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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Restaurante palestino em Nova York exclui Israel de mapa em cardápio e reforça mensagem política

Restaurante palestino em Nova York exclui Israel de mapa em seu cardápio e reforça mensagem política pró-Palestina, gerando controvérsia na comunidade local.

Restaurante palestino em Nova York exclui Israel de mapa em cardápio e reforça mensagem política

Em Manhattan, no bairro Upper West Side, um novo restaurante palestino chamado Hinds Hall tem atraído atenção não apenas pela culinária, mas também pelo posicionamento político expresso em seu cardápio e decoração. O estabelecimento, que faz parte da rede Ayat, conhecida por oito unidades na cidade, abriu suas portas recentemente e se apresenta como um espaço de acolhimento para palestinos, seus apoiadores e também para judeus, conforme indica uma placa na entrada que destaca a convivência entre muçulmanos, judeus e cristãos.

O cardápio do restaurante traz mensagens políticas claras, com frases como "Abaixo a ocupação" escritas em inglês, árabe e hebraico. Nas paredes internas, palavras como "Resiliência", "Liberdade" e "Salvem nossas crianças" reforçam o tom de protesto e resistência. Além disso, o mapa que ilustra o menu apresenta toda a região da Cisjordânia, Gaza, Jerusalém e o território de Israel como Palestina, usando os nomes árabes das cidades e omitindo cidades israelenses como Tel Aviv e Eilat.

A seção de frutos do mar do cardápio é intitulada "Da casca à semente", uma referência indireta ao slogan de protesto "Do rio ao mar, a Palestina será livre", que é associado ao movimento anti-sionista. Apesar do posicionamento político, o restaurante busca incluir a comunidade judaica, promovendo eventos como um jantar gratuito de Shabat em 2024 que reuniu centenas de pessoas.

O nome Hinds Hall é uma homenagem a Hind Rajab, uma menina palestina de cinco anos que morreu em Gaza e que se tornou um símbolo para ativistas pró-Palestina. O nome também foi adotado por estudantes da Universidade Columbia, próxima ao restaurante, que ocuparam um prédio no campus e o renomearam como Hind's Hall em protesto, gerando controvérsia e tensões locais.

O fundador da rede, Abdul Elenani, de origem egípcio-americana, afirmou que o nome do restaurante visa manter viva a memória da criança, embora tenha criticado os danos causados pelos manifestantes na universidade. A rede Ayat planeja expandir para outras cidades americanas, incluindo Filadélfia e Washington, DC.

No entanto, a recepção do restaurante entre a comunidade judaica local é mista. Muitos residentes judeus centristas veem o nome e o posicionamento político do estabelecimento como problemáticos, associando-os a um movimento que, em suas manifestações, tem exibido retórica agressiva e episódios de discriminação contra judeus. Protestos pró-Palestina na região têm gerado confrontos e aumento da tensão, levando a uma maior procura por aulas de autodefesa entre os moradores judeus.

Restaurantes israelenses na cidade, por sua vez, têm sido alvo de vandalismo e acusações por parte de grupos pró-Palestina, mas não há relatos de retaliação organizada contra Hinds Hall. Ainda assim, a associação do restaurante com a causa palestina e o movimento anti-sionista pode limitar sua aceitação entre parte da população local.

O restaurante não adota discursos extremistas comuns em outros grupos anti-Israel, como acusações de genocídio ou apartheid, mas também não reconhece a existência do Estado de Israel, referindo-se apenas à "ocupação". A rede mantém uma postura que pode ser vista como uma faceta moderada do movimento anti-sionista, evitando confrontos diretos, mas também não promovendo diálogo com o Estado israelense.

Em termos culinários, o restaurante oferece pratos tradicionais do Oriente Médio, como hummus, baba ghanoush, tabule e pratos com frango e especiarias típicas, que têm sido elogiados pelos clientes. O ambiente é descrito como acolhedor, com uma equipe atenciosa e uma clientela majoritariamente jovem.

Do ponto de vista estratégico, o surgimento de um restaurante com posicionamento político tão explícito em um bairro com grande população judaica pode intensificar as divisões locais e influenciar o debate público sobre o conflito israelo-palestino na diáspora. A expansão da rede para outras cidades americanas sugere que a questão palestina continua a mobilizar setores da sociedade, especialmente entre jovens e ativistas.

Para os próximos passos, é provável que o restaurante mantenha seu posicionamento político, buscando equilibrar a promoção da cultura palestina com a inclusão de diferentes grupos. No entanto, a reação da comunidade judaica e as tensões locais podem limitar seu alcance e gerar desafios para a convivência pacífica no bairro. O caso também ilustra como espaços culturais e gastronômicos podem se tornar arenas simbólicas para disputas políticas globais, refletindo e ampliando conflitos internacionais em contextos urbanos nos Estados Unidos.