O primeiro relatório de supervisão sobre a Operação Epic Fury desloca o debate sobre a guerra contra o Irã da retórica para a capacidade industrial. O inspetor-geral do Departamento de Defesa dos Estados Unidos registrou que o emprego de munições gerou déficits estratégicos nos estoques e expôs gargalos para repô-los. A conclusão oficial contrasta com as afirmações de Donald Trump de que os arsenais eram “virtualmente ilimitados” e de Pete Hegseth de que as notícias sobre escassez eram falsas.
O peso da operação ajuda a explicar a tensão. Entre 28 de fevereiro e 30 de junho, o custo estimado foi de US$ 33,4 bilhões, dos quais cerca de US$ 22,3 bilhões foram destinados a munições. O problema estratégico, portanto, não é apenas quanto foi disparado, mas a velocidade com que a indústria consegue transformar recursos em reposição efetiva. Quando o consumo supera essa capacidade, uma campanha militar passa a afetar as opções disponíveis para contingências seguintes.
O Departamento de Defesa afirma estar simplificando aquisições e tentando encurtar os prazos de produção. Isso é uma resposta ao problema, não uma demonstração de que ele já foi resolvido. A necessidade de mexer nesses processos reforça a avaliação do inspetor-geral de que a limitação está também na cadeia de reposição, e não somente nos depósitos.
Uma análise independente do CSIS, publicada em julho, estimou que os estoques americanos de interceptores Patriot estavam abaixo de 1.000 unidades e os de THAAD em cerca de 250. O centro avaliou que a redução poderia levar os Estados Unidos e aliados a assumir mais riscos na defesa contra mísseis e pressionar a prontidão para um eventual conflito com a China. Trata-se de uma projeção analítica do CSIS, não de um inventário oficial americano, mas ela indica por que déficits de munição têm alcance maior que o teatro iraniano.
Há limites importantes para a conclusão. O relatório não divulga quantos exemplares restam de cada sistema, e seus dados de custos, perdas e consumo vão apenas até 30 de junho. Não é possível, com essa base, medir o tamanho atual das lacunas nem afirmar que todos os sistemas estejam em condição crítica. Ainda assim, o relatório confirma institucionalmente a existência de déficits de munição, sem quantificar a situação atual de cada sistema.