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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Reino Unido busca reaproximação com EUA na visita do Rei Charles durante 250 anos da independência americana

O Rei Charles visita os EUA para celebrar 250 anos da independência americana e tentar restaurar a relação com os EUA, abalada durante a presidência de Trump.

Reino Unido busca reaproximação com EUA na visita do Rei Charles durante 250 anos da independência americana

Mais de duzentos anos após as treze colônias americanas se rebelarem contra o rei George III e conquistarem sua independência, um descendente direto desse monarca, o Rei Charles III, chega a Washington para celebrar o 250º aniversário da independência dos Estados Unidos. A visita, marcada para esta segunda-feira, tem como objetivo principal a tentativa de restaurar a chamada “relação especial” entre Reino Unido e Estados Unidos, que sofreu tensões significativas durante a presidência de Donald Trump. Apesar de a família real britânica buscar manter-se distante de disputas políticas, a realidade tem se mostrado mais complexa. Nos últimos meses, Trump questionou publicamente o papel dos soldados da OTAN na guerra do Afeganistão, onde 457 militares britânicos perderam a vida. Além disso, criticou o primeiro-ministro britânico Keir Starmer por sua postura em relação a um possível conflito com o Irã e retirou seu apoio a um acordo que previa a cessão da soberania de um território britânico no Oceano Índico, onde há uma base militar conjunta com os EUA.

Na última sexta-feira, uma nova controvérsia surgiu no Reino Unido após a divulgação de um e-mail interno do Pentágono que sugeria revisar a posição dos EUA sobre as Ilhas Malvinas em retaliação à postura britânica sobre a guerra com o Irã. As Malvinas são um território britânico ultramarino que foi alvo de uma tentativa de invasão pela Argentina nos anos 1980, resultando em um conflito com centenas de mortos. Autoridades britânicas reagiram com firmeza, reafirmando a posição histórica e inalterada do Reino Unido sobre a soberania das ilhas.

No domingo, após disparos durante o jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, que levou à evacuação de Trump e outros oficiais, o Rei Charles e a Rainha Camilla manifestaram preocupação em contato privado, enquanto equipes dos dois países avaliavam possíveis impactos no planejamento da visita. Independentemente de ajustes, a visita contará com cerimônias oficiais, incluindo uma recepção na Casa Branca, um chá privado com Donald e Melania Trump, um discurso de Charles no Congresso e eventos em Nova York e Virgínia para celebrar o aniversário dos EUA.

O Palácio de Buckingham descreveu a viagem como uma oportunidade para reconhecer a história compartilhada entre os dois países. No entanto, especialistas apontam que o foco real do rei será a relação com Trump. O professor Craig Prescott, da Royal Holloway, Universidade de Londres, classificou a visita como uma das mais controversas do reinado de Charles, ressaltando que o governo britânico espera que o monarca possa influenciar Trump em conversas reservadas.

Trump, por sua vez, demonstrou admiração pela família real britânica, especialmente pela falecida Rainha Elizabeth II, mãe de Charles, e afirmou que a visita do rei pode ajudar a melhorar as relações bilaterais. Ele destacou a importância da monarquia como uma instituição duradoura, em contraste com a rotatividade dos primeiros-ministros.

Por outro lado, Charles precisará equilibrar sua postura para não desgastar sua imagem diante do público britânico, onde Trump é impopular. Pesquisas recentes indicam que apenas uma pequena parcela dos britânicos tem opinião favorável sobre o ex-presidente americano, e quase metade da população desaprova a visita do rei aos EUA. Políticos britânicos, incluindo líderes de partidos como os Liberal Democratas e os Verdes, pediram o cancelamento da visita, expressando receios sobre a associação do monarca com Trump.

Além das questões políticas, a visita ocorre em meio a controvérsias envolvendo figuras públicas ligadas ao escândalo Jeffrey Epstein, que envolve acusações de tráfico sexual e abuso. O príncipe Andrew, irmão de Charles, está sob investigação policial e teve seus títulos retirados pelo rei. Há pedidos para que Charles se reúna com vítimas de Epstein durante sua estadia, mas o Palácio de Buckingham afirmou que isso poderia prejudicar investigações em andamento.

O contexto da visita reflete tentativas anteriores do Reino Unido de manter boas relações com Trump, incluindo a recepção oficial durante a segunda visita de estado do ex-presidente ao Reino Unido em 2023. Apesar das tensões políticas, Trump sempre demonstrou respeito pela monarquia e se comporta de forma protocolar ao lado dos membros da família real.

Do ponto de vista estratégico, a visita do Rei Charles pode ser vista como um esforço diplomático para reforçar alianças tradicionais em um momento de incertezas globais. A relação entre Reino Unido e Estados Unidos é fundamental para questões de segurança, comércio e política internacional, e o restabelecimento de um diálogo mais harmonioso pode facilitar cooperações futuras, especialmente em temas como defesa e comércio pós-Brexit.

No entanto, a popularidade reduzida de Trump no Reino Unido e as críticas internas podem limitar o impacto positivo da visita, exigindo que o rei mantenha uma postura equilibrada para preservar a imagem da monarquia. O desenrolar dessa visita poderá influenciar a dinâmica das relações bilaterais nos próximos anos, especialmente considerando as mudanças políticas em ambos os países e os desafios globais que enfrentam.