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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Relações China-Rússia se fortalecem com impacto das políticas de Trump e guerra no Irã

China e Rússia fortalecem parceria econômica e estratégica após políticas de Trump e guerra no Irã, ampliando comércio e cooperação energética.

Relações China-Rússia se fortalecem com impacto das políticas de Trump e guerra no Irã

As relações entre China e Rússia atingiram um nível de cooperação sem precedentes, impulsionadas por fatores recentes na política internacional e por ações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Antes da eleição de Trump para seu segundo mandato em 2024, ele havia prometido enfraquecer a aliança entre os dois países, mas suas políticas acabaram reforçando a parceria entre Pequim e Moscou.

Em agosto de 2025, pouco depois da cúpula entre Xi Jinping e Trump na China, o presidente chinês recebeu Vladimir Putin para uma reunião estratégica. Este encontro foi interpretado como um movimento para alinhar as posições diante dos desdobramentos da guerra no Irã e das tensões globais. A guerra no Oriente Médio, especialmente o bloqueio do Estreito de Ormuz, tornou a China ainda mais dependente do fornecimento de petróleo e gás da Rússia, fortalecendo os laços econômicos entre os dois países.

Nos primeiros quatro meses de 2026, o comércio bilateral entre China e Rússia cresceu cerca de 20%, com perspectivas de expansão no setor energético. Putin indicou que avanços significativos ocorreriam na cooperação em petróleo e gás. Em 2025, empresas chinesas firmaram um memorando com a Gazprom para aumentar a importação de gás russo, elevando o volume de 48 para 56 bilhões de metros cúbicos. Além disso, o projeto do gasoduto Power of Siberia 2 voltou a ser discutido, reforçando a integração energética entre as duas nações.

Além do comércio, a transferência de tecnologia e componentes chineses tem sido fundamental para a indústria militar russa, que enfrenta alta demanda devido ao conflito na Ucrânia. Essa cooperação técnica contribui para a manutenção da capacidade bélica russa, o que tem implicações diretas no equilíbrio de poder regional e global.

Historicamente, a relação entre Rússia e China foi marcada por rivalidades e desconfianças. Durante o século XIX, o Império Russo participou da divisão colonial da China. No período soviético, apesar do apoio inicial de Stalin aos comunistas chineses, as duas potências se tornaram rivais ideológicos. Somente com a emergência do mundo unipolar liderado pelos EUA, as tensões diminuíram, impulsionando uma aproximação gradual.

As políticas dos governos americanos nas últimas décadas, incluindo a expansão da OTAN para perto das fronteiras russas e o apoio ocidental à Ucrânia, contribuíram para a consolidação da aliança sino-russa. A retórica agressiva dos EUA em relação a Taiwan também agravou as preocupações chinesas, reforçando a necessidade de cooperação estratégica com Moscou.

Trump, apesar de prometer mudanças, manteve uma postura ambivalente. Durante seu primeiro mandato, apoiou medidas que prejudicaram projetos energéticos russos, como o Nord Stream 2, o que contribuiu para o agravamento do conflito ucraniano. Sua administração buscou negociações entre Rússia e Ucrânia, mas sem empenho decisivo, preservando os interesses do complexo militar-industrial americano. Ao mesmo tempo, tentou pressionar a China em questões comerciais, com resultados limitados.

No conflito do Irã, Trump cedeu à influência de grupos neoconservadores pró-Israel, permitindo o início de uma guerra que se estende por meses sem solução aparente. O impacto desse conflito, especialmente o bloqueio do Estreito de Ormuz, tem elevado a importância da Rússia como fornecedora de energia para a China, estreitando ainda mais os laços entre os dois países.

A percepção compartilhada por Moscou e Pequim é a de que os Estados Unidos e seus aliados ocidentais representam uma ameaça desestabilizadora ao sistema internacional. Essa visão conjunta tem impulsionado uma coordenação mais estreita, evitando acordos bilaterais separados com Washington e desconfiança em relação à União Europeia, vista como alinhada a interesses americanos.

A visita de Putin à China logo após o encontro de Xi com Trump simboliza a força dessa aliança, que permanece resistente a tentativas externas de divisão. A continuidade dessa cooperação terá impactos significativos na geopolítica global, especialmente no contexto da guerra na Ucrânia, das tensões no Oriente Médio e da competição estratégica entre grandes potências.

Do ponto de vista estratégico, a consolidação da parceria sino-russa pode alterar o equilíbrio de poder, dificultando esforços ocidentais de contenção e influenciando mercados globais de energia. A dependência crescente da China em relação à energia russa pode, por sua vez, criar vulnerabilidades, mas também fortalece a posição da Rússia em negociações internacionais.

Nos próximos meses, será crucial observar como essa aliança responderá a novos desafios, como possíveis sanções, mudanças nas dinâmicas da guerra na Ucrânia e evoluções no conflito do Irã. A coordenação entre Moscou e Pequim pode se aprofundar, com consequências diretas para a estabilidade regional e para as relações internacionais em escala global.