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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Ratko Mladic é enterrado com honras militares em Belgrado em meio a tensão política na Sérvia

Ratko Mladic, condenado por genocídio, foi enterrado com honras militares em Belgrado, gerando críticas da UE e tensão política na Sérvia às vésperas das eleições parlamentares. O funeral reflete desafios do país em lidar com seu passado e a polarização atual.

Ratko Mladic é enterrado com honras militares em Belgrado em meio a tensão política na Sérvia

Ratko Mladic, ex-comandante do Exército Sérvio da Bósnia e condenado por genocídio em Srebrenica, foi enterrado em Belgrado com honras militares. O funeral, realizado no Cemitério Topcider, foi acompanhado por milhares de pessoas e transmitido ao vivo pela emissora pró-governo Informer TV, que destacou o evento como uma despedida "magnífica", sem mencionar as vítimas do massacre de 1995. O serviço religioso foi conduzido pelo Patriarca Sérvio Porfirije, e o enterro ocorreu ao lado da filha de Mladic, que morreu em 1994.

O presidente sérvio Aleksandar Vucic não compareceu à cerimônia, alegando compromissos oficiais, mas autorizou as honras militares, afirmando que o Estado respeitou o desejo da família e garantiu um funeral digno. A decisão gerou críticas da União Europeia, que condenou qualquer glorificação de criminosos de guerra e negacionismo do genocídio, ressaltando que tais atitudes contrariam os valores europeus. Vucic, por sua vez, desconsiderou as críticas, incluindo o cancelamento de uma visita da comissária europeia Marta Kos, classificando as reações como "estúpidas".

O enterro de Mladic ocorre em um momento politicamente delicado para Vucic, que deve convocar eleições parlamentares antecipadas para 25 de outubro. A oposição, liderada por um movimento estudantil que protesta contra o governo há quase dois anos, apresenta uma ameaça real ao domínio do Partido Progressista Sérvio. Analistas políticos apontam que o funeral pode ser usado por Vucic para mobilizar o nacionalismo e reforçar sua imagem patriótica, tentando deslegitimar adversários políticos.

No contexto regional, as eleições na Bósnia e Herzegovina estão marcadas para 4 de outubro, em um cenário igualmente tenso, especialmente na entidade sérvia Republika Srpska, onde o sentimento nacionalista é forte. O debate sobre o legado da guerra dos anos 1990 e a memória dos crimes cometidos permanece um tema sensível e polarizador.

O movimento estudantil na Sérvia, embora ativo nas manifestações contra o governo, tem evitado comentar diretamente sobre Mladic e os crimes de guerra, focando sua agenda em temas como o Estado de direito, democracia e combate à corrupção. A polarização política no país é acentuada pela forte influência do governo sobre os meios de comunicação, que frequentemente reproduzem narrativas alinhadas ao presidente.

Com a proximidade das eleições, o funeral de Mladic representa um episódio emblemático da complexa relação da Sérvia com seu passado recente e os desafios atuais na busca por estabilidade política e integração europeia. A repercussão internacional e interna do evento evidencia as dificuldades do país em lidar com as consequências da guerra e a memória dos crimes cometidos, enquanto enfrenta uma disputa eleitoral acirrada.