrondo, mas sentiu o calor intenso que emanava do reator destruído. A evacuação ocorreu na noite do mesmo dia, e muitos moradores, incluindo Vorobey, acreditavam que poderiam retornar em poucos dias. No entanto, o que se seguiu foi uma permanência definitiva fora da cidade.

Vorobey destaca que, durante a era soviética, a segurança nuclear era considerada absoluta. A população e até mesmo os trabalhadores da usina desconheciam os reais riscos e a extensão da contaminação radioativa. Informações sobre os perigos eram restritas, e a cultura de obediência e sigilo predominante impediu a divulgação completa dos fatos, o que pode ter contribuído para a gravidade do desastre.

Pripyat ainda preserva símbolos soviéticos, como emblemas e frases que refletem a ideologia da época, incluindo o lema "O átomo deve ser trabalhador, não soldado". A cidade, que antes era um exemplo do progresso tecnológico, hoje é um monumento silencioso das consequências de um acidente nuclear.

Após o desastre, uma nova cidade, Slavutych, foi construída para acomodar os trabalhadores deslocados da usina. Embora a produção de energia em Chernobyl tenha cessado em 2000, o processo de descomissionamento da usina continua, incluindo a remoção segura de combustível radioativo e o manejo de resíduos. Em 2019, foi concluída a instalação do Novo Confinamento Seguro, uma estrutura protetora sobre o reator destruído, que sofreu danos em 2025 devido a um ataque com drone durante o conflito entre Rússia e Ucrânia, comprometendo sua capacidade de contenção.

Antes da invasão russa em 2022, turistas podiam visitar Pripyat e seu icônico parque de diversões, cuja roda-gigante nunca chegou a operar oficialmente. Vorobey relata que, apesar da tragédia, ele participou de testes na roda-gigante durante seus estudos técnicos.

O impacto do desastre de Chernobyl vai além da contaminação ambiental e da perda imediata de vidas. Ele alterou o curso da história da Ucrânia e do mundo, evidenciando os riscos da energia nuclear e a importância da transparência e da segurança em setores críticos. A experiência de Pripyat serve como um alerta sobre os perigos de sistemas autoritários que limitam a informação e a fiscalização.

Analisando o cenário atual, a manutenção e segurança das instalações nucleares na região continuam sendo uma prioridade estratégica, especialmente diante da instabilidade provocada pelo conflito armado. A vulnerabilidade do Novo Confinamento Seguro após o ataque de 2025 destaca a necessidade de reforço das medidas de proteção para evitar novos acidentes que poderiam agravar ainda mais a crise ambiental e humanitária.

No futuro próximo, o controle internacional e o monitoramento rigoroso da zona de exclusão serão essenciais para garantir a segurança da população e do meio ambiente. Além disso, o legado de Chernobyl influencia debates globais sobre o uso da energia nuclear, impulsionando avanços em protocolos de segurança e transparência, fundamentais para prevenir tragédias semelhantes.