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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Regulador australiano cobra maior rigor das redes sociais para impedir acesso de menores de 16 anos

Órgão regulador da Austrália aponta falhas das redes sociais na aplicação da proibição para menores de 16 anos. Apesar da lei vigente desde dezembro, plataformas como Facebook, Instagram e TikTok ainda permitem acesso irregular. Governo planeja reforçar fiscalização e exigir sistemas mais eficazes de controle de idade.

Regulador australiano cobra maior rigor das redes sociais para impedir acesso de menores de 16 anos

O órgão regulador australiano de segurança na internet apontou que as principais empresas de redes sociais do mundo não estão cumprindo adequadamente a legislação que proíbe o uso de suas plataformas por menores de 16 anos no país. A lei, que entrou em vigor em dezembro do ano passado, visa proteger crianças e adolescentes de conteúdos nocivos e dos efeitos de algoritmos que podem causar dependência. Apesar da proibição, plataformas como Facebook, Instagram, Snapchat, TikTok e YouTube apresentam falhas significativas na aplicação das regras, segundo o relatório divulgado pelo regulador eSafety.

A legislação australiana determina que indivíduos com menos de 16 anos não podem criar ou manter contas em dez plataformas digitais específicas. No entanto, a eSafety identificou diversas práticas inadequadas, como permitir que usuários que inicialmente declararam ter menos de 16 anos possam posteriormente comprovar uma idade superior, possibilitando o acesso. Além disso, os sistemas permitem que menores tentem repetidamente métodos de verificação de idade, e as medidas para impedir a criação de novas contas por menores são insuficientes.

Outro ponto crítico apontado é a falta de mecanismos eficientes para que pais e responsáveis possam denunciar menores que ainda utilizam as redes sociais, dificultando a fiscalização e o cumprimento da lei. Desde a implementação da norma, foram restringidas ou removidas cerca de 4,7 milhões de contas consideradas irregulares no primeiro mês, mas o número total de usuários menores de 16 anos que continuam ativos ainda é motivo de preocupação.

A comissária de eSafety, Julie Inman Grant, destacou que, embora as plataformas tenham tomado algumas medidas iniciais, a fiscalização indica que elas podem não estar fazendo o suficiente para cumprir a legislação australiana. A partir de agora, o órgão regulador pretende intensificar a aplicação da lei, coletando evidências para comprovar se as empresas não adotaram sistemas e processos adequados para impedir o acesso de menores.

A proibição australiana tem sido observada internacionalmente, com países como o Reino Unido avaliando a possibilidade de implementar medidas semelhantes. No entanto, a efetividade da lei tem sido questionada, já que muitos jovens continuam acessando as plataformas, seja por falhas nos sistemas de verificação ou por métodos para burlar as restrições.

Em visitas a escolas em Sydney, constatou-se que a maioria dos estudantes que usavam redes sociais antes da proibição ainda mantém acesso, com relatos de que não foram solicitados a comprovar idade ou que conseguiram contornar os mecanismos de verificação. Pais, em geral, apoiam a legislação, pois ela os auxilia a controlar o uso das redes pelos filhos, mas especialistas em tecnologia e bem-estar infantil argumentam que a educação sobre os riscos pode ser mais eficaz do que a proibição.

Críticas também apontam que a lei pode prejudicar grupos minoritários, como jovens de áreas rurais, adolescentes com deficiência e pessoas LGBTQ+, que frequentemente encontram nas redes sociais espaços essenciais para suas comunidades e apoio.

A comissária Inman Grant ressaltou que a mudança representa um desafio para reverter duas décadas de práticas consolidadas nas redes sociais, e que a transformação cultural necessária demandará tempo. Ela enfatizou a importância da parceria com os pais para o sucesso da medida, destacando que a lei tem fortalecido a capacidade dos responsáveis de negar o acesso às plataformas para seus filhos menores.

O avanço da legislação enfrenta resistência dos grandes players do setor tecnológico, que possuem interesses financeiros significativos ligados à manutenção do público jovem. Ainda assim, o governo australiano segue empenhado em implementar as restrições e monitorar o cumprimento das regras.

Analisando o cenário, a efetividade da proibição dependerá da capacidade das plataformas de desenvolver sistemas robustos de verificação de idade e da colaboração contínua com autoridades e famílias. Caso as empresas não se adaptem, é provável que o governo australiano intensifique sanções e fiscalizações, o que pode servir de precedente para outras nações que buscam regulamentar o acesso infantil às redes sociais. Por outro lado, a resistência e as dificuldades técnicas podem levar a um debate mais amplo sobre a melhor forma de proteger os jovens no ambiente digital, equilibrando restrições e educação digital.