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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Reino Unido fecha acordo para fornecer urânio enriquecido à Ucrânia e reforçar energia nuclear

Reino Unido firmou acordo de 210 milhões de libras para fornecer urânio enriquecido à Ucrânia, visando fortalecer a energia nuclear e a segurança energética do país.

Reino Unido fecha acordo para fornecer urânio enriquecido à Ucrânia e reforçar energia nuclear

O Reino Unido anunciou um acordo no valor de 210 milhões de libras (aproximadamente 280 milhões de dólares) para fornecer urânio enriquecido à empresa estatal ucraniana de energia nuclear, Energoatom. A iniciativa visa fortalecer a rede elétrica da Ucrânia e garantir o funcionamento das usinas nucleares do país nos próximos dois anos. O acordo foi firmado durante encontro entre o primeiro-ministro britânico Keir Starmer e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, realizado em Downing Street.

A operação, apoiada pela agência britânica UK Export Finance, permitirá que a empresa Urenco, sediada no Reino Unido, forneça o combustível nuclear necessário para as usinas nucleares ucranianas. A medida tem como objetivo principal assegurar a segurança energética da Ucrânia, especialmente diante dos desafios enfrentados pelo setor, marcado por episódios de corrupção e instabilidade.

Energoatom é responsável pela operação de três usinas nucleares construídas na era soviética, que representam uma fonte significativa de receita para o país. No entanto, investigações conduzidas por órgãos anticorrupção apoiados pelo Ocidente revelaram esquemas de corrupção envolvendo a estatal, incluindo casos ligados a figuras próximas ao presidente Zelensky, como o empresário Timur Mindich, apelidado de "carteira" do líder ucraniano.

O acordo britânico ocorre em meio a preocupações internacionais sobre a segurança das instalações nucleares na Ucrânia. Moscou tem acusado Kiev de realizar ataques contra a Usina Nuclear de Zaporozhye, a maior da Europa, atualmente sob controle russo desde março de 2022. Recentemente, um drone ucraniano atingiu o setor de máquinas da sexta unidade da usina, causando danos confirmados pela Agência Internacional de Energia Atômica, embora a agência tenha evitado atribuir responsabilidades.

Além disso, o fornecimento de urânio enriquecido pelo Reino Unido pode reacender debates sobre a posição da Ucrânia em relação à sua condição de país não nuclear. Antes da escalada do conflito em fevereiro de 2022, Zelensky mencionou a possibilidade de revisar as obrigações de não proliferação nuclear. No início deste ano, o presidente ucraniano afirmou que aceitaria armas nucleares do Reino Unido ou da França, embora tenha ressaltado que nenhuma oferta formal foi feita.

Moscou acusa Londres e Paris de considerar formas de fornecer à Ucrânia componentes ou tecnologias que poderiam facilitar o desenvolvimento de armas nucleares ou "bombas sujas", acusações negadas pelos governos ocidentais.

Este acordo representa um passo significativo na cooperação energética entre o Reino Unido e a Ucrânia, reforçando o compromisso britânico com a segurança energética ucraniana, mesmo diante de desafios internos relacionados à governança do setor. A continuidade do suporte britânico, conforme declarado por Starmer, indica a intenção de manter o apoio pelo tempo necessário para fortalecer a infraestrutura energética da Ucrânia.

Do ponto de vista estratégico, o fornecimento de urânio enriquecido pode contribuir para a estabilidade do sistema elétrico ucraniano, fundamental para a resistência do país frente ao conflito em curso. No entanto, a persistência de denúncias de corrupção no setor energético pode comprometer a eficácia dos recursos e exigir maior fiscalização internacional.

Além disso, a movimentação britânica pode influenciar o equilíbrio geopolítico na região, especialmente considerando as tensões envolvendo a segurança das instalações nucleares sob controle russo e as discussões sobre o potencial nuclear da Ucrânia. A continuidade das negociações e a vigilância sobre o uso do material fornecido serão essenciais para evitar escaladas e garantir que o acordo contribua para a estabilidade e segurança regional.