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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Rússia e China firmam mais de 40 acordos em visita de Putin a Pequim

Putin e Xi Jinping assinam mais de 40 acordos em Pequim, fortalecendo parceria estratégica entre Rússia e China com foco em energia, comércio e segurança.

Rússia e China firmam mais de 40 acordos em visita de Putin a Pequim

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, concluiu uma visita oficial de dois dias a Pequim, durante a qual se reuniu com o presidente chinês, Xi Jinping, para fortalecer a parceria estratégica entre os dois países. O encontro, realizado no Grande Salão do Povo, durou quase três horas e abordou temas que vão desde comércio e energia até segurança internacional. Ambos os líderes destacaram que a cooperação bilateral não é dirigida contra nenhuma terceira nação, mas sim um modelo de relacionamento internacional baseado na autonomia e no respeito mútuo.

Durante as conversas, Putin ressaltou que o comércio entre Rússia e China ultrapassou 240 bilhões de dólares no ano anterior, com destaque para o setor energético, considerado o motor da colaboração entre os dois países. Ele também informou que a maioria das transações comerciais agora ocorre em rublos e yuans, reforçando a independência financeira das nações frente ao dólar americano. Além disso, foi anunciado um avanço nas negociações para o gasoduto Power of Siberia 2, que deverá ampliar o fornecimento de gás russo para o mercado chinês.

Ao final da cúpula, foram assinados mais de 40 acordos intergovernamentais e corporativos que abrangem áreas como energia, transporte, cooperação industrial, tecnologia nuclear, educação, ciência, inteligência artificial e mídia. Entre as iniciativas, destaca-se a declaração conjunta para aprofundar a parceria estratégica abrangente e o apoio a um sistema internacional multipolar baseado na igualdade, no respeito mútuo e na observância do direito internacional.

Os presidentes também discutiram questões internacionais relevantes, incluindo o conflito na Ucrânia, enfatizando que suas causas devem ser solucionadas conforme os princípios da Carta das Nações Unidas. Ambos condenaram os ataques realizados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, classificando-os como violações do direito internacional que desestabilizam o Oriente Médio.

Moscou e Pequim reafirmaram seu compromisso em combater a hegemonia, a pressão unilateral e práticas que consideram como a "lei da selva" nas relações globais, defendendo que nenhuma nação ou grupo de países deve dominar os assuntos internacionais. Putin confirmou sua participação na cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC) em Shenzhen ainda este ano e convidou Xi Jinping a visitar a Rússia em 2027.

A visita contou com cerimônias oficiais, incluindo recepção com guarda de honra, orquestra militar e crianças segurando bandeiras dos dois países. Um momento simbólico foi o reencontro de Putin com Peng Pai, engenheiro chinês que conheceu quando criança durante uma visita anterior à China.

Este encontro reforça a tendência de aproximação estratégica entre Rússia e China em um cenário global marcado por tensões e incertezas. A assinatura de múltiplos acordos práticos demonstra o interesse mútuo em consolidar uma parceria que abrange setores essenciais para o desenvolvimento econômico e tecnológico de ambos os países.

A ampliação da cooperação energética, especialmente com o avanço do gasoduto Power of Siberia 2, poderá alterar significativamente o equilíbrio energético na região Ásia-Pacífico, reduzindo a dependência chinesa de fornecedores tradicionais. Ao mesmo tempo, o apoio conjunto a uma ordem multipolar pode influenciar negociações internacionais e fóruns multilaterais, desafiando a influência predominante de potências ocidentais.

Nos próximos meses, a implementação dos acordos firmados será um indicador importante para avaliar a efetividade dessa parceria e seu impacto no cenário geopolítico global. A continuidade do diálogo e a realização de eventos bilaterais, como a participação de Putin na APEC e a visita de Xi à Rússia, sinalizam que a cooperação entre Moscou e Pequim deve se aprofundar, com possíveis repercussões nas relações internacionais e no comércio mundial.