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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Scout de modelos ligado a Jeffrey Epstein é encontrado morto em Paris

Daniel Siad, ligado a Jeffrey Epstein, foi encontrado morto em Paris enquanto era investigado por denúncias de abuso; sua morte complica apurações sobre tráfico sexual.

Scout de modelos ligado a Jeffrey Epstein é encontrado morto em Paris

Daniel Siad, um agente de modelos associado ao falecido Jeffrey Epstein, foi encontrado morto em sua residência em Colombes, nos arredores de Paris. A descoberta ocorreu na segunda-feira, conforme confirmado pelo escritório do promotor de Nanterre. As autoridades iniciaram uma investigação para apurar as circunstâncias do falecimento, incluindo a realização de um exame post-mortem.

Siad, de 69 anos, teve seu nome mencionado inúmeras vezes nos documentos relacionados ao caso Epstein, divulgados pelo governo dos Estados Unidos. Apesar das ligações, ele sempre negou ter conhecimento das atividades ilegais atribuídas a Epstein. Seu advogado destacou que, embora Siad tenha enfrentado diversas denúncias na França, incluindo acusações de estupro, ele nunca foi formalmente processado.

Uma das vítimas de Epstein, identificada apenas como Anya, relatou que Siad foi responsável por apresentá-la a Epstein, descrevendo o agente como um "traficante profissional". Em uma das mensagens eletrônicas enviadas a Epstein, Siad expressava, em inglês com erros, uma analogia sobre sua atividade, comparando-a à pesca, onde às vezes se captura algo e outras vezes não.

Antes da publicação de uma investigação da BBC sobre o assunto, o advogado de Siad havia informado que ele não estava disponível para comentar. No entanto, em entrevista recente à CNN, Siad afirmou desconhecer os abusos cometidos por Epstein contra as mulheres, declarando que confiava nele e acreditava que era um profissional.

As primeiras denúncias contra Siad na França surgiram em fevereiro. Ele negou qualquer má conduta em entrevistas recentes, afirmando categoricamente que nunca havia cometido estupro. Os advogados da primeira modelo que apresentou queixa expressaram surpresa e tristeza com a morte de Siad, ressaltando que as vítimas foram privadas de um julgamento criminal.

Esses advogados criticaram a atuação do Ministério Público de Paris, apontando uma inércia considerada escandalosa na investigação dos cúmplices franceses de Epstein. Eles interpretam essa demora como um desrespeito às vítimas de crimes sexuais, especialmente aqueles ligados à rede de tráfico humano associada a Epstein e seus colaboradores.

Outra ex-modelo que prestou depoimento em junho afirmou que a morte de Siad representa a perda de uma peça importante para esclarecer os fatos, já que ele nunca foi interrogado pelas autoridades. Ela lamentou o tempo perdido e manifestou preocupação com a possibilidade de que as investigações possam esfriar ainda mais.

Anne-Claire Le Jeune, representante de seis mulheres que denunciaram Siad, ressaltou que as vítimas demonstraram coragem ao romper o silêncio, considerando as conexões de Siad com Epstein. Ela lamentou que a lentidão da investigação tenha resultado na morte de Siad antes que ele pudesse ser ouvido ou preso, prejudicando o avanço do processo em busca de justiça.

O caso de Siad remete ao de outro associado de Epstein, Jean-Luc Brunel, agente de modelos francês encontrado enforcado em sua cela em 2022. Brunel, de 76 anos, estava sob custódia por suspeita de estupro e tráfico sexual de menores, acusações que ele negava. Ele havia fundado a agência MC2 Model Management com financiamento de Epstein e era suspeito de facilitar o transporte e alojamento de jovens para Epstein.

Jeffrey Epstein, que morreu por suicídio em 2019 enquanto aguardava julgamento federal por tráfico sexual, deixou uma rede complexa de investigações e denúncias envolvendo figuras próximas a ele. A morte de Siad representa um revés para as investigações na França, dificultando a obtenção de informações cruciais.

A continuidade das investigações dependerá da capacidade das autoridades francesas de avançar sem a colaboração direta de Siad, o que pode exigir a busca por outras fontes e evidências. O caso ressalta a importância de respostas rápidas e eficazes em investigações de crimes sexuais e tráfico humano para garantir justiça às vítimas e evitar a perda de provas essenciais.