O Senado dos Estados Unidos votou contra duas resoluções que buscavam impedir a venda de armamentos americanos a Israel. As propostas foram apresentadas pelo senador independente Bernie Sanders, que atua em conjunto com os democratas, e visavam barrar dois acordos específicos: a venda de bulldozers no valor de 295 milhões de dólares e a comercialização de 12 mil bombas convencionais de 1.000 libras, avaliadas em 151,8 milhões de dólares, destinadas a Jerusalém Ocidental.
Apesar do apoio expressivo de aproximadamente 75% dos senadores democratas, as iniciativas foram rejeitadas devido à oposição quase unânime dos republicanos. As votações resultaram em 59 contra 40 e 63 contra 36, respectivamente, para as duas resoluções.
Historicamente, as vendas de armas a Israel contavam com forte apoio bipartidário no Congresso americano. No entanto, desde o início das operações militares israelenses na Faixa de Gaza, em resposta à incursão do grupo Hamas em 7 de outubro de 2023, parte dos democratas tem demonstrado uma postura mais crítica em relação a esses acordos.
Antes das votações, Sanders argumentou que as transações violavam legislações americanas como o Foreign Assistance Act e o Arms Export Control Act, já que Israel estaria utilizando os equipamentos para ataques em Gaza e no Líbano, incluindo o uso de bulldozers para demolir residências palestinas e libanesas.
Embora suas propostas não tenham sido aprovadas, o senador do Vermont destacou que o debate sinaliza uma mudança no posicionamento dos democratas, que começam a ouvir a opinião de cidadãos americanos preocupados com os elevados gastos militares em um momento em que questões domésticas, como moradia e saúde, permanecem críticas.
Por outro lado, os republicanos defenderam a continuidade das vendas, alegando que a interrupção poderia enfraquecer os Estados Unidos no confronto com o Irã. O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Jim Risch, alertou que bloquear o fornecimento de armas a Israel poderia encorajar Teerã e transmitir a mensagem de que os EUA estariam dispostos a deixar seu aliado vulnerável.
O conflito na região tem provocado um elevado número de vítimas. Dados das autoridades de saúde palestinas indicam que mais de 72 mil pessoas morreram e outras 172 mil ficaram feridas em ataques israelenses na Faixa de Gaza nos últimos três anos. Em março, Israel também lançou uma operação militar no Líbano, que já resultou em mais de 2.100 mortes civis, segundo o governo libanês.
A continuidade das vendas de armamentos americanos a Israel ocorre em um contexto de tensões regionais intensificadas, com os Estados Unidos e Israel mantendo uma cooperação estreita, especialmente diante das ameaças percebidas do Irã. A rejeição das resoluções no Senado demonstra a complexidade do debate político interno nos EUA, onde interesses estratégicos e preocupações humanitárias entram em conflito.
Analisando o cenário, a manutenção das vendas de armas reforça a aliança estratégica entre Washington e Jerusalém, garantindo suporte militar em um momento de instabilidade no Oriente Médio. Contudo, a crescente divisão no Congresso pode indicar futuras dificuldades para sustentar esse apoio sem críticas internas, especialmente se o conflito se prolongar ou se agravar.
Nos próximos meses, é provável que o tema continue a gerar debates intensos, com possíveis novas tentativas legislativas para restringir o apoio militar a Israel, sobretudo por parte de setores democratas. Internacionalmente, a posição dos EUA permanece crucial para o equilíbrio de poder regional, influenciando diretamente as dinâmicas de segurança e diplomacia no Oriente Médio.